É senso comum que a mulher se tornou independente e empoderada. O que resta saber é se o custo benefício desses direitos compensa o que ela usufrui hoje
Por Lilia Barros
No Dia da Independência do Brasil, vale uma reflexão sobre a independência da mulher no contexto da sociedade brasileira. O que nos custou a liberdade de podemos exercer o nosso direito ao voto? De lutar por nossos espaços no mercado de trabalho? E termos o direito de escolhermos o rumo de nossas próprias vidas?
“Ser independente era tudo que nós gostaríamos como mulheres, porém a nossa Independência e empoderamento nos custou outras questões emocionais que muitas vezes não são colocadas na balança. ” Foi assim que a terapeuta de casais, Sheyla Lima, de São Paulo, apresentadora do programa de rádio Lar e Família, abriu uma conversa com Comunhão sobre a realidade da mulher moderna.
“Ter alcançado a independência é algo sim que lutamos muito e podemos dizer que conseguimos, mas ainda faltam muitos pontos como ter transporte seguro, sem assédios, salários equiparados, direitos igualitários nas funções que exercemos, mas quero ressaltar que o principal disso tudo precisa ser conquistado por nós mesmas e isso a sociedade, os homens não podem nos dar… você imagina o que seja? ”, questiona a terapeuta.
“Muitas mulheres precisam se dar o direito de conhecerem a si mesmas. Ou seja, conhecer suas vontades, seus limites, seu corpo, seus planos e sonhos. É ser paciente consigo mesma para compreender que cada mulher tem o seu tempo de crescimento pessoal, emocional e profissional. Isso só nós podemos fazer!”, afirma.
Ela citou algumas questões emocionais que muitas vezes não foram colocadas na balança, como, por exemplo, a dupla jornada de trabalho onde mulheres trabalham muitas vezes em mais de um lugar e outras vezes além de trabalhar fora de casa, ao chegar em sua residência tem todos os afazeres domésticos e isso acaba lhes afetando emocionalmente.
O preço
A terapeuta aponta as desvantagens da mulher que assume tantas responsabilidades. “Sempre atendo no consultório mulheres que constantemente reclamam de seus parceiros, pois os mesmos não reconhecem que o trabalho do lar é algo árduo, cansativo e rotineiro, e traz um desgaste emocional. ”
“Mas não é somente a dupla jornada de trabalho que faz com que mulheres empoderadas tenham seu medos e desafios. Há uma dificuldade também muito grande com a questão de como ser mãe e ser a profissional ideal e, ao mesmo tempo, conseguir cuidar de si mesma e ainda ter tempo de qualidade para família. ”
Com isso, continua a terapeuta, o casamento é afetado de alguma forma, e elas tentam dar conta de tudo, se sentem sozinhas, carentes e muitas acabam em depressão.
De modo geral, o alto preço de ser uma mulher independente é o de ter que aguentar as cobranças diárias acerca de cada uma das decisões que tomou na sua vida. Contudo, o autocuidado, sugerido pela terapeuta Sheyla Lima, pode equilibrar e compensar tantos esforços e concessões feitas para ser o que é.
A matéria acima é uma republicação de edições anteriores de Comunhão. Fatos, comentários e opiniões contidos no texto se referem à época em que a matéria foi escrita.


