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terça-feira, 16 abril 2024

O extraordinário poder da Amizade

Foto: Adobestock.com

Um amigo se preocupa com todos os assuntos da vida do outro, fazendo com que a amizade funcione como um amortecedor para a dor e uma satisfação vital

Por Lília Barros

Na tentativa de traduzir com maestria o significado da amizade, a expressão mais próxima daquilo que ela representa é “alguém com quem você se identifica tanto quanto consigo mesmo, mas que não é você”.

Há um poder na amizade. Um milagre acontece a cada “oi”, a cada pequeno sorriso, ao olhar que basta para saber o que se passa.

A conexão é tão forte que o silêncio de um amigo se torna aliado quando palavras não são suficientes.

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A proximidade de alma com este alguém se torna tão evidente que conviver significa saber tudo a seu respeito e, mesmo conhecendo seus defeitos e fraquezas, ainda gostar de sua companhia. Às vezes, nem se sabe como ela aconteceu ou quando começou, mas a alegria que ela proporciona faz da amizade um dos dons mais preciosos que o ser humano possui. O poder da amizade amortece a dor nos períodos difíceis, e é capaz de aumentar a satisfação geral com a vida simplesmente porque os amigos melhoram nossa saúde.

Eles fazem lugares comuns se tornarem extraordinários por causa da presença dessa pessoa incrível, de quem não se espera nada em troca, exceto manter o prazer de estar ali, só por estar ali, perto de quem se sente bem; espera-se apenas a chance de poder revê-lo na primeira oportunidade que surgir.

O pastor Israel Belo de Azevedo, do Rio de Janeiro, fala desse relacionamento amigo como quem aprecia toda sua beleza misturada à seriedade do preço a ser pago no cotidiano de quem não se ilude nem desanima com as lutas da vida, desde que se possa contar com a companhia do amigo. Os “perrengues” podem até afastar dois amigos, mas jamais quebrar o laço afetivo que os une.

“A verdadeira amizade se mede pela disposição de tornar melhor a vida do outro. Com os nossos amigos, vivemos experiências que nos definirão para sempre. A beleza da amizade está na fidelidade”, afirma o pastor para, em seguida, contar breves experiências.

“Lembro com ternura do meu amigo Anselmo Fioraneli. Eu, no Rio de Janeiro, ele em São Paulo. Quando fui operado de câncer, ele e um dos seus filhos saíram de casa, pegaram um avião, passaram algumas horas comigo e retornaram. O nome disso é amizade. Lembro com saudade do meu amigo Eldes Millioli. Um dia, brincando, elogiei sua camisa e disse que um dia teria uma igual. No dia seguinte, ele me aparece com a camisa, lavada, passada e dobrada, dizendo-me: ‘É sua’. Agradeci e depois devolvi, mas não esqueci o gesto. Eldes sempre me acompanhava em minhas viagens, pagando ele mesmo as despesas, só para estar comigo. Inesquecível. Todo dia eu me lembro dele”.

Explosão neuroquímica

O extraordinário poder da Amizade
“A amizade é como uma explosão neuroquímica”, Felismina Teixeira, psicóloga – Foto: Divulgação

A amizade tem o poder de fazer o outro sentir que ele é alguém com quem o amigo se importa e com quem poderia ficar conversando o dia todo, porque sempre haverá momentos inesquecíveis entre eles: os bons e os ruins.
Ter amigos, portanto, é quase uma questão de sobrevivência.

 

É uma explosão neuroquímica, como explica a psicóloga Felismina Teixeira, do Espírito Santo.

“Encontrar amigos é como tomar serotonina e dopamina na veia. É uma explosão neuro química que desinflama as redes neurais. Ao contrário disso, é viver em comportamentos automáticos sem novidade de vida. Somos seres sociais desde os tempos da caverna. Logo, o outro é o nosso espelho que nos molda diariamente. Por isso precisamos dos aportes sociais para nossa autorregulação emocional. A amizade é uma das ferramentas para auxiliar na remissão dos sintomas da depressão”, afirma a psicóloga Felismina.

A pastora, terapeuta especializada em neuropsicologia e nerociência, Rosi Siqueira, do Rio de Janeiro, reforça que amizades são importantes no desenvolvimento humano. “Ter uma rede de amigos faz muito bem para a saúde mental pois é um regulador do estresse e dos sentimentos que trazem prejuízos emocionais”. Essa ideia é complementada pelo pastor Israel Belo: “A solidão nos adoece. A amizade nos cura.”

Pastor e psicólogo, Marcelo Aguiar, pontua o poder da amizade. “Eu acredito ser possível que amizades verdadeiras curem uma depressão, pois elas sempre são benéficas, mas não que isso infalivelmente vá acontecer. Via de regra, o procedimento indicado é medicação e psicoterapia pois depressão é uma enfermidade complexa.”

Nunca só

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“A solidão nos adoece. A amizade nos cura”, Rosi Siqueira, pastora e terapeuta – Foto: Divulgação

Na verdade, quem tem um grande amigo desconhece o que seja a solidão. Amigo é mais do que uma palavra, é mais do que sentimento diferenciado por alguém. A amizade é um relacionamento humano que envolve conhecimento mútuo, e que leva à afeição e estima.

 

É também uma companhia que desperta um sentimento de lealdade entre si; uma relação que se resume em confiança e amor, na qual se aceita o outro como realmente é. Somente com os verdadeiros amigos se compartilham o desabafo, a confiança e o respeito em todos os momentos da vida.

O reverendo Hernandes Dias Lopes, da Primeira Igreja Presbiteriana de São Paulo, explica que o verdadeiro amigo é aquele que está conosco nos momentos bons, mas que também não faz vistas grossas ao nosso erro. Ele nos confronta em amor, em vez de nos expor ao opróbrio público. “Cultivamos a verdadeira amizade mantendo um relacionamento na luz, regido pela verdade e pela sinceridade”, atenta o pastor.

Na Bíblia, existem vários textos que exortam sobre a importância de se investir em boas companhias. A Sagrada Escritura explica o valor dos bons amigos e adverte sobre os riscos dos companheiros errados. Em Provérbios 15:30, está escrito que “um olhar animador dá alegria ao coração, e as boas notícias revigoram os ossos”. Sendo assim, as pessoas que cultivam suas amizades geralmente são mais otimistas, alegres e possuem muito entusiasmo para sua vida familiar, profissional e comunitária.

A raiz da amizade

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“O verdadeiro amigo nos confronta em amor”, Hernandes Dias Lopes, reverendo e escritor – Foto: Divulgação

A palavra hebraica para “amigo” na passagem de Provérbios é ‘ahab, ou ‘aheb, e é uma palavra muito forte que significa literalmente “amante”.

 

É usado em outro lugar para descrever a amizade de Deus com Abraão: “Não expulsaste, ó nosso Deus, os habitantes desta terra de diante do teu povo Israel e a deste aos descendentes de Abraão, teu amigo para sempre?” (2 Cro 20:7) e a amizade de Jônatas com Davi: “E aconteceu que, acabando ele de falar com Saul, a alma de Jônatas se ligou à de Davi, e Jônatas o amou como a si mesmo” (1 Sam. 18:1).

“Amigo” do vocábulo latino “amicus”, tendo ambas exatamente o mesmo significado. Na raiz de “amicus” está o verbo “amo”, que significa “gostar de”, “amar”.

O dicionário Aurélio define amizade como “afeição, estima, dedicação recíproca entre pessoas do mesmo sexo ou de sexo diferente: laços de amizade. Amor/Acordo: tratado de amizade. Benevolência, favor, serviço: provas de amizade”. Mas, para além do sentido literal, a amizade em si é uma grande criação de Deus. E, sendo Deus o amor, amizade também é, e não escolhe pessoas perfeitas, escolhe as que fazem bem.” Essa é a raiz da amizade.

Dois tipos de amizades falsas

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“Eu acredito ser possível que amizades verdadeiras curem uma depressão”, Marcelo Aguiar, pastor e psicólogo – Foto: Divulgação

Apesar da necessidade de ter amigos, é preciso muita cautela na hora de fazê-los e cultivá-los. Segundo o reverendo Hernandes Dias Lopes, existem dois tipos de amizades falsas que devem ser evitadas e nas quais jamais deve ser feito investimento: a amizade utilitária e a tabernária.

 

A amizade utilitária está interessada não na pessoa, mas no que ela tem. É uma amizade que está atrás de favores e não da pessoa; é uma amizade interesseira, sanguessuga.

Já a amizade tabernária é aquela praticada por quem “rasga a cara” num bar da esquina contando piadas com os “amigos”, mas essa amizade tem bases infrutíferas, dissipando-se com a chegada da crise, assim como ocorreu com os amigos do filho pródigo, que o abandonaram no tempo de escassez.

É preciso reconhecer que o amigo verdadeiro é aquele que chega quando todos já foram embora, é aquele a quem se recorre quando se passa um momento de angústia, como Daniel, quando procurou seus três amigos na Babilônia para buscarem a direção de Deus. Na Bíblia, aliás, Deus norteia sobre amizades. Ele fala da importância dos bons amigos e recomenda sobre os riscos que se pode ter com companheiros errados.

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