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sábado, 13 DE dezembro DE 2025

“Orei por comida e água”, diz nigeriano que chegou ao Brasil escondido em navio

Roman Ebimene, que orou pela intervenção de Deus, ficará no Brasil - Foto: Reprodução/Fantástico/TV Globo

No leme da embarcação, Roman Ebimene e mais três homens, entre eles um pastor, foram resgatados pela Polícia Federal no Espírito Santo 

Por Patricia Scott [Fantástico e G1]

Durante 14 dias, quatro nigerianos viajaram escondidos em um navio até a costa do Espírito Santo. A imagem deles sentados no leme da embarcação impressionou o Brasil, na última semana.

Os homens foram resgatados pela Polícia Federal (PF), na segunda-feira (10), depois de um deles pedir socorro. “Eles informaram que já estavam há pelo menos três dias sem água num local insalubre, úmido, frio à noite, quente durante o dia. Eles podem também eventualmente cair daquela estrutura no meio do oceano, o que seria fatal”, contou ao Fantástico o agente Rogério Lages, que fez o resgate dos homens.

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Quando a comida e a água acabaram durante a viagem, Roman Ebimene, de 35 anos, orou a Deus pedindo ajuda. “Eu estava orando e pedindo por comida e água por cinco dias. Vim atrás de uma vida melhor. Eu vou dar tudo de mim pra conseguir trabalhar”, ressaltou e continuou: “Quando eles me disseram que era o Brasil, eu fiquei tão feliz. Não sabia onde eu estava! Finalmente vi uma equipe de resgate”.

Ebimene descreveu como foi atravessar o Oceano Atlântico no leme do navio: “Você fica com medo, porque a água era tão forte, e o barulho do motor. A única coisa em que você pensa é pedir a Deus para te proteger. Você não pensa em mais nada. Onde nós estávamos, era muito perigoso e arriscado. Todo mundo estava com muito medo. Nós temos sorte de estarmos bem”.

"Orei por comida e água", diz nigeriano que chegou ao Brasil escondido em navio
Thankgod Matthew, que era pastor na Nigéria, também ficará no Brasil – Foto: Reprodução/TV Globo

O nigeriano compartilhou ainda que o pai morreu, a mãe é viúva e possui três irmãos. De acordo com Roman, ele e a família passavam fome no país. Ebimene revelou também que um tio foi morto pelo grupo extremista Boka Haram, enquanto viajava de trem no norte da Nigéria.

“Eles dependem de mim. Sou o filho mais velho e não tenho emprego no meu país. Eu orava a deus e pedia uma oportunidade de viajar. Vi o navio, e decidi entrar e tudo pra dar um futuro melhor para a minha família e para mim”, disse Romam, que é soldador.

Já Thankgod Matthew, de 38 anos, era pastor evangélico e agricultor na Nigéria. Ele possui dois filhos. Nas enchentes que atingiram o país em 2020, o nigeriano perdeu a casa.
Matthew disse que está lutando para oferecer condições melhores à família. “Eu não consigo pagar a escola deles. Eu não consigo alimentá-los. Eu tinha que sair da Nigéria”, declarou.

Dos quatro nigerianos, dois retornarão para a Nigéria em viagem paga pela seguradora do navio. Roman e Matthew pediram refúgio no Brasil. Eles serão acolhidos por uma instituição em São Paulo. Como refugiados, terão os mesmos direitos de um cidadão brasileiro.

Entenda o caso

No dia 27 de junho, os quatro imigrantes saíram da cidade de Lagos, na Nigéria, no transatlântico Ken Wave. Eles acreditavam que o navio estava indo rumo à Europa. Em 10 de julho, chegaram à Costa Brasileira, sem saber onde estavam.

Em contato direto com a água, os quatro nigerianos viajaram em um compartimento externo do navio. O espaço com cerca de três metros de altura por três de comprimento possui pequenas estruturas. Nelas, eles ficaram sentados. Não havia como se deitar.

“Eles estavam muito debilitados em razão da falta de água, da falta de alimentos, mas não apresentavam nenhum tipo de doença aparente e foram encaminhados para um hotel, receberam alimentação e foram hidratados”, ressaltou Eugenio Ricas, delegado e superintendente da Polícia Federal do Espírito Santo, ao Fantástico.

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