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sexta-feira, 21 junho 2024

Os perigos da erotização precoce

Atropelar as fases de desenvolvimento da criança está cada vez mais comum. Os pais precisam estar mais atentos quanto aos perigos das influências que os filhos estão recebendo

Por Sânnie Rocha

A infância é a fase de formação do ser humano. Contudo, no momento atual, maquiagens excessivas, roupas sensuais, namoros precoces, acesso a conteúdos de mídia secular repletos de apelos à sensualidade tem sido cada vez mais responsáveis pela erotização precoce das crianças.

Os estímulos indevidos estão por toda parte. Não é difícil notar que as crianças atualmente não estão mais usando as roupas infantis, mas são pequenos adultos, o que para especialistas isso é a “adultalização” e, na maior parte das vezes, os pais não percebem que estão fazendo.

É que explica o pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Resplendor, Minas Gerais, reverendo Ângelo Vieira da Silva. Mestre em Ciências das Religiões e bacharel em Teologia, ele tem estudado o assunto profundamente.

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“A ‘adultização’ é atividade que pode alterar a infância. Notem que as roupas de meninos e meninas, por exemplo, não correspondem mais à infância, mas a miniaturas de roupas dos adultos. Para que tal processo seja desacelerado, primeiramente, os pais necessitam de intervenção. São eles os agentes responsáveis pelo comportamento dos filhos. Devem reconhecer o problema. Necessitam acreditar em muitos exageros que são sobrepostos aos seus filhos. E, evidentemente, devem decidir mudar suas posturas de educação e disciplina quando essas conflitam com uma infância normal e sadia para seus filhos”, destaca.

É também o que alerta o procurador da República e membro da Associação Nacional de Juristas Evangélicos (Anajure), Guilherme Schelb. Como já foi promotor de Justiça da Infância em Brasília e hoje trabalha no projeto Proteger, tem mais de 20 anos de conhecimento nessa área e lembra que criança não é adulto pequeno.

A Constituição (art. 227) e o Código Civil (art. 1.634) garantem aos pais o direito de dirigir a formação moral dos filhos. Quem desrespeitar este direito da família pode ser processado, inclusive por danos morais, na justiça de pequenas causas.

“É preciso que os pais tenham consciência. Se os filhos pequenos assistem diariamente programas de televisão abusivos, inclusive propagandas, com conteúdo erótico ou impróprio, há um estímulo indevido. Conheço cristãos que permitem que seus filhos menores assistam livremente a programação noturna, onde cenas de sexo ou violência são frequentes”, ressalta.

Cuidado na escola

O jurista Guilherme Schelb também diz respeito aos ensinos que são dados nas escolas, salientando que os pais devem exigir que a formação moral dada em casa seja respeitada. “Nas escolas, é preciso orientar professores e direção quanto aos direitos da família na formação moral dos filhos. A Constituição (art. 227) e o Código Civil (art. 1.634) garantem aos pais o direito de dirigir a formação moral dos filhos. Quem desrespeitar este direito da família pode ser processado, inclusive por danos morais, na justiça de pequenas causas. É preciso informar professores e famílias sobre seus direitos e deveres na formação moral das crianças”, explicou Guilherme Schelb.

Os perigos da erotização precoceEle conta que a erotização precoce da infância não é um fenômeno espontâneo, que ele descreve em seu livro ‘Eros e Civilização’: “nos anos 50 esse movimento ganhou força, quando o socialista Herbert Marcuse propôs a liberação sexual como meio para, em suas palavras, ‘destruir a família monogâmica tradicional’”, falou.

Ainda segundo Guilherme Schelb , a erotização e a pornografia infanto-juvenil são utilizadas como instrumento de reengenharia psicológica e social na infância, para ‘quebrar tabus’. “Esta estratégia está em plena implantação no Brasil através da inserção de material didático sobre sexualidade. Um projeto de lei que tramita no Congresso Nacional propõe autorizar crianças a ‘mudar de sexo’, até mesmo contra a vontade dos pais”, acrescenta.

A questão da erotização no meio cristão é motivo de alerta para os especialistas que trabalham com essa faixa etária nas igrejas. Para eles, é perceptível que a precocidade sexual tem chegado, principalmente, às crianças que estão entrando na adolescência.

Orientação na Palavra

A maior estratégia que os pais precisam aplicar com os filhos é a comunicação saudável. É necessário apresentar para eles, aquilo que, mediante a Palavra de Deus não é correto, e como é possível viver em Santidade quando estamos em Cristo.

A igreja é um ótimo canal de ajuda em relação a isso. Ministérios de Juventude, com líderes capacitados e pastores que andam lado a lado com o adolescente cristão faz com que ele se sinta mais encorajado a viver uma vida em santidade, pois lhe é demonstrado, dia após dia, e em conversas discipuladoras e testemunhos os benefícios de viver uma vida cristã, a partir da Palavra de Deus como explica a psicóloga da Missão Praia da Costa, Renata de Ávila Caiaffa Bastos.

“O pai e mãe não receberam de Deus autoridade de ditadores e não podemos criar nossos filhos como objetos, mas andando juntos, com orientação” – José Carlos Piacente, Capelão da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

“Além dos ministérios, a igreja pode investir em congressos, cursos e palestras tanto para os pais quanto para os adolescentes acerca deste tema. Vale ressaltar que a presença e apoio dos pais para com o filho em todas as atividades em que ele realiza é um motivacional extra e muito valoroso para ele. Desta forma, ele se sente escutado, acolhido e acompanhado”, fala.

A psicóloga da Igreja Adventista do Sétimo Dia, Ellen Camargo, acredita que a figura dos pais ou cuidadores, a maneira como esses vão apresentar o mundo a seus filhos, vai dar forma ao comportamento das crianças e contribuir ou não para um desenvolvimento saudável.

Os perigos da erotização precoce“Uma forma não sadia é a exposição na infância a conteúdos inapropriados para sua faixa etária que pode criar o que é chamado de erotização infantil. O contato com um ambiente vulnerabilizador faz com que essa criança desperte muito cedo para a sexualidade. Como cristãos, ainda devemos ressaltar trechos da Palavra de Deus. Em Provérbios 22:6 Deus fala ‘Eduque a criança no caminho em que deve andar, e até o fim da vida não se desviará dele’. Para um pai ensinar ‘no caminho’ ele deve estar junto, observando, ensinando, percebendo. Ele ensina ‘no’ e não apenas ‘o’ caminho. Assim estará atento às mudanças de comportamento, às inquietações e dialogar a cada momento”, salienta.

Também lembrando da Palavra, o capelão da Universidade Presbiteriana Mackenzie, reverendo José Carlos Piacente, destaca Deuteronômio 6 como o trecho bíblico com grandes lições para os pais que querem orientar bem seus filhos e fazer com que eles não entrem na sexualidade precocemente. “Os pais precisam acompanhar o que os filhos estão vendo, ouvindo e vendo, o que estão aprendendo nas escolas, com quem conversam. Tragam os amigos dos filhos para suas casas, isso vai fazer com que você esteja em sintonia com eles. O pai e o mãe não receberam de Deus autoridade de ditadores e não podemos criar nossos filhos como objetos, mas andando juntos, com orientação. Um pai tem que ensinar seu filho a ver nele um exemplo, se quer um filho saudável tem que ajudar a ele a temer a Deus”, orienta o reverendo.

“Conheço cristãos que permitem que seus filhos menores assistam livremente a programação noturna, em que cenas de sexo ou violência são frequentes” – Guilherme Schelb, membro da Associação Nacional de Juristas Evangélicos (Anajure)

Não é difícil encontrar pais que contem os casos em que os filhos os deixam numa saia-justa fazendo perguntas quando se deparam com situações de erotização na televisão, internet ou escola. Assim aconteceu com Polyanna Spínola Dias, membro do Ministério Apascentar de Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro, que se assustou com as primeira perguntas do filho de cinco anos sobre o assunto, mas hoje conseguiu encontrar um método para orientá-lo que ele mesmo já sabe o que pode e o que não pode ver na televisão. Para ela, deixar crianças assistindo TV sozinhas, mesmo que programas infantis, está difícil.

“Assim que lançaram uma propaganda de camisinha com a cantora secular Anitta, eu estava com meu esposo e meu filho na sala vendo jornal. De repente entrou o vídeo e apareceram as pessoas sendo chamadas ao sexo – qualquer adulto entende isso. Só que eu estava conversando com meu esposo e não percebi a propaganda, ao passar a Anitta se jogando na cama, meu filho virou para nós e disse: ‘Mãe, aquela mulher tem um peitão’. Eu olhei para o meu esposo espantada e disse: ‘O que?’.  Chamei meu filho e conversei explicando que a moça foi contratada para fazer propaganda de um produto (não expliquei o que era) e que as meninas que amam a Jesus não se vestem assim. Já que o que chamou a atenção dele foi o seio, me contive em falar sobre roupas. Ele me perguntou sobre beijo na boca e eu disse que só o papai beijava na boca da mamãe. Que quando ele crescesse também ia casar.  Eu também disse que a mamãe só namora o papai. E ele se deu por satisfeito ali naquele momento. Mas eu suei frio com as perguntas”, conta.

“Minha filha diz que não quer namorar agora, mas tenho a preocupação de conversar e se ela vai me contar quando acontecer”, Glauciene Garcia Almeida, membro da Assembleia de Deus Colina da Serra II.

A partir daí, se a vigilância era grande, ela continuou a vigiar ainda mais. “Aqui em casa quando meu filho vai ver desenho eu monitoro o que ele vê, quais pode assistir. Na casa da minha mãe e da minha sogra elas já sabem, eu tenho uma lista de desenhos proibidos. Outra coisa que sempre faço com ele é orar e ungir a mente dele. Eu e meu esposo pedimos que Deus o esconda. Muitos são os ataques. Satanás não está brincando. Ele quer corromper nossos filhos. E nós temos que agir de forma sábia, com as armas espirituais que temos, elas são poderosas e eficazes”, ressalta.

 Glauciene Garcia Almeida é membro da Assembleia de Deus e tem uma filha de 11 anos que já faz perguntas relacionadas a namoro, principalmente porque já tem visto colegas que namoram. “Ela me diz que não quer namorar agora, mas tenho a preocupação de conversar e se ela vai me contar quando acontecer. Quero que ela tenha confiança para me falar sobre o que tem dúvida, quero ser a melhor amiga dela, mas sei que não é fácil, porque o mundo está aí para tentar tira-la do caminho, mas confio muito nela”, destaca.

Dessa forma, o mais importante é sempre lembrar que os pais devem estar atentos a tudo que os filhos fazem, de maneira amigável, assim como o reverendo José Carlos Piacente orienta: juntos e com ao orientação para que tudo acontece a seu tempo.

A responsabilidade que os pais têm com os filhos

Como fazer para cuidar? (Dt 6:6-9)

“Guardem sempre no coração as leis que eu lhes estou dando hoje e não deixem de ensiná-las aos seus filhos. Repitam essas leis em casa e fora de casa, quando se deitarem e quando se levantarem. Amarrem essas leis nos braços e na testa, para não as esquecerem; e as escrevam nos batentes das portas das suas casas e nos seus portões.”

Como perceber se a criança está precoce? (Pv 22:6)

“Eduque a criança no caminho em que deve andar, e até o fim da vida não se desviará dele.” Para um pai ensinar “no caminho” ele deve estar junto, observando, ensinando, percebendo. Ele ensina “no” e não apenas “o” caminho. Assim estará atento às mudanças de comportamento, às inquietações e dialogar a cada momento.

Como adequar as conversas às fase deles? (Ec 3:1-8)

Conhecer sobre o desenvolvimento humano e suas fases, entender e ensinar aos nossos filhos o que Eclesiastes 3:1-8  nos diz: “Tudo neste mundo tem o seu tempo; cada coisa tem a sua ocasião”.

Como ensinar? (Dt 6)

Pai e mãe não receberam de Deus autoridade de ditadores e não podem criar os filhos como objetos. Eles andam juntos, com orientação, conforme a Palavra. “Amarás, pois, o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças. E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração; E as ensinarás a teus filhos e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te e levantando-te. Também as atarás por sinal na tua mão, e te serão por frontais entre os teus olhos”.

Esta matéria foi publicada originalmente na Edição 214 da Revista Comunhão, de Junho de 2015. As pessoas ouvidas e/ou citadas podem não estar mais nas situações, cargos e instituições que ocupavam na época, assim como suas opiniões e os fatos narrados referem-se às circunstâncias e ao contexto de então.

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