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sábado, 23 janeiro 2021

O tabernáculo somos nós. Aprendendo no isolamento

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“O vosso corpo é o santuário do Espírito que habita em vós” (I Coríntios 6:19)

Em havendo em determinado lugar apenas um cristão, ele representa a igreja, porque Cristo habitou (tabernaculou) entre nós (João 1:14) e, por meio de Seu Espírito, habita (tabernacula) naqueles que O adoram em espírito e em verdade (I Coríntios 3:16; I Coríntios 6:19 e João 4:24), templos de pedras vivas (I Pedro 2:5), edificados por  Deus (Mateus 16:18).

Independentemente do lugar onde viver, em tese, cada cristão é a igreja, porque o Reino de Deus está nele. Contudo, isso não deveria ser álibi para os “desigrejados” que, uma vez optando por uma postura radical, ainda que por razões justificáveis, ferem a doutrina do sacerdócio cristão (I Pedro 2: 9 e 10), pois a igreja é constituída de pedras vivas que expressam a verdadeira zoe, palavra grega que define a Vida de Deus ativa por meio de Seus servos. Por isso, o apóstolo dizia que ele não vivia, mas Cristo vivia nele (Gálatas 2:20).

O culto bíblico coletivo na igreja local é importante. A exposição da Palavra é alimento saudável para todos. A celebração agrada o coração de Deus que, por sua vez, abençoa os adoradores. Os laços fraternos são fortalecidos, constituindo-se num elo facilitador do processo de crescimento espiritual, mas não é condição sine qua non para que o Reino de Deus esteja no coração.  Circunstancialmente, a igreja independe de espaço físico porque o Santuário de Deus somos nós (I Coríntios 3:16 e 17), pedras vivas (I Pedro 2:5), e não templos de pedras mortas, feitos por homens (Atos 7:48 e 17:24). O isolamento tem nos mostrado isso com uma clareza cristalina.

No diálogo com a mulher samaritana Jesus esclarece que a verdadeira adoração não está circunscrita a um ambiente físico:
“Mulher, crê-me, a hora vem, em que nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai. […]. Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem” (João 4: 21 e 23).

Afirmar que Deus está nos esperando numa determinada igreja local, quando para lá nos dirigimos, simbolicamente, poderia até se discutir seu significado para o ímpio; mas, para o cristão isso não é verdade absoluta. Se sou crente, o meu Deus não me deixa jamais.

A propósito, o tabernáculo não é mais uma tenda ambulante, nem uma construção fixa de pedras mortas. O tabernáculo é o coração do ser transformado pelo poder do Sangue de Jesus. Oh Glória! A pandemia está nos ensinando a tomar posse dessas maravilhas.

Em rigor, dizer que Deus está esperando alguém num lugar físico demérita a obra de Cristo, porque a Glória do Senhor está em Sua casa, “a qual casa somos nós” (Hebreus 3: 6).

Nossa fonte nutricional vem da Palavra de Deus. Nossa adoração a Ele, primeiramente, precisa acontecer no templo de pedras vivas, no nosso corpo, pois o vocábulo adoração não se limita a uma abstração. Envolve compromisso individual e ação.

Lembremo-nos de José do Egito que, mesmo nas mais hostis e sombrias circunstâncias de um isolamento prisional (Gênesis 39 a 41), não vacilou. Que o seu exemplo nos inspire nestes dias.

Viver diariamente em obediência, agradando a Deus, adorando-O, louvando-O e testemunhando de Seu amor e misericórdia para conosco é uma forma de cultuá-Lo (Hebreus 13:15 a 18). Assim, o tabernáculo seremos nós.

Clovis Rosa Nery é Psicólogo e administrador de empresas Autor de vários livros

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