A possibilidade da I.A reescrever a Bíblia com alterações polêmicas liga o alerta da comunidade cristã.
Por Cristiano Stefenoni
Escrita ao longo de 1500 anos, a Bíblia ainda é o livro mais vendido e traduzido da história. São quase 4 bilhões de exemplares comercializados, em cerca de 3 mil idiomas. Escritas originalmente em grego, hebraico e aramaico, as cópias das Sagradas Escrituras passaram por vários materiais como gravação em pedra, barro, papiro e couro. Hoje, ela pode ser encontrada na forma digital por meio de aplicativos. Mas é a possibilidade dela ser reescrita pela Inteligência Artificial que tem causado debates na comunidade cristã.
Isso porque, nas primeiras considerações sobre o assunto, houve a sugestão de retirar do cânon Sagrado, assuntos polêmicos que envolvem desde o criacionismo até o casamento apenas entre homem e mulher.
A primeira tentativa, por exemplo, veio dos ativistas do PETA (Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais), que usaram o ChatGPT para reescrever o primeiro livro da Bíblia, o Gênesis, recriando a história por um ponto de vista vegano. De acordo com a ONG, o objetivo é enviar uma mensagem de direitos dos animais que não pode ser ignorada, cheia de ensinamentos veganos.
“A Bíblia tem sido usada há muito tempo para justificar todas as formas de opressão, então usamos o ChatGPT para deixar claro que um Deus amoroso nunca endossaria a exploração ou crueldade com os animais”, diz Ingrid Newkirk, presidente da PETA, em nota.
Durante uma entrevista do historiador Yuval Noah Harari à Fundação Francisco Manuel dos Santos, em Portugal, em maio deste ano, ele comentou que a I.A é a “primeira tecnologia capaz de criar ideias novas” e que ela conseguiria escrever textos religiosos no futuro.
Na opinião do especialista em inovação, Leo Carraretto, que é evangélico, a ideia de ter as Sagradas Escrituras reescritas pela Inteligência Artificial é péssima e desnecessária. “A Bíblia não precisa ser reescrita, pois ela é atual, viva e eficaz, então, vejo essa possibilidade com péssimos olhos”, ressalta.
Para Carraretto, os riscos da I.A em reescrever a Bíblia é o fato da Palavra de Deus ter sido escrita por homens inspirados por Deus, enquanto que a versão artificial, não. Para não ser enganado por uma possível “nova versão” bíblica, o especialista diz que o cristão deve se dedicar ainda mais ao estudo das Escrituras.
“Caso aconteça, o cristão deve estar atento. É ainda mais necessário o crente conhecer a Palavra de Deus, porque isso pode ajudá-lo a se precaver dos movimentos de heresia e apostasia”, justifica.
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Além disso, Carraretto diz que é muito importante trabalhar a consciência do cristão a respeito da tecnologia, da cidadania digital. Essa postura, segundo ele, seria mais uma forma de estar preparado para defender a Bíblia e que essa “missão” é tão necessária agora como foi no passado.
“A Palavra sempre será atacada, como foi ao longo dos séculos, e a igreja deve continuar a defende-la. Na época da reforma protestante, por exemplo, ter a Bíblia traduzida também era muito difícil. Hoje a Inteligência Artificial é apenas uma tecnologia, quem a torna boa ou má somos nós que a usamos”, finaliza.


