O que um “like” é capaz de fazer!

Alinne Araújo, de 24 anos, decidiu se casar sozinha após ter sido abandonada no altar pelo noivo, depois cometeu suicídio. Foto: Reprodução/Instagram

Ainda é impossível saber quais serão as consequências da internet na vida das pessoas?

Estamos na fase de todo dia alguma coisa muda, acelera, aumenta… Nossa geração está atravessando uma zona cinzenta, onde, de um lado, temos pessoa altamente antenadas nas mídias digitais e que fazem de tudo para ter seus milhões de seguidores e, de outro, pessoas que ainda se assustam e nem sabe o que é um blog.

Enquanto temos empresas que fazem propaganda e elogiam famílias que ficam desconectadas por alguns minutos enquanto conversam em um restaurante, enquanto outras incentivam (sem nenhuma necessidade) o uso cada vez mais angustiante da internet 5.0G, de forma que daqui a pouco vão inventar até um jeito de ir ao banheiro pela internet.

Como todas as mudanças na humanidade, há ganhos e há perdas. Até aqui, o saldo ainda é positivo, ou seja, apesar de todos os avanços tecnológicos, parece que ainda controlamos nossas vidas, mas, desconfio que começamos a perder o controle! Por que estou suspeitando? Pelas notícias que nos chegam, principalmente pelas notícias de que algum blogueiro está sofrendo algum distúrbio… que pode ser depressão (Whindersson Nunes – 30 milhões de seguidores – Yasmim Gabrielle, etc. que não me deixam mentir) e até os casos de suicídio, que foi o caso da blogueira Alinne Araújo nesta semana.

A autonomia educacional ajudada pela ânsia desenfreada de ganhar milhares (ou milhões) de “likes”, tem levado essa nova geração a não suportar os reveses da vida?

Precisa-se de uma causa da morte? A frustração de ter sida deixada no altar, seria algo tão grave assim que a morte seria a única alternativa? Será que uma decepção, para essa geração antenada, torna-se motivo suficiente para o desespero? Será que afinal a educação Montessoriana está colhendo seus frutos? A autonomia educacional ajudada pela ânsia desenfreada de ganhar milhares (ou milhões) de “likes”, tem levado essa nova geração a não suportar os reveses da vida? Ou é ambição demais para usar até a morte, só para ganhar milhões de “likes”?

Não quero ser simplista ou reduzir um problema tão sério a uma conclusão tão superficial. Não quero ser a sétima trombeta do Apocalipse, quando ainda não soou nem a primeira. Mas não posso deixar de falar o quanto tudo isso me assusta, principalmente quando percebo que estamos rodeados de jovens que sonham em ser youtubers. Não quero ser indiferente ou omisso de ver e ouvir esses relatos sem expressar um questionamento sobre o motivo que levou essa menina à morte.

Terrível é saber que boa parte dos seres humanos que tomaram conhecimento desse suicídio, não sentiram nada, não se importaram que ela tivesse morrido, não vão deixar de dar likes nem de seguir um próximo youtuber que estiver disposto a dar sua vida para explodir nos “likes”. A coisa tá complicando. Deus tenha piedade de nós.

Por Pr. José Ernesto Conti