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quarta-feira, 6 julho 2022

O que estamos fazendo com a nossa liberdade religiosa?

A igreja brasileira preferiu participar de cultos online. Isso é saber aproveitar a liberdade de culto ou pouco caso com a reunião congregacional? 

O Brasil, um Estado democrático de direito, todos os seus cidadãos e estrangeiros que aqui residem têm liberdade para escolher sua religião, praticar e professar sua fé seja no privado ou em público. O governo brasileiro não pode nos impedir de adotar uma ou outra confissão de fé. Liberdade religiosa, um direito humano! A liberdade religiosa brasileira é garantida pela Constituição de 1988 e está descrita em seu artigo 5º, inciso VI: “É inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias”.

O pastor e missionário Gerson Borges, da Comunidade de Jesus no ABC, há alguns anos, fez uma viagem missionária em parceria com a Portas Abertas que incluiu Turquia, Albânia e Ásia Central. Ele diz que ministrou tanto em cultos de igrejas oficiais quanto em reuniões da Igreja Perseguida. “Em ambos, tive o sentimento sobre o que estamos fazendo com a nossa liberdade religiosa no Brasil. Muitas são as possíveis respostas — a primeira delas é, sem dúvida, pouco caso ou desprezo. Banalização”, afirma.

Se nos momentos críticos da COVID-19 falamos “fiquem em casa”, agora devemos dizer o contrário: “Não fiquem em casa! Voltem para a ‘igreja’!” É preciso valorizar de verdade a liberdade que temos — tanto religiosa quanto de reunião. “Ah, como os irmãos que conheci na Ásia Central desejam essa cidadania! Ah, como gostariam de se reunir onde, quando e como quiserem — dentro dos limites da paz pública — para adorar ao Cristo ressurreto, mas não podem.

No entanto, afirma Gerson Borges, tem crescido consideravelmente o número de “desigrejados” ou os “sem igreja”, gente que acha possível viver a fé cristã essencialmente comunitária, porque o Deus da Bíblia é uma eterna comunhão de amor entre pai, filho e Espírito Santo. “Ensimesmados, em casa, diante da tela do YouTube, desprezando a comunhão cristã e essa benção que é a liberdade de crença e religião. Gente precisa de gente! Crente precisa de crente! O autor da carta aos Hebreus nos admoesta: “Não deixemos de reunir-nos como igreja, segundo o costume de alguns” (Hebreus 10.25).

A pergunta continua ardendo nos nossos ouvidos e corações: o que estamos fazendo com a nossa liberdade?

“Ao celebrarmos os 465 anos do primeiro culto protestante no Brasil, vemos igrejas que se esvaziaram e que se esvaziam não mais por medo de contágio de COVID-19 mas por pura frieza, comodismo e desprezo à preciosa liberdade que usufruímos”, afirma o pastor.

William Wiberforce, político cristão evangélico que lutou pelo fim da escravidão africana na Inglaterra dizia: “O Cristianismo, especialmente, sempre prosperou sob perseguição. Nessa época, não possui professores mornos. Quando a religião está em um estado de quietude externa e prosperidade, o contrário de tudo isso ocorre naturalmente. Os soldados da igreja militante se esquecem, então, que estão em estado de guerra. Seu entusiasmo diminui, seu zelo definha.”

 

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