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sábado, 27 novembro 2021

O Guarda do Meu Irmão

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“Perguntou, pois, o Senhor a Caim: Onde está Abel, teu irmão? Respondeu ele: Não sei; sou eu o guarda do meu irmão?” (Gênesis 4:9)

Por Getúlio Cidade

Este diálogo travado entre Deus e Caim, logo após este ter assassinado seu irmão Abel, mostra a natureza ciumenta e egoísta de Caim; um coração rancoroso e automutilado por ter tido sua oferta recusada pelo Senhor. Não quero entrar no mérito do porquê da oferta ter sido recusada, mas pôr o foco sobre a reação de Caim. Ficar triste seria algo natural e, caso fosse somado a uma atitude de humildade, teria sido uma grande oportunidade de crescimento espiritual para ele. Se tão somente ele tivesse se quebrantado, tudo teria sido diferente. Como disse o Senhor, “se procederes bem, não serás aceito?” (v. 7). Mas Caim preferiu dar lugar ao ódio e à ira (que jamais opera a glória de Deus) e matar seu irmão, cuja oferta havia sido aceita perante ao Pai.

Por que é mais fácil nos identificarmos com as pessoas necessitadas, alquebradas e miseráveis do que com as que obtiveram algum sucesso, honra ou atingiram algum nível maior de prosperidade?

Talvez, a resposta esteja no comportamento de Caim que é o mesmo da natureza humana desde a Criação. Ao ver o irmão prosperar em sua oferta e ele mesmo ter sido preterido, em vez de despertar em Caim um sentimento de alegria fraternal, produziu efeito reverso, gerando despeito e inveja, culminando com o assassinato. Eu me pergunto quantos cristãos hoje matam seus irmãos em seu interior com o mesmo sentimento. Não o podendo fazer fisicamente, assassinam-nos com palavras e atitudes, riscando seus nomes de seus corações.

Fosse Caim um fiel guarda, o assassinato de Abel jamais teria ocorrido. Em vez de se tornar inimigo, teria se unido a seu irmão com júbilo por sua oferta ter sido aceita. Por esse ato de humildade, teria aprendido como ofertar de modo agradável ao Senhor. No lugar de morte, teria havido edificação para ambos e o nome do Senhor teria sido glorificado.

O chamado de Deus para nós é termos uma atitude contrária a de Caim em relação a nosso próximo. Devemos guardá-lo do mal, sustentá-lo em intercessão, vigiar contra os ataques inimigos, ajudá-lo quando preciso e, por fim, regozijar-se com ele em suas conquistas. Se assim agirmos, estaremos entregando ao Senhor uma oferta tão suave e tão agradável como foi a de Abel, todos serão abençoados e, o mais importante, o nome do Senhor será exaltado.

É interessante que, na sequência do texto de Gênesis, o Senhor não responde à pergunta feita por Caim. Nem precisava. A resposta está implícita e ecoa por todas as páginas da Bíblia: Sim, eu sou o guarda do meu irmão!

Getúlio de Alvarenga Cidade é cristão, tradutor, graduado pela Escola Naval, possui mestrado em ciências navais pela Escola de Guerra Naval e pós-graduações em instituições de ensino militares e civis, no Brasil e no exterior, incluindo a National Defense University nos Estados Unidos da América.

 

 

 

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