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domingo, 31 maio, 2020

Pais e igrejas na batalha pela castidade da juventude

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Desde que o mundo é mundo, existe dificuldade para se tratar sobre sexualidade com os jovens. Esse assunto deve ser abordado nas igrejas e pelos pais em conversa com os filhos de forma clara, franca e objetiva.

Entre os diversos assuntos que foram tratados pela Pesquisa Comunhão em 2014* está a sexualidade dos jovens. Os entrevistados (87,3%) disseram que os pastores têm falado sobre a manutenção da castidade até o casamento nas igrejas, mas para o pastor Nelson Junior, idealizador do projeto “Eu Escolhi Esperar”, isso está bem aquém do que é realmente necessário para que os mais novos entendam o verdadeiro desejo de Deus sobre castidade.

Ele e outros especialistas alertam que o papel principal na orientação da juventude é dos pais. O ministério apenas é um apoiador e deve ajudar nessa empreitada com cuidado e sem cobranças, porque por mais que exista um apelo para a libertinagem sexual atualmente, a Igreja ainda entende que o sexo deve ser praticado somente no casamento, tanto que a pesquisa mostra que 93% dos entrevistados são a favor da castidade até o matrimônio. Nos levantamentos, quando perguntados se os jovens que frequentam sua igreja aguardam o casamento para iniciar a vida sexual, 70,6% disseram que sim e 29,4% admitiram que não. Nelson Junior explica que há uma distância entre o que os membros da igreja pensam e o verdadeiro comportamento dos jovens.

“Apesar de a Igreja acreditar que os jovens estão se guardando, infelizmente eles não estão. A cada 10 jovens solteiros hoje, sete já não são mais virgens e pelo menos a metade dos que ainda são não se preservará sexualmente até o casamento, ou seja, sabe que não deve fazer, mas não consegue segurar as tentações. Os jovens evangélicos no Brasil têm uma vida sexualmente ativa, bem parecida com a daqueles que não conhecem os princípios da Bíblia. Está na hora de a Igreja ser mais transparente na transmissão desses princípios, sobretudo os pais, que não preparam os filhos para encararem a malícia do mundo”, ressalta.

Nelson Junior parabenizou a Revista Comunhão por abordar esse assunto numa pesquisa e disse que as igrejas onde os padrões bíblicos sobre o namoro são trabalhados e o discipulado para casais de namorados é promovido conseguem manter os jovens que concordam com os princípios doutrinários.

Tem que falar!
O idealizador do “Eu Escolhi Esperar” alerta que é preciso ensinar os jovens para que saibam o que estão fazendo de forma clara e objetiva, sem rodeios, e para que possam escolher seguir os preceitos de Deus. “Tem que ensinar! Tem que falar! Tem que parar com esse negócio de que não se pode abordar sexo nos púlpitos porque é pecado. Sexo não é feio, sujo ou imoral. Temos que quebrar esse tabu dentro da Igreja, que tem sido puritana, e puritanismo aparenta pureza, mas não é. Tem fachada de santidade, mas por dentro está podre. Não falar, não tocar no assunto e não discipular sobre essas coisas só faz perpetuar a imoralidade sexual escondida debaixo dos panos. A coisa está feia dentro das igrejas, e alguém tem que tocar nessa ferida”, argumenta.

O que fazer para se manter casto? Segundo Nelson, não há fórmula, é simplesmente uma questão de escolha. “É uma decisão. A pessoa precisa ter entendimento do que o sexo representa e qual o seu papel. Se ele não for ensinado, encorajado e fortalecido, dificilmente conseguirá se preservar até o casamento. A falta de ensinamento está destruindo a sexualidade das nossas crianças e adolescentes. Consequentemente, temos visto uma juventude ferida e desorientada”, afirma. Assim também pensa o líder no Ministério Veredas Antigas da Universidade da Família (UDF), pastor Marcelo Gatti Staut, que tem mais de 20 anos de experiência no trabalho com educação de jovens e seus pais, acompanhado da esposa, Dina Staut. Ele explica que os pais devem saber orientar seus filhos, mas na maioria das vezes eles não estão preparados para isso. Para que a situação não se perpetue para as próximas gerações, é preciso que haja a orientação familiar, avalia.

“Com toda a minha experiência, sempre vejo que os pais não conseguem se entender com os filhos, não conseguem conversar, não só sobre sexo, mas sobre as mais diversas questões, e transferem isso para os ministérios da igreja e de jovens, quando essa orientação precisa começar em casa, com conversa franca. Os ministérios são apoiadores de pais e filhos, precisam falar sobre o assunto nas igrejas também”, destacou.

Uma pesquisa realizada com os jovens pela UDF, segundo Staut, em que eles precisavam falar a classificação de influência nas suas vidas, mostra que 78% se espelham na mãe em primeiro lugar, e 58% são influenciados pelo pai. “Ao passo que o pastor influencia 40%, e retiros, 7%. Isso só mostra que os pais são os maiores incentivadores dos seus filhos, mas precisam aprender como utilizar essa influência. Para isso, também precisam ser libertos de situações passadas que ainda impactam suas vidas e levam para seus filhos muitas vezes a desorientação que receberam”, explicou. Ele conta que a UDF realiza cursos em todo o Brasil voltado para as igrejas e famílias com base no versículo Malaquias 4:6 “E ele converterá o coração dos pais aos filhos, e o coração dos filhos a seus pais; para que eu não venha, e fira a terra com maldição”. São 30 mil pessoas que passam por 700 seminários realizados por ano.

“Na verdade, os ministérios vivem criando artifícios toda semana para movimentar essa galera na igreja, mas não há projeto definido desde a infância. Simplesmente as crianças vão mudando de fase e não são orientadas adequadamente. E quando chegam à juventude tem noite do pijama, churrasco, acampamento, show com cantores gospel famosos, mas não existe um projeto de transformação de vida, de valor, de destino, de carreira profissional, de orientação para o casamento. Só fica no entretenimento, e o tempo vai passando, sem nenhuma construção de valor no coração, fazendo com que esse jovem continue sendo menino, não se torne homem e mulher”, acrescentou.

Compromisso
Miqueias Mikley dos Santos Pereira tem 24 anos e vai se casar no dia 22 de novembro com Mylena Gonçalves Marques, de 22. Ambos são da Igreja Quadrangular de Itacibá e Viana. Juntos há 10 meses, decidiram que não teriam relações sexuais até o casamento. “Eu nasci em lar evangélico e acabei saindo da igreja por um tempo para conhecer as coisas do mundo. Até que percebi que não é isso que Deus tem para minha vida. Quando conheci Mylena, soube que era a mulher que Ele escolheu para mim, tanto que não tivemos namoro, partimos para o noivado, porque temos a certeza de que queremos fazer tudo segundo o que o Senhor quer”, explica Miqueias.

“Eu não nasci em lar evangélico, mas quando me converti com 17 para 18 anos, eu conheci aquilo que a Palavra fala sobre um relacionamento entre homem e mulher e pedi a Deus um marido, nunca orei pedindo namorado. E Ele me deu. Então o que temos a fazer é respeitar o lar que Deus quer nos dar mantendo a castidade da nossa relação até o casamento”, acrescenta. Raquel Araújo, líder do Ministério de Jovens e psicóloga da Missão Praia da Costa, entende que enquanto os jovens não compreenderem que a castidade não é um fim em si, eles não serão castos, porque não perecem na castidade por falta de conhecimento, mas por falta de Deus. “O fim é Deus, é o relacionamento com Ele. Não importam as técnicas usadas para falar sobre sexo e castidade – diálogo este que necessita ser claro e aberto. Mas o mais importante é entender que ser casto aponta para Deus. Eu decido pela castidade porque entendo quem Deus é e o que Ele tem para mim. Meu relacionamento com Deus me encoraja e fortalece para a castidade. Assim como me fortalece para outras ‘regras’”, aponta.

A matéria acima é uma republicação da Revista Comunhão. Fatos, comentários e opiniões contidos no texto se referem à época em que a matéria foi escrita.

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