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domingo, 24 outubro 2021

Os 10 problemas mais comuns no casamento

Especialistas em família comentam os problemas e apontam saídas para crises

Por Marlon Max

O casamento vive de ciclos. É preciso praticar o amor incondicional, perdão radical e devoção sincera ao matrimônio para ir longe. O pastor Hernandes Dias Lopes alerta para a necessidade de os casais cristãos não recuarem diante dos problemas, mas leva-los a Deus. “Onde há disposição para perdão, há cura, há recomeço e restauração”, aponta o pastor e também faz um convite para a comunidade cristã: “é hora de parar de olhar para a cultura ocidental e voltar a olhar para a Bíblia – pois é ela que rege a igreja de Deus”, destaca.

É um engano comum para os recém-casados acharem que eles são os únicos com problemas no relacionamento. Crises no casamento é sem dúvida uma das experiências mais comuns para casais, seja com cinco, dez ou trinta anos de casados. Depois do “sim, pode beijar a noiva”, nem sempre a história continua com o “e viveram felizes para sempre’’.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nos últimos anos os brasileiros se casam menos e se divorciaram mais. Isso acontece por diversos motivos, especialistas dizem que a maioria são causas remediáveis e com aconselhamento e vontade, podem ser evitados.

De acordo com pesquisas, as Estatísticas do Registro Civil, registrou 1.053.467 casamentos civis, sendo que 1 a cada 3 casamentos termina em divórcio no Brasil, os números superam os 7,5% registrados em 2014 e saltam para 20,9% em 2017 e 2018 — que são os dados mais atuais do senso.

Os problemas que envolvem a vida do casal são muitos, vão desde costumes divergentes até traições ou inaptidão sexual. Cada casal carrega uma história, que vai sendo construída a cada escolha que é feita. Segundo especialistas, mesmo o menor dos problemas, se não for dada a devida atenção, pode abalar o matrimônio. A estratégia para um casamento duradouro passa pela vontade de querer melhorar. O querer pode muito, e por isso, não querer mudar pode até significar o fim.

Por isso, Comunhão conversou com diversos especialistas em relacionamentos e terapia familiar para compreender as particularidades de cada casal e apontar saídas para solucionar os dez problemas mais comuns no casamento.

1) Problemas Financeiros

Se na vida de solteiro o dinheiro é propriedade exclusiva, no casamento, não só o dinheiro é compartilhado, mas também as contas. Segundo André Shin, do Family Foundations International (FFI), problemas financeiros ocupa o topo da lista de problemas que levam ao divórcio.

O casal que pretente honrar os votos e ser uma só carne, precisa se adaptar a nova dinamica orçamentária. Shin alerta para a necessidade mudar a forma que pensa.
“A estatística que temos aqui na Universidade Da Familia, em São Paulo, é que entre 55 à 60% das crises conjugais vem de problemas financeiros, onde a perspectiva bíblica acerca das finanças é revelada e as desavenças são diluídas pela submissão de cada um aos princípios da Palavra”, explica o conselheiro do FFI.

De acordo com Andre Shin, mudar e adaptar é o caminho mais seguro para eliminar problemas relacionados ao dinheiro. “A questão do vira sobre ‘dinheiro é meu e não seu’, o que vai contra o que a Bíblia diz acerca do dinheiro, pois sabemos que tudo vem de Deus e tudo é D’Ele, é preciso compartilhar tudo”, frisa.

2) Falha na comunicação

Dizem de forma correta que “comunicação não é o que você fala, mas o que o outro compreende do que foi dito”. Comunicar bem, além de ser um habilidade é uma demostração de zelo pela outra pessoa e pela mensagem que pretende comunicar. De acordo com o pastor Claudio Duarte, a forma que se comunica deve ser bem observada.

“É preciso entender como a outra pessoa vai receber a mensagem, saber qual nível intelectual ela tem e como vai processar a informação”, destaca e alerta para o momento certo de se falar ou se calar. “Alguma vezes não erramos a mensagem, mas falando no tempo errado”, complementa.

O pastor, especialista em família Gilson Bifano destaca que a comunicação é cada vez mais tecnológica mais não é relacional. De acordo com ele, o dialogo é algo que precisa ser ensinado.
“Há várias técnicas na comunicação de um casal, uma das estratégias é não criticar, mas apontar soluções. Evitar usar as palavras ‘nunca’, ‘você não consegue’. O correto é expressar o sentimento, sem acusar o conjugê”, explica.

3) Ciúmes

Muitas vezes disfarçado de cuidado, o ciúme cresce dentro do relacionamento como uma plantinha que à primeira vista é inofenva, mas com o tempo crescem os espinhos que ferem a aliança do casal. Os ciúmes no namoro parece uma homenagem, mas dentro do casamentos são um insulto.

De acordo com Andre Shin, uma pessoa ciumenta é necessariamente possessiva, o que desfigura a noção de compromisso: o outro é seu, mas não é um objeto que te pertence. “Ciúmes sempre estará ligado à questão de possessão: o cônjuge é meu por isso há o temor da perda.

Isso sempre será prejudicial”, explica Shin que alerta para um problema ainda mais grave que surge a partir de uma relação baseada em ciúmes. “O ciúme em termos de possessão, pode se transformar em obsessão e violência.”

Como o ciúme é um comportamento, não tem outra forma para mudar a não ser tratando os maus-hábitos. Com novos hábitos, o casal ganha novas pespectivas e segundo André Shin, do Family Foundations International (FFI), Deus precisa fazer parte dessa equação. “Deve-se sempre levar a Deus estas questões e tratá-las com a devida conscientização de que nosso cônjuge pertence a Deus, em primeiro lugar. Quando isto é internalizado podemos renunciar e abrir mão, entregando-o a quem lhe é de direito, e uma vez feito isso, descansamos em Deus”, destaca.

4) Falta de intimidade e Sexo

Se engana quem pensa que sexo é apenas uma ação carnal. Especialistas apontam que a relação sexual é uma construção de elementos que envolve: palavras, afeição e ambiente. Diversos casais perdem a conexão um com o outro. Um casal saudável precisa para conversar sobre sexo de forma madura e produtiva.

Bifano destaqua que “a comunicação permeia todas as áreas do casamento”. Ou seja, não conseguir conversar com o conjugê sobre sexo, significa que há uma distância entre os dois que ainda não foi eliminada.

“Se o casal não sabe se comunicar de forma madura sobre a vida sexual, essa área vai ser prejudicada”, explica o pastor Gilson Bifano, que destaca que a intimidade sexual está diretamente ligada com a educação sexual. “Isso é algo que precisa ser ensinado: ler livros sobre o assunto, assistir palestras ou buscar aconselhamento”.

Já de acordo com o Pastor Claudio Duarte, o assunto ainda é um tabu entre cristãos e isso dificulta a relação do casal. “Infelizmente se fala pouco sobre isso nas igrejas, mas é preciso que o casal consiga falar dos seus desejos, do que gosta e suas preferências. Por isso eu aconselho que tenha uma linha de comunicação entre os dois, para ir com o tempo buscar uma intimidade maior”, explica Duarte.

fonte: especialistas consultados

5) Conflitos familiares

Quem nunca ouviu a famosa frase; “você não casa com sua esposa, mas casa com a família dela!”
Essa máxima permeia o imaginário coletivo de muitos casais.

Diversos pais são apegados aos filhos e, mesmo após o casamento, não conseguem cortar o “cordão umbilical” e por isso estão sempre interferindo na vida do casal.
O valor da família é inquestinável, mas e dalí que muitas vezes vem o socorro, auxílio e até mesmo o exemplo. Porém, em alguns casos, as divergencias entre sogra e genro ou nora e sogro ou cunhados cria atrito entre o casal. De acordo com Gilson Bifano, pesquisas apontam que após finanças, brigas com a família de origem é a maior causa de divórcios.

“A Bíblia diz: deixará o homem o seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher, e eles se tornarão uma só carne. Então, após o casamento, a pessoa mais importante deixa de ser os pais e passa ser o côjuge”, diz.

Bifano explica que, mesmo mediante conflitos, é necesário se relacionar com a família de origem. Mas há uma forma certa de se fazer. Os pais precisam aprender que há uma nova família, e não apenas o filho ou filha, e o casal aprender que deve haver limites.

Para Cláudio Duarte os problemas familiares são consequencias daquilo que damos valor. “Viver com alguém que se importa com você é o segredo para solucionar esses problemas, mas em alguns casos a pessoas só vê o lado dela e acaba sendo egoísta. Mesmo assim, é preciso avaliar o quando o seu interesse vai afetar o outro e assim decidir se vale a pena ou não”, destaca o pastor.

6) Não reconhecer erros e pedir perdão

Ninguém é perfeito. A frase é tão óbvia que talvez nem precisasse ser dita, mas a realidade mostra que muitos casais não praticam o perdão. Martin Luther King, pastor e ativista americano nos dá uma boa definição sobre o perdão. De acordo com MLK, “o perdão é um catalisador que cria a ambiência necessária para uma nova partida, para um reinício”.
Além de não conseguir perdoar, muitos casais não sabem reconhecer erros. Muitas brigas surgem justamente nesse ambiente.

André Shin explica que a gênese desses erros muitas vezes estão ligados a julgamentos. “Muitas vezes o sentimento é julgado e criticado por um dos cônjuges. Não há certo ou errado quanto se trata de sentimentos. Existe também a questão da idolatria, que se esconde atrás da falta de perdão ao ofensor, que acaba determinando nossas reações”, alerta Shin e diz que “nestes casos devemos sempre lembrar que perdoar não é sentimento, mas uma decisão”, conclui.

7) Falta de tempo de qualidade

“Pois onde estiver o seu tesouro, aí também estará o seu coração”, diz o evangelho de Mateus 6:21. Ter tempo com quem você vive, demostra amor. Passar esse tempo de forma intencional une as pessoas. Entretanto, muitas família não encontram sequer uma hora por semana para investir no relacionamento.

A rotina demostra mais apreço pela profissão do que pelo matrimônio. Com o tempo, os pilares do casamento podem ser comprometidos.

“Gastar tempo em família é um investimento na verdade”, explica o pastor Gilson Bifano. Ele também aponta que muitas famílias não priorizam esses momentos por não entender o quanto isso é vital para a relação. “Se você passa tempo com quem você ama, esse amor vai crescer nos dois e os vínculos familiares serão fortalecidos”, acrescenta.

8) Não compartilhar tarefas do lar

São os pequenos detalhes do dia a dia que definem se o casal terá atritos ou se viverão em paz. Impregnado na cultura brasileira, muitas mulheres assumem uma jornada dupla na relação: trabalham para colabora com o sustento e ainda dão conta da manutenção do lar. Essa dinâmica, em muitos casos é tema de discursão entre os casais.

Para o ministro de casais da IEBV, Arnaldo de Souza o correto é que todo trabalho seja dividido, muito embora ele reconheça que algumas atividades do lar não são feitas pelos maridos simplesmente porque não sabem. “O importante é participar de alguma forma, mesmo que não seja na proporção ideal no início, mas ajudar com o serviço do lar é uma demonstração de cuidado com a esposa. É uma questão de equilíbrio antes de tudo”, explica.

9) Estresse excessivo

Esse comportamento, se prolongado, afeta todas as áreas do casamento. “O casal precisa investir no relacionamento”, defende Arnaldo de Souza, ministro de casais da IEBV. Segundo ele, é preciso olhar para o casamento e esperar resultado e agir dessa forma. “Ninguém casa para se separar. Todos querem que o casamento dê certo, e somente priorizando o relacionamento que se resolve isso. Então o casal tem que definir: ou trabalha muito e compromete o matrimônio, ou escolhe investir em tempo de qualidade e viver de forma frutífera”, diz.

 

10) Mentiras

De todos os problemas abordados até então, a mentira é o erro com poder mais letal dentro do casamento. Além de ser flagrantemente um pecado, citado diversas vezes na Bíblia, a mentira se assemelha à traição, em alguns casos. Esse é o argumento utilizado por Arnaldo de Souza.

Mentir causa divisão e quebra de confiança. Na era das redes socias, muitos casais omitem conversas indevidas, ou amizades impróprias e sucumbem a uma vida dupla.

“O casamento depende da confiança, então se não há transparência não tem como ter confiança. A mentira pode levar ao divórcio, porque muitas vezes mentir é um indicativo de que algo não vai bem no casamento. A verdade é sempre o caminho mais curto. Mentir pode ser considerado uma traição no casamento, porque quebra a base, que é a confiança”, destaca.

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