Divorciado duas vezes, dono de cassinos, acusado de crimes, defensor de ideias liberais. Mesmo assim, Donald Trump segue tendo apoio dos evangélicos. Por que?
Por Cristiano Stefenoni
A vitória esmagadora do ex-presidente norte-americano, Donald Trump, nas prévias de Iowa, rumo a candidatura à presidência da Casa Branca deste ano, na última segunda-feira (15) contou, em grande parte, com o apoio da comunidade evangélica ou, como alguns se denominam, “cristãos nascidos de novo”. Em 2016, por exemplo, 20% dos apoiadores do republicano se declararam evangélicos. Dessa vez, o número subiu para 53%. Mas o que explicaria esse fenômeno?
De acordo com o jornal The Guardian, esse apoio é um tanto curioso visto que Trump é acusado de vários crimes, já se divorciou duas vezes, é dono de cassinos, que já tinha expressado opiniões liberais, não tem a prática de ir à igreja, ou seja, um estilo de vida que vai completamente contra os princípios defendidos pelos evangélicos.
Segundo o jornal, a explicação estaria em um acordo feito entre o magnata e alguns líderes cristãos, algo muito parecido com o que aconteceu no Brasil com Bolsonaro.
Ou seja, a comunidade evangélica apoiaria Trump para voltar à presidência, desde que ele atendesse algumas pautas de interesse dos cristãos, tais como ter um poder administrativo em sua gestão por meio de um Conselho Consultivo Evangélico, ajudar na definição de políticas públicas para acabar com a legalização do aborto, entre outros temas.
Já os analistas do The New York Times explicaram que esse fenômeno se deve mais a motivos culturais e não religiosos, pelo fato de Trump defender questões sociais tradicionais, além de ser “o cara” que bate de frente com os que seriam os “corruptores” da moral e dos bons costumes americanos, no caso, os democratas, o atual governo federal e a imprensa.
Nas primárias desta semana, Donald Trump venceu em 97 dos 99 condados de Iowa. Ele teve 51% dos votos contra 21% de DeSantis e 19% de Haley. As eleições para presidente dos Estados Unidos, o cargo mais poderoso do mundo, estão agendadas para o dia 5 de novembro de 2024.

