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terça-feira, 23 abril 2024

O Evangelho segundo a Inteligência Artificial

A possibilidade da Bíblia ser reescrita pela Inteligência Artificial tem causado debates na comunidade cristã. Foto: Freepik

A possibilidade da I.A reescrever a Bíblia com alterações polêmicas liga o alerta da comunidade cristã.

Por Cristiano Stefenoni

Escrita ao longo de 1500 anos, a Bíblia ainda é o livro mais vendido e traduzido da história. São quase 4 bilhões de exemplares comercializados, em cerca de 3 mil idiomas. Escritas originalmente em grego, hebraico e aramaico, as cópias das Sagradas Escrituras passaram por vários materiais como gravação em pedra, barro, papiro e couro. Hoje, ela pode ser encontrada na forma digital por meio de aplicativos. Mas é a possibilidade dela ser reescrita pela Inteligência Artificial que tem causado debates na comunidade cristã.

Isso porque, nas primeiras considerações sobre o assunto, houve a sugestão de retirar do cânon Sagrado, assuntos polêmicos que envolvem desde o criacionismo até o casamento apenas entre homem e mulher.

A primeira tentativa, por exemplo, veio dos ativistas do PETA (Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais), que usaram o ChatGPT para reescrever o primeiro livro da Bíblia, o Gênesis, recriando a história por um ponto de vista vegano. De acordo com a ONG, o objetivo é enviar uma mensagem de direitos dos animais que não pode ser ignorada, cheia de ensinamentos veganos.

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“A Bíblia tem sido usada há muito tempo para justificar todas as formas de opressão, então usamos o ChatGPT para deixar claro que um Deus amoroso nunca endossaria a exploração ou crueldade com os animais”, diz Ingrid Newkirk, presidente da PETA, em nota.

Durante uma entrevista do historiador Yuval Noah Harari à Fundação Francisco Manuel dos Santos, em Portugal, em maio deste ano, ele comentou que a I.A é a “primeira tecnologia capaz de criar ideias novas” e que ela conseguiria escrever textos religiosos no futuro.

Na opinião do especialista em inovação, Leo Carraretto, que é evangélico, a ideia de ter as Sagradas Escrituras reescritas pela Inteligência Artificial é péssima e desnecessária. “A Bíblia não precisa ser reescrita, pois ela é atual, viva e eficaz, então, vejo essa possibilidade com péssimos olhos”, ressalta.

Para Carraretto, os riscos da I.A em reescrever a Bíblia é o fato da Palavra de Deus ter sido escrita por homens inspirados por Deus, enquanto que a versão artificial, não. Para não ser enganado por uma possível “nova versão” bíblica, o especialista diz que o cristão deve se dedicar ainda mais ao estudo das Escrituras.

“Caso aconteça, o cristão deve estar atento. É ainda mais necessário o crente conhecer a Palavra de Deus, porque isso pode ajudá-lo a se precaver dos movimentos de heresia e apostasia”, justifica.

Além disso, Carraretto diz que é muito importante trabalhar a consciência do cristão a respeito da tecnologia, da cidadania digital. Essa postura, segundo ele, seria mais uma forma de estar preparado para defender a Bíblia e que essa “missão” é tão necessária agora como foi no passado.

“A Palavra sempre será atacada, como foi ao longo dos séculos, e a igreja deve continuar a defende-la. Na época da reforma protestante, por exemplo, ter a Bíblia traduzida também era muito difícil. Hoje a Inteligência Artificial é apenas uma tecnologia, quem a torna boa ou má somos nós que a usamos”, finaliza.

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