De Pessach à Páscoa: origem, sentido e ressignificação

“A transformação da Pessach judaica em páscoa cristã é citada pelo apóstolo Paulo”

No próximo domingo o mundo cristão celebrará a ressurreição de Cristo denominada Páscoa. É, sem dúvidas a principal festa do calendário litúrgico entre as várias tradições cristãs pelo mundo.

A data não é fixa devido à utilização de calendários diferentes. Explico: originalmente era baseada no calendário lunar composto por 29 dias e, hoje utiliza-se o calendário solar, normalmente com 30 dias. Há, também, uma diferença entre a comemoração das igrejas no ocidente a no oriente, uma vez que os ortodoxos utilizavam o calendário Juliano, enquanto o ocidente utiliza-se do Gregoriano que diferenciam na contagem de anos bissextos e um dia a mais em agosto, o que faz que a páscoa seja celebrada entre março e abril no ocidente e abril e maio no oriente.

A celebração rememora eventos que começaram numa quinta-feira na qual Jesus Cristo lavou os pés de seus discípulos, participou de sua última ceia e rumou para o Monte das Oliveiras, onde foi preso, levado até o sinédrio para interrogatório, sendo torturado e crucificado por soldados romanos. Na madrugada de domingo, algumas mulheres foram perfumar seu corpo (o que não fizeram antes devido ao sábado judaico), e encontraram o túmulo vazio, sendo surpreendidas pelo Cristo ressurreto. A semana em que esses episódios se deram ficou conhecida como “Semana Santa”.

Pessach remete à “passagem” do anjo da morte que ceifou todo primogênito em cuja casa não houvesse a marca do sangue do cordeiro

Fato conhecido entre os cristãos, no entanto, as comemorações da páscoa remontavam há séculos, sendo uma das três grandes festas litúrgicas do judaísmo. O próprio nome Páscoa deriva do hebraico, Pessach, que significa passagem.

Essa passagem se refere aos relatos do livro de Êxodo 12 que narram a última e pior das pragas do Egito: a passagem do anjo da morte que ceifou todo primogênito em cuja casa não houvesse a marca do sangue do cordeiro. Na lei, Moisés estabeleceu como estatuto perpétuo que no décimo quarto dia do primeiro mês do calendário judaico se comemoraria a passagem do anjo da morte, o livramento dos primogênitos de Israel e sua sequente libertação da escravidão sob o jugo de Faraó. Anualmente os israelitas deveriam celebrar a páscoa, comendo pães sem fermento, ervas amargas e um cordeiro assado.

Há citações nos textos bíblicos que tratam especificamente das comemorações da páscoa após a entrada do povo em Canaã. Em Crônicas, há menções da grandiosidade que a festa ganhou reinado de Josias (2 Cr. 35:17). Isaías refere-se às solenidades, dentre as quais, a páscoa (Is. 1:14). Oséias profetiza que Israel voltará a ser como nos dias da primeira páscoa (Os. 12:9). No exílio babilônico Ezequiel tem a visão da celebração da páscoa em Jerusalém (Ez. 45:21). Esdras reinstitui a páscoa após o retorno do exílio (Ed. 6:21).

A transformação da Pessach judaica em páscoa cristã é citada pelo apóstolo Paulo em sua primeira carta aos coríntios (1 Co. 5:7). Como na festa judaica, a páscoa cristã aponta para o livramento dos injustos através da morte de um inocente. A novidade é que o inocente ressuscitou e oferta essa nova vida a todos quanto o receberem.

Rafael Simões é Coach Integral Sistêmico pela Febracis e estudioso em história e conflitos envolvendo Israel e o Oriente Médio. Bacharelando em Teologia pela Faculdade Unida de Vitória (ES) e graduado em Comércio Exterior pela Faesa (ES).


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