31.9 C
Vitória
domingo, 24 outubro 2021

O valor inegociável do pai

A razão principal pela qual o pai deve ter um relacionamento adequado com seu filho, é porque um dia esse filho se tornará adulto e levará essa imagem refletida por toda sua vida

Por Marlon Max

O papel do pai tem passado por mudanças no decorrer dos tempos. Houve época em que ele era um mero ditador de regras e normas a serem obedecidas. Ao longo dos tempos, tem ocorrido uma mudança neste papel, de maneira que hoje já podemos delinear pais mais presentes. No entanto, o ideal ainda está longe de ser real. Essa é a percepção da psicóloga e terapeuta familiar Elizabete Bifano.

Quando falamos sobre o ideal no papel de pai não estamos falando sobre perfeição, pois perfeição não existe, quando se fala de ser humano. Mas, apesar de suas limitações, existe uma pressão muito grande sobre os pais nos dias atuais. Elizabete Bifano orienta que vale a pena citar Jurandir Costa, em seu livro “Ordem Médica e Norma Familiar”; onde ele fala:

“Amar e cuidar dos filhos tornou-se um trabalho sobre-humano, mais precisamente, ‘científico’. Na família burguesa os pais jamais estão seguros do que sentem ou fazem com suas crianças. Nunca sabem se estão agindo certo ou errado. Os especialistas estão sempre ao lado, revelando os excessos e deficiências do amor paterno e materno”.

Expandindo um pouco mais esta ideia, podemos dizer que ainda mais os pais encontram-se nesta dúvida e pressão, pois a sociedade tem melhor definido o papel da mãe, enquanto o do pai passa por ajustes, visto cobrar-se mais da parte dele a participação na criação dos filhos, o que não era tão cobrado em outros tempos.

Elizabete Bifano é psicóloga e bacharel em Educação Religiosa

“Pensamos que o papel do pai deva ser, sim, um papel mais definido, mais claro; onde o diálogo e a compreensão permeassem um relacionamento que não fosse só de disciplina e educação, mas de amizade e companheirismo, comunicação aberta e brincadeiras entre pai e filho”, esclarece Bifano.

Na perspectiva da especialista, a função principal, tanto quanto a da mãe, é de educar seu filhos, de ser participante ativo dessa educação.  “O que podemos observar é que, infelizmente, isto ainda está um pouco aquém do desejado, apesar de já observarmos um movimento em torno desta questão”, diz.

Elizabete Bifano também explica o que vem a ser essa educação parental. De forma simples ela explica que cabe ao pai construir esse elo de confiança dentro da família.

“Nem sempre a função do pai é introduzida de uma maneira simples. O relacionamento instituído entre mãe e filho, desde a gestação, vai se perpetuando e excluindo a participação paterna. Para inaugurar sua função o pai precisa introduzir-se e interferir na relação mãe-filho. O que deveria acontecer de modo natural, precisa ser feito forçadamente pelo pai”, alerta a psicóloga.

A razão principal pela qual o pai deve ter um relacionamento adequado com seu filho, é porque um dia esse filho se tornará adulto e levará essa imagem refletida por toda sua vida. E Essa imagem deve ser a de alguém real e não de uma pessoa idealizada.

“Irresponsavelmente, temos visto pais colocarem de lado esse papel tão belo, essa função tão importante, ignorando seu lugar e importância na vida de uma criança que um dia se tornará cidadã, inserida num contexto social que requererá dessa pessoa comportamentos e atitudes que era da responsabilidade de seu pai ter-lhe ensinado”, lamenta Elizabete Bifano.

Mais do que uma tarefa no dia, a paternidade é uma missão que pressupõe diversos compromissos e uma hora ou outra haverá de ter renúncias, mas em médio ou longo prazo todo esforço compensará, com a formação de filhos idôneos, empáticos e que amam seus pais e a Deus.

- Publicidade -

Matérias relacionadas

Comunhão Digital

- Publicidade -

Fique Por Dentro

- Publicidade -

Plugue-se