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sábado, 27 fevereiro 2021

Ocidentalismo ou a raiva islâmica contra o Ocidente?

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Hoje (29/10) um ataque a faca deixou três mortos em Nice, na França. Há extremistas por toda a parte. O que precisam, urgentemente, é iniciar o que o Cristianismo já fez há 503 anos, uma reforma no Islã

Por Magno Paganelli

O conceito de geografia imaginativa apareceu com Edward Said, em sua obra “Orientalismo”.[1] Para o autor, um cristão palestino hoje celebrado na academia, dividir o mundo em um campo oriental, diferenciando-o do ocidental já revela a ruptura e diferenciação, porque pensa o outro, não o próprio. O orientalismo é uma invenção do Ocidente, como acusa o autor, e envolve discurso acadêmico limitador que se serve dos textos e terras bíblicos, de comércio, de exército, ideias, entre outros elementos. Ele questionou qual o critério para determinar tal demarcação, uma vez que “até mesmo nas disciplinas mais tradicionais como a filologia, a história ou a teologia” a noção de campo pode variar, inviabilizando uma definição objetiva e sugeriu que seria impensável imaginar um campo “simétrico chamado de ocidentalismo”.

Dias atrás, Samuel Paty, um professor francês que dava aula sobre liberdade de expressão, exibiu charges do profeta Muhammad aos alunos, o que atraiu a raiva de um jovem extremista de 18 anos de idade, que o decapitou. Hoje (29/10) um ataque a faca deixou três mortos em Nice, na mesma França, que durante a Revolução em 1789 repudiou as antigas instituições da cena pública, o que inclui a Igreja cristã.

Durante o meu mestrado, quando pesquisei a violência religiosa no conflito Israel-Palestina, aprendi que em todo grupo social há extremistas. Não há exceção. De cristãos a judeus, de militantes políticos a torcedores uniformizados, de lideranças políticas em países pobres a países desenvolvidos, por toda parte há fanáticos aproveitando a menor motivação para externar o seu ódio. Leva-se a causa, a ideia, a fé ao extremo, ao limite, abandona-se o equilíbrio, ignora-se a moderação, esquece-se do elemento humano e concentra-se no detalhe, no passageiro, no material, no rigor do dogma e da doutrina. Não consideram a comunidade, o aspecto humano, a soma nem a partilha. É o egoísmo, a ambição, a detenção do poder, a exaltação da força que os movo. Esses os ingredientes do extremismo que são agravados por elementos externos: ocupação de territórios, exploração, empobrecimento, corrupção, manipulação das massas, entre outros.

Engana-se quem pensa que uma fé seja melhor do que outra quando considerado o aspecto social, a ética horizontal (em complemento ao metafísico, ao aspecto vertical da crença). Há extremistas por toda parte. Mas há uma que diferença precisa ser destacada, porque nela o islamismo radical encontra sua força motivadora e legitimadora dos ataques que têm sido feitos. Os monoteísmos, tanto cristão, judeu e o islâmico, falam em tempos áureos, em uma era dourada a ser resgatada. A era de ouro dos judeus são os tempos do rei Davi, mas Esdras, o restaurador pós-exílio tem sido apontado como o arquiteto do judaísmo em si. Na fé cristã os tempos áureos se deram em Jerusalém, com a comunidade pós-pentecostal que sofreria perseguição não muitos anos depois.

Diferentemente de ambos, para mitos muçulmanos, a maioria esmagadora, o princípio dos tempos, a chamada Ummah do Profeta ditava esse comportamento guerrilheiro, genocida contra os infiéis. Não existia isso que se diz hoje entre os iluminados da Academia de “o Profeta defendia direitos humanos”. Isso é um anacronismo ingênuo (ou proposital).

Se Said estava certo em vida, hoje deveria escrever o livro “Ocidentalismo: o Ocidente como invenção do Mundo Islâmico”. Certas lideranças islâmicas criaram e alimentam uma geografia imaginativa onde todos os ocidentais são inimigos querem a destruição do mundo árabe. O que precisam, urgentemente, é iniciar o que o Cristianismo já fez e que estamos celebrando 503 anos, uma Reforma real no Islã (como já existe tentativas no Norte da África e parte do Oriente Médio, como aponta Ayaan Hirsi Ali), reforma que deverá se estender pelas próximas gerações. Se isso não começar hoje, o Ocidente considerado preconceituoso por Edward Said ainda lamentará muitas mortes.

A nós resta prestar solidariedade aos familiares e amigos das vítimas e às lideranças islâmicas moderadas, entre as quais tenho amigos.

[1] SAID. Edward W. Orientalismo: o Oriente como invenção do Ocidente; trad. Tomás Rosa Bueno. São Paulo: Companhia das Letras, 1990.

Magno Paganelli é Doutor em História Social (USP) e Mestre em Ciências da Religião (Mackenzie). É escritor e um dos idealizadores do Movimento Paz para Todos. #pazparatodos. Inscreva-se no Youtube e acompanhe conteúdos bíblicos: www.youtube.com/c/magnopaganelli

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