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segunda-feira, 17 maio 2021

ONU: Irã vai integrar Comissão dos Direitos das Mulheres

Decisão provocou muitas críticas. No Irã, as mulheres, sobretudo as cristãs, são mais vulneráveis e sofrem perseguição

Por Priscilla Cerqueira 

O Conselho Econômico e Social das Nações Unidas (ONU) escolheu o Irã como membro da Comissão das Nações Unidas sobre as Situação das Mulheres. O país fará parte da comissão nos próximos 4 anos. O país situado no Oriente Médio já foi acusado pela própria ONU de infringir direitos humanos das mulheres.

Um relatório do Secretário-Geral das Nações Unidos, destacou, em agosto de 2020, “a contínua discriminação com base no gênero na lei e na prática, incluindo no que diz respeito a questões familiares, liberdade de movimento, emprego, cultura e esportes, bem como acesso a funções políticas e judiciais”.

Críticas

A escolha da ONU gerou críticas. “Isso é surreal. Um regime que trata as mulheres como cidadãs de 2ª classe, as prende por não usarem o hijab obrigatório, as proíbe de cantar, as impede de entrar em estádios e não as deixa viajar para o exterior sem a permissão de seus maridos é eleito para o órgão máximo de direitos da mulher da ONU”, escreveu a jornalista e ativista iraniana Masih Alinejad no Twitter.

Hillel Neuer, ativista e diretor executivo da ONU Watch, também protestou. “Eleger a República Islâmica do Irã do aiatolá Khamenei para proteger os direitos das mulheres é como transformar um incendiário no chefe dos bombeiros da cidade”, avaliou.

Perseguição às mulheres

No Irã, as mulheres têm pouca proteção legal individual, tornando a situação particularmente precária para as mulheres cristãs detidas por sua fé. De acordo com algumas estimativas, a maioria dos membros da igreja doméstica no país são mulheres.

Eles correm o risco de ser presos e assediados sexualmente pelas autoridades durante o interrogatório e a prisão. Envergonhar as mulheres dessa forma é uma forma eficaz de manchar sua reputação e prejudicar seu status social.

O estupro é ilegal, mas uma vítima de abuso sexual deve fornecer quatro testemunhas oculares do sexo masculino e duas do sexo feminino para denunciar o crime. Na prática, isso dá imunidade àqueles que usam violência sexual para perseguir mulheres cristãs.

As cristãs que não usam as roupas obrigatórias em público – hijab (véu islâmico) e roupas largas que cobrem o corpo – podem ser condenadas a multa ou açoite. Elas também enfrentam discriminação no mercado de trabalho.

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