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terça-feira, 21 setembro 2021

Pandemia: o desafio da ressocialização dos adolescentes

A psicóloga Adriana Drulla ressalta que os jovens, de um modo geral, sentem maior necessidade de conexão social

Por Patricia Scott 

Com a pandemia, muitos pais compartilham o mesmo desafio: o isolamento social tem contribuído para que os filhos não sintam vontade de sair de casa e de se relacionar com amigos, parente ou colegas de colégio. O prejuízo, de acordo com especialistas, é grande no dia a dia, como também para o futuro de jovens que completaram entre 15 e 17 anos dentro do contexto da Covid-19. Então, surge a pergunta: de que forma os pais podem ajudar os menores a manterem as relações saudáveis, sobretudo para a retomada das aulas e o convívio com os amigos?

A mestra em Psicologia Positiva, Adriana Drulla, o confinamento realmente abalou a saúde mental de muitos jovens. Ela frisa que, de um modo geral, os adolescentes têm uma maior necessidade de conexão social. “É uma fase de descoberta de si mesmo e de formação da identidade. Por isso, o grupo é muito importante”.

A psicóloga recomenda que os pais acompanhem e orientem os filhos da melhor forma. “Primeiro, aceitando e ajudando a validar o sentimento do jovem que sofre ou que está mais calado. É importante que ele se sinta ouvido e compreendido”, aconselha e emenda: “A partir desse lugar de vínculo e apoio, entenderem, pais e filhos, se existe alguma atitude possível para acalmar esse desconforto”.

Adriana aponta que, se o adolescente se sente isolado do grupo, é razoável que ele veja um amigo apenas. “Claro, tomando todo o cuidado. Ou então, se não for possível, será que é conveniente marcar conversas de vídeo?”, pergunta. A psicóloga afirma ainda que se não for possível tomar uma atitude no sentido de ressocialização é importante os pais ficarem atentos aos sinais de ansiedade. “Fazer um plano de atividades, incluindo exercícios físicos, por exemplo, pode ser uma opção”.

Pesquisa Fiocruz
Jovens ouvidos por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), sobre a pandemia de Covid-19, relataram mudança na rotina, alterações de humor, piora na saúde e adoção de hábitos alimentares não saudáveis. Entre diversas informações, o estudo aponta que 48,7% dos adolescentes têm sentido preocupação, nervosismo ou mau humor, na maioria das vezes ou sempre.

A psicóloga Adriana Drulla afirma que os pais precisam estabelecer apoiar os filhos, estabelecendo vínculos (Foto: J. Mantovani)

No levantamento denominado ConVid Adolescentes – Pesquisa de Comportamentos, a Fiocruz conta com as participações da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Foram entrevistados 9.470 jovens de todo o Brasil entre 12 e 17 anos. Os questionários foram respondidos online entre junho e setembro, e o resultado da pesquisa divulgado em dezembro.

A grande maioria dos adolescentes revelou ter aderido a medidas de restrição social. Esse grupo reuniu 71,5% dos entrevistados, e a restrição total foi relatada por 25,9%, enquanto 45,6% disseram adotar uma restrição intensa.

 


 

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