
Submissão em Cristo não é opressão, mas um chamado ao amor sacrificial, à honra e ao propósito no casamento cristão
Por Sergio Junger
O que a Bíblia realmente diz sobre Submissão?
Muitas pessoas se arrepiam ao ouvir a palavra “submissão”. No senso comum contemporâneo, ela virou sinônimo de opressão, escravidão ou anulação da identidade feminina. No entanto, como estudioso das Escrituras e do comportamento humano, convido você a despir-se de preconceitos culturais e olhar para o “projeto original”. O que Deus propôs em Efésios 5:21-25 não é um sistema de ditadura ou hierarquia de valores, mas uma coreografia de amor, respeito e funcionalidade.
Debaixo de uma Mesma Missão
A etimologia da palavra submissão nos revela uma verdade poderosa: colocar-se “sob a mesma missão” (sub-missão). Antes de o apóstolo Paulo direcionar instruções específicas à mulher, ele estabelece o alicerce no versículo 21: “Sujeitai-vos uns aos outros no temor de Cristo”.
Isso significa que a submissão cristã é, essencialmente, mútua e voluntária. Um casal que vive o plano bíblico assemelha-se a dois remadores em um barco: se um tentar dominar o outro ou remar em direção oposta, o barco girará em círculos, desperdiçando energia. A mulher não se submete aos caprichos, inseguranças ou autoritarismos de um homem, mas ambos, marido e mulher, submetem suas vontades individuais ao Senhorio de Cristo. É uma rendição conjunta a um propósito maior que o próprio “eu”.
O Mistério do “Ezer”: A Força que Socorre
Para compreender o papel da mulher, precisamos voltar ao Éden. No Gênesis, Deus declara que faria para o homem uma “ajudadora idônea”. No hebraico original, o termo utilizado é Ezer. É vital e transformador entender que este mesmo termo é usado 16 vezes no Antigo Testamento para se referir ao próprio Deus como o “Ezer” de Israel — nosso ajudador e socorro bem presente.
Portanto, definir a mulher como “ajudadora” jamais a coloca em uma posição de inferioridade ou servidão. Pelo contrário, revela uma carência estrutural no homem. O homem sozinho é “insuficiente” para cumprir o mandato cultural e espiritual de Deus. A mulher traz consigo uma percepção aguçada, uma sensibilidade espiritual e uma inteligência que equilibra a força bruta do homem. Ela é o suporte vital, aquela que enxerga as nuances que ele não vê e protege as áreas que ele não percebe. Assim como a humanidade depende desesperadamente do auxílio (Ezer) de Deus, o marido precisa do auxílio sábio e da parceria estratégica de sua esposa para que a família prospere.
O Marido: Uma Liderança que dá a Vida
A Bíblia nunca conferiu ao homem o direito de ser um tirano ou um chefe autocrático. A ordem dada ao marido é de uma exigência quase impossível humanamente: “Amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela”.
A autoridade conferida ao marido no texto bíblico não é uma ferramenta para dar ordens, mas um chamado para o sacrifício. É uma liderança de serviço e proteção. Se um marido não está disposto a sacrificar seus próprios desejos, seu tempo e seu conforto pelo bem-estar emocional, espiritual e físico de sua esposa, ele perde a autoridade moral e o direito espiritual de solicitar qualquer forma de respeito ou cooperação. Cristo não dominou a Igreja pelo medo; Ele a conquistou pelo sangue e pela entrega. O marido é chamado a fazer o mesmo.
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A submissão bíblica, quando bem compreendida, não é sobre quem detém o poder ou quem manda mais; trata-se de quem serve melhor. É uma dinâmica de honra. A mulher, revestida de sabedoria, escolhe honrar a liderança do marido porque confia que ele está sob a direção de Deus e que ele daria a vida por ela. O marido, por sua vez, honra a esposa como co-herdeira da graça, ouvindo seus conselhos com humildade e protegendo seu coração acima de seus interesses pessoais.
Quando o casal compreende que o auxílio que prestam um ao outro é um reflexo do auxílio que Deus presta a todos nós, o casamento deixa de ser um campo de batalha ou uma disputa de egos. Ele se torna um refúgio de paz e um espelho do Reino. A mulher não é propriedade de um homem; ela é sua parceira indispensável em um propósito eterno, marchando lado a lado sob a bandeira do amor de Cristo.
Sergio Junger é Psicanalista Clínico, Pós graduado em Psicologia Social, escritor, pastor, estudioso sobre o comportamento humano e os casais/família, especialista em Inteligência emocional e Mediação de conflitos

