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terça-feira, 18 janeiro 2022

O dilema das redes sociais

“O grande mito do nosso tempo é que a tecnologia é comunicação”

Por Marlon Max

As novas tecnologias estão mudando a forma como nos relacionamos e consumimos. De forma obrigatória, essas mudanças impõem uma nova dinâmica, à medida que a humanidade abraça as comodidades trazidas pela modernização das redes e o amplo acesso à tecnologia.

Muitos cristãos se perguntam, como devemos encarar a contemporaneidade e evitar pensamentos limitantes que não trazem bons resultados? Em entrevista para a Sepal, especialista comenta as mudanças e apresenta caminhos saudáveis para os novos desafios.

Psicóloga clínica especializada em Psicodrama e Terapia Familiar, Fátima Fontes tem larga experiência profissional e acadêmica. Mestre em Psicologia Social e doutora em Serviço Social pela PUC/SP; doutora e pós-doutoranda em Psicologia pela USP, é membro da Igreja Batista da Liberdade (SP), membro pleno do Corpo de Psicólogos e Psiquiatras Cristãos. Mesmo com currículo denso, Fátima elabora soluções práticas e acessíveis. Confira!

Equilíbrio

redes sociais
Foto: unsplash

De acordo com Fátima, os riscos da influência tecnológica são os mesmos de qualquer outra facilidade do cotidiano, por isso defende a ideia de que não devemos enxergar as novas tecnologias como algo negativo, o segredo está em administrá-las com equilíbrio e limites.

“Essas ferramentas foram desenvolvidas para o bem, pela inteligência humana. Cabe a cada um de nós e, no caso da família, aos pais, fazer o bom uso delas. Infelizmente, isso não tem acontecido. Existem pais viciados nessas funcionalidades, que nunca se desconectam do Facebook e do Instagram. Adoeceram, mas não admitem”, relata. Conforme sinaliza a psicóloga, o uso adequado de tais recursos pode dar espaço para outras atividades importantes, como os estudos, os momentos de lazer e de conversa.

Conforme aponta, é possível identificar em todos os tempos históricos episódios de ansiedade, depressão e insegurança entre as pessoas. Por isso, ela não julga que a geração atual está mais exposta.

“A única coisa que percebo de novo é o acesso às informações sobre essas doenças emocionais. Percebo haver uma compulsiva busca por culpados de nossas mazelas, inclusive as emocionais. Hoje culpamos as redes sociais, ontem era a televisão; na idade média, os que não eram católicos, também se demonizou a vida — tudo era ação do ‘inimigo’. Isso de culpar algo ou alguém é do ser humano. “Está na hora de refletirmos sobre nossos desequilíbrios, nossa dificuldade em ter e colocar limites”, alerta.

Reflexão

Em virtude do crescimento exponencial do acesso à informação e do consequente uso massivo das novas tecnologias, a doutora afirma que cada família deve encontrar seu próprio meio de lidar com essa realidade, evitando fórmulas prontas que não vêm de encontro à dinâmica familiar. Fátima explica que cada família tem sua cultura, seus endereçamentos e modos de funcionar. Sendo assim, para que haja funcionalidade no lar, sugere que os pais estabeleçam programas culturais e de lazer e definam o que autorizarão ou não a seus filhos.

Fátima também sinaliza que a melhor ferramenta para encontrar caminhos em meio a esse contexto é a reflexão, para que as pessoas possam ampliar suas percepções. Dessa forma, a criação de espaços reflexivos em que haja profundidade e que sejam evitados exageros e reducionismos é fundamental. Conforme elucida, muito alarde tem sido feito sobre a atualidade, é preciso desconstruir os pensamentos paralisantes e buscar o equilíbrio.

Com informações Sepal

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