back to top
22.1 C
Vitória
segunda-feira, 15 DE julho DE 2024

Onda de doenças emocionais: o que as igrejas estão fazendo?

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Estudo mostra que as enchentes no RS afetaram com mais gravidade a saúde mental de pessoas de baixa renda, que estão ansiosas, depressivas e com burnout  

Por Patricia Scott

Nos últimos tempos, o cuidado com a saúde mental tem ganhado cada vez mais visibilidade, tendo em vista que cresce o número de casos de depressão e ansiedade, além de fobias. Pesquisa do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, que é ligado à Universidade Federal do Rio Grande do Sul, revela que as recentes enchentes afetaram com mais gravidade a saúde mental de pessoas de baixa renda no Estado.

O estudo mostra ainda que, no grupo de quem ganha até R$ 1,5 mil por mês, todos estão com ansiedade; e 70% com depressão e burnout, que é um distúrbio emocional com sintomas de exaustão extrema e estresse. Entre os que têm renda de mais de R$ 10 mil por mês, 86% estão ansiosos; um terço tem depressão; e quase a metade está com burnout.

Sendo assim, a igreja enfrenta mais um desafio: cuidar do psicológico e das emoções dos  gaúchos. “A melhor terapia neste momento com os atingidos, é ouvi-los, deixar que falem, não calar a voz de ninguém e depois abraçar e perguntar: como posso ajudar?”, pontua o pastor Rogério Nascimento, da Capela Missional, que está localizada na zona norte de Porto Alegre (RS), que continua: “Além disso, não deixar de pregar o Evangelho que é a mensagem que dá esperança em meio às circunstâncias mais adversas”.

- Continua após a publicidade -

Ele relata ter percebido que a maioria das pessoas tem demonstrado uma espécie de surpreendente resiliência e esperança de reconstrução. “Acredito que o impacto e a consciência de perda coletiva foi tão grande que poucos pensam somente em si. A maioria percebeu não está só, nas perdas e nem na reconstrução”, relata o pastor.

Rogério relata ter presenciado nos abrigos várias pessoas afastadas da igreja, da fé comunitária e da prática devocional. “Elas confessaram que estavam voltando à prática da fé e decidiram que voltarão à comunhão”, afirma. Segundo o líder religioso, isso se deve ao sentimento de gratidão pela vida, de que foi ação da providência divina que os livrou do pior. “Estas pessoas nunca mencionaram a palavra tragédia, mas sempre agradecimento por estarem bem e sendo acolhidas”.

Momento de acolher 

Em Canoas, um dos municípios mais atingidos pelas enchentes, o pastor Deivide Rocha, da Igreja Batista Filadélfia, relata que dos 1.800 membros, 1.100 ficaram desabrigados ou desalojados. Para atender a demanda tanto dos congregados quanto da população foi estabelecido um gabinete de crise, que abrange: limpeza das casas, cozinha para fornecimento de refeições, abrigos, acolhimento pastoral, gestão financeira, recebimento e distribuição de doações, além de comunicação. 

De acordo com o líder religioso, dentro do contexto atual, as pessoas estão estressadas, preocupadas e irritadas diante da imensidão dos estragos, sem contar o desencadeamento do desemprego. “Atendemos com foco no espiritual, como também no emocional e mental, seja nos abrigos ou durante o acolhimento pastoral”, relata o pastor. 

Deivide pontua ainda que 185 famílias da igreja abriram as portas de suas casas para abrigarem os afetados das enchentes. Em algumas, há 30 pessoas sendo acolhidas. “Então, precisamos atender também as demandas tanto dos anfitriões quanto dos acolhidos”, revela e acrescenta: “O processo de reconstrução integral das pessoas será longo”.

O pastor considera que o momento é uma oportunidade de evangelização muito boa, inclusive as pessoas que são ajudadas levam a Palavra de Deus para outros, porque conseguiram perceber o amor de Jesus. “Elas estão gratas, mesmo em meio à dor e às perdas. Isto porque tem desfrutado da intervenção do Senhor”, conclui Deivide. 

Cabe destacar que a Samaritan’s Purse, organização cristã de ajuda humanitária, está iniciando workshops de recuperação de traumas baseados nos ensinamentos das Sagradas Escrituras. O objetivo é equipar pastores, voluntários e líderes comunitários para cuidarem de si mesmos e de outras pessoas nos próximos meses, no Rio Grande do Sul.

“Por favor, ore por conforto para aqueles que sofrem no sul do Brasil. Ore para que muitas pessoas tomem posse da esperança eterna encontrada somente no Senhor Jesus Cristo”, diz o site da instituição presidida pelo evangelista Franklin Graham.

Entre para nosso grupo do WhatsApp

Receba nossas últimas notícias em primeira mão.

- Publicidade -

Matérias relacionadas

Publicidade

Comunhão Digital

Publicidade

Fique por dentro

RÁDIO COMUNHÃO

VIDA E FAMÍLIA

- Publicidade -