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sexta-feira, 28 janeiro 2022

Os Ensinos das Jornadas

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A obediência não garante caminhos sempre planos e amigáveis, mas sabemos quem nos guia e nos enche a alma de paz quando, mesmo a um preço elevado, optamos por ela

Por Dinart Barradas

Há períodos na nossa vida que, naturalmente, são mais difíceis e desafiadores que outros. Somos quase levados à exaustão, ao desânimo, à desistência. Todos sabemos disso. Difícil afirmar se esse foi o ano mais difícil ou desafiador que tenhamos atravessado, uma coisa é certa, ele não poderá ser contado entre os trechos mais suaves da estrada da vida.

Quero, ao recordar a jornada de José e Maria até Belém, extrair conforto divino, encorajamento e até, quem sabe, ensinamentos que nos ajudem a enxergar algo que tenha passado despercebido, enquanto nossos sentidos focavam no que ocupava a mente, castigava a pele, ardia nos olhos, doía nos pés e maltratava o coração.

  • Não foi por opção que o casal empreendeu aquela jornada, mas por obediência ao decreto do Imperador. A obediência não garante caminhos sempre planos e amigáveis, mas sabemos quem nos guia e nos enche a alma de paz quando, mesmo a um preço elevado, optamos por ela. Iniciamos nossa jornada em 2021 sabendo dos desafios à espreita; aqui chegamos porque não faltou quem nos guiasse e guardasse em sua paz que excede todo entendimento. Sim, o Senhor é quem baixa o decreto e Ele mesmo no sustenta enquanto, em obediência, cumprimos nossa jornada.
  • A distância era de pouco mais de 150 km. Estando Maria nos últimos dias da gravidez, pararam mais ao longo do dia, fora as noites para dormir, até concluir um trajeto que além de torturante, nessas condições, parecia interminável. Nesse plano de viagem, abaixo de Deus, eles só tinham um ao outro, e isso dava ainda mais significado à vida deles.

O que se deve fazer àquele amigo que nos foi por companhia no calor intenso e também nas horas de escuridão? Que conosco dividiu seu pão e abrigo? Que, por amor de nós, desacelerou os próprios passos, não nos deixando para trás? Que, pela bondade e generosidade, nos revelou um Deus fiel que nos assiste em nossas fraquezas e tribulações?

  • José e Maria só queriam chegar, cumprir a missão e voltar para casa a tempo do bebê nascer. Mal sabiam que os dias e noites passados nas estradas e colinas pedregosas e empoeiradas seriam concluídos de maneira tão diferente, não por conta da recepção em Belém, mas por conta do que o céu havia preparado para eles: Anjos cantaram, pastores os visitaram, sábios do Oriente trouxeram presentes cheios de significado para o menino que, segundo as Escrituras, deveria nascer ali mesmo em Belém, não em Nazaré. O êxtase dos dias que se seguiram os confortou de todas as agruras dos dias que haviam passado.

Devemos cumprir a carreira que nos está proposta, sabendo que surpresas, alegrias e recompensas cheias de significado esperam pelos que estão a caminho da cidade do grande Rei.

  • Um último lembrete, nem sempre o refrigério de Belém, a casa do pão, é sinal de que a jornada terminou. Algumas vezes é apenas para nos renovar e empreendermos uma nova jornada. José e Maria não voltaram para Nazaré, por um novo decreto, desta vez divino, foram refugiar-se no Egito. Estejamos prontos para o que o Senhor demandar de nós. Não sabemos como será, sabemos, porém, que Ele estará conosco e, ao final, seremos sempre surpreendidos por aquilo que o céu tem preparado para nós.

Que venha 2022!

Dinart Barradas é Pastor, Diretor do currículo de Paternidade Bíblica da Universidade da Família. Casado com Norma Barradas há 40 anos. Colabora para a Revista Comunhão desde sua primeira edição.

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