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sexta-feira, 28 janeiro 2022

O que você está fazendo com você?

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Nossas vidas são determinadas por nós mesmos, por meio de nossas escolhas

Por Clovis Rosa Nery

Somos condenados a ser livres”, dizia Sartre. O pensador fundamentava-se no fato de que o livre-arbítrio impõe-nos responsabilidade que gera angústia ante as encruzilhadas da vida. A inquietação vem do fato de que somos livres para escolher, mas não podemos influenciar as consequências. Além disso, optando por uma alternativa, rejeitamos outras. Isso envolve perdas a serem superadas.

Não há como esquivarmo-nos. Seja qual for a dificuldade, a atitude que adotarmos fará a diferença. A superação, quase sempre, dependerá de nossas decisões. Basicamente, são as escolhas diárias que mensurarão o grau de sucesso ou de fracasso de uma pessoa. Na luta da vida ela pode até errar e cair, porém o mais importante é levantar e continuar. Mergulhar em lamentações não resolverá, mas há quem opta por tal direção.

 Alguns preferem adotar a inerte postura do “escolher não escolher”, o que é uma opção perigosa. Não são derrotados, mas também não são vitoriosos. Estagnados, apenas sobrevivem. Ao “travar-se”, paralisa-se o processo de crescimento e, mergulhando numa espécie de anedonia, sonegam a si mesmos o direito de buscar a plenitude da existência.

Dependendo do nível de nossa percepção, a realidade que nos envolve pode mudar. Certa vez, ouvi esta história:

“Um representante de uma grande multinacional de calçados foi enviado a um país da África. Logo ao chegar, vendo as pessoas descalças, tratou de solicitar retorno à sua pátria, sob a alegação de que lá ninguém usava sapatos. O seu pedido foi aprovado. Para o seu lugar mandaram outro funcionário que não demorou a solicitar uma remessa de mercadoria em dobro, afirmando que naquele lugar todos precisavam de sapatos”.

Conquanto os dois não tenham hesitado em tomar decisões, elas foram distintas, porque a motivação deu-se por percepções diferentes. Qual profissional alcançou sucesso: o primeiro que desistiu; ou o segundo? O primeiro que viu dificuldade; ou o segundo que viu oportunidade?  De quem foi a responsabilidade pelo êxito de um, e pelo fracasso do outro? Não foram eles mesmos?

Se procurarmos o “motivo” de escolhas diferentes em situações idênticas encontraremos indícios na história genética e social dos protagonistas. Todos nós temos uma “reserva” comportamental distinta. O nível de sensibilidade de cada um influencia o “como” ele percebe e responde, rejeitando ou assimilando, os estímulos recebidos.  Contudo, ninguém está pronto. Somos “seres em construção”. Havendo vida há a possibilidade de aperfeiçoamento. Não temos razão para dizer que “somos assim mesmo”, e continuarmos vacilando conscientemente. Hoje eu tenho a chance de ser um pouco melhor do que ontem.

Para chegar ao topo de uma montanha é muito importante extrair lições de cada obstáculo superado, e avançar sempre alerta para evitar erros. Persistência e cautela são posturas indispensáveis. O risco é compensado com a satisfação da conquista do alvo.

Nossas vidas são determinadas por nós mesmos, por meio de nossas escolhas. É verdade que o ato de escolher é cerceado por limitações do ambiente, acarreta perdas e gera algum nível de estresse, mas é o preço exigido para crescermos emocionalmente.

Nestes tempos sombrios, aplicar tudo quanto foi dito aqui exige determinação e sabedoria. Buscando com fé, Deus a todos dá (Tiago 1:5). Somos o que escolhemos. “O que você está fazendo com você?”. Pense nisso!

Clovis Rosa Nery é psicólogo e Administrador de Empresas com formação em Gestalt-terapia, RH e Auditoria. Autor de vários livros.

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