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terça-feira, 23 abril 2024

O topo da Torre de Babel

A religião das pompas, a cada dia que passa torna-se parecida com uma cafetã, dona de um bordel cheio de idiossincrasias 

Por Pr. José Ernesto Conti

Desde a revolução hippie dos anos 70-80, a humanidade tem experimentado um declínio em seus costumes e cultura, quando comparados com as mudanças ocorridas em décadas passadas ou mesmo em séculos passados. Mudanças culturais e de costumes sempre existiram, muito mais como resultado do inconformismo e da rebeldia humana do que por necessidade existencial.

Entretanto, as mudanças nesta área social nas últimas décadas, nem os maiores futurólogos poderiam imaginar que a velocidade chegaria a tal estágio evolutivo, como em nossos dias, tão pouco que atingisse tantas áreas da sociedade simultaneamente. Como diria meu velho mestre de cálculo exponencial, que a deterioração da nossa sociedade de hoje, é como se estivéssemos presenciando a inflexão de uma curva logarítmica próxima do seu ponto máximo. Qualquer incremento, nos deixará muito próximos do infinito!

É óbvio que todas essas mudanças causam, até ao mais desprevenido e incauto ser, uma certa angústia, ou um misto de incapacidade de avaliar todas as consequências sociais que virão pela frente. O problema é que, enebriados pelo canto da modernidade tecnológica e da ciência, nossa geração fez questão de destruir todas as pontes com o passado, logo, eliminamos qualquer possibilidade de retorno, e, a cada dia, estamos eliminando todas as possíveis referências que ainda poderiam nos dar uma direção segura para a sociedade caminhar.

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Que referências ainda temam em sobreviver no meio desta nova sociedade? Há 4 que ainda resistem: O cristianismo (com base na Bíblia), o direito (com base na justiça), a cultura (como base da sociedade) e a educação (com base no ensino).

O direito como foi criado pela Roma antiga, está em um estágio tão deplorável, que no pouco tempo de vida que ainda lhe resta na UTI da humanidade (só por causa da ajuda de aparelhos, altamente comprometedores), consegue fingir que está vivo, porém está irremediavelmente morto e só faltam sepultá-lo. Talvez até façam um sepultamento com pompas que servirá apenas para cauterizar as mentes deterioradas pela injustiça.

A religião, essa, cada dia que passa, torna-se parecida com aquela moça cobiçada dos tempos de juventude, e hoje, não passa de uma cafetã, dona de um bordel cheio de idiossincrasias que vão desde as lendas medievais até a fé mística regada a sal grosso e rosa ungida de nossos dias, pregando um “evangelho humanista” e fazendo questão de encher o culto com fogo estranho empoderando o homem em detrimento de um “tal deus jesus”.

Talvez a cultura foi a primeira a se prostituir e não precisou nem de Lei Rouanet. Na sua derrocada, ela acabou convencendo tanto o direito quanto a religião de que valores e princípios devem ser relativizados e atualizados aos novos tempos. Desceu irremediavelmente ao submundo das drogas, todas.

Sei que generalizar é perigoso, mas tirando a cultura, o direito e a religião ainda possuem alguns (mas são poucos) que ainda não se contaminaram pelo progressismo anacrônico científico, mas que estão à porta da “Caverna de Platão” debatendo-se contra a dialética e o racionalismo. Mas não quero falar de mortos agora! Resta a educação que ainda está moribunda.

Por um bom tempo, a educação foi um baluarte quase inexpugnável em nossa sociedade, porém contrariando Salomão, o ataque não iniciou com as crianças, mas com quem ensina as crianças. Durante décadas, nossas faculdades e universidades vêm enfrentando uma luta desigual. Incutiram por muitas décadas em nossos jovens mais idealistas, os que se dedicam ao ensino, que tudo que aprenderam era lixo, mas eles poderiam experimentar das delícias que a educação socialista poderia oferecer.

Por décadas, sem qualquer oposição, seja do sistema ou da sociedade, nossos jovens sorveram como um manjar dos deuses, todo pragmatismo utópico socialista, alimentado por mestres que já haviam destruído qualquer senso religioso ou de justiça, porém envolvidos em uma nova cultura, douravam a pílula comunista como se fosse a última esperança do universo.

Não é que está funcionando! Sem medo de errar, não há mais ensino em nossas escolas. Existe hoje um misto extremamente perigoso de conceitos aristotélicos de uma educação montessoriana, que decidiu “romper com a ideia de que as crianças são seres incapazes e dependentes dos adultos, oferecendo a cada criança um ambiente no qual ela possa desenvolver habilidades e hábitos para uma vida mais autônoma”. Estamos colhendo os frutos.

Não importa se consciente ou não, não existe efeito sem causa. A crescente violência que temos visto em nossas escolas são resultados de décadas de mudanças do foco: ENSINO, para o foco: SOCIAL. Com isso, saiu o professor e entra o orientador. Saiu o ensino e entraram as experiências. Saiu o quadro e entra o sistema digital. Saiu a escola e entra o espaço.

A mudança não é só radical, mas tornou-se essencial. O propósito agora não é educar, mas preparar nossas próximas gerações para o novo mundo, com uma religião humanista, uma justiça relativista e com uma cultura prostituída. Não terão muitas dificuldades. Finalmente a Torre de Babel está chegando no seu topo e já não haverá mais restrições para tudo que intentarem fazer (Gn 11:6).

Por mais preocupante que seja toda essa situação, as palavras de Deus para Elias, ainda ecoam em nosso meio que ainda restam alguns joelhos que não se dobraram a baal (1 Re 19:18), nem se dobrarão. Faz parte da história e da cultura da Igreja Cristã não renunciar a suas convicções e sua mensagem. Continuamos a cobrir as “ombreiras” de nossas portas com o sangue do Cordeiro, protegendo nossos filhos. Continuamos preferindo morrer, a trocar nossa primogenitura por pratos de lentilhas. Não haverá deterioração que destrua ou corrompa nossas mentes e corações ou impeça que nosso testemunho seja pregado e anunciado no meio das trevas.

Constatar a realidade, pode apenas nos ajudar a estarmos preparados para as aflições muito maiores que a cristandade já enfrentou. No seu último discurso (Mt 24-25), Jesus nos avisou que estaríamos sujeitos às dificuldades deste tempo do fim. Dá um medo vê-las chegando como um tsunami arrasador, vindo em nossa direção, isso dá! Mas, que venha o topo da torre. Não entregaremos nossas crianças sem luta, pelo contrário, esse será nosso estímulo para não abandonar essa luta, até a volta do nosso Mestre.

José Ernesto Conti é Pastor da Igreja Presbiteriana Água Viva no bairro Estrelinha.

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