A lentidão da crise climática é um mito, talvez mais perigoso ainda do que a sua negação. Ela já começou
Por Timóteo Carriker
O aquecimento global é talvez o desafio maior da saúde atual do planeta, mas não o único. Há outros desafios tão graves tanto. De acordo com o Instituto Potsdam de Pesquisas sobre o Impacto Climático na Alemanha, sob a liderança do sueco, Johan Rockström, toda a vida na Terra e a civilização humana são sustentadas por sistemas biogeoquímicos vitais, que estão em delicado equilíbrio. No entanto, nossa espécie – em grande parte devido ao rápido crescimento populacional e ao consumo explosivo – está desestabilizando esses processos terrestres, colocando em risco a estabilidade do “espaço operacional seguro para a humanidade”. Os cientistas observam nove fronteiras planetárias além das quais não podemos empurrar os sistemas terrestres sem colocar nossas sociedades em risco:


1. Mudanças climáticas: o aumento das concentrações de gases de efeito estufa na atmosfera está levando ao aumento das temperaturas globais. Ultrapassamos o limite seguro de 350 partes por milhão de CO2 em 1988. Em 2020, os níveis eram de 417 ppm.
2. Novos produtos químicos: uma das fronteiras planetárias mais elusivas, novas entidades se referem a substâncias químicas, materiais e outras novas substâncias nocivas (como plásticos), bem como substâncias de ocorrência natural, como metais pesados e materiais radioativos liberados por atividades humanas. Nós liberamos dezenas de milhares de substâncias sintéticas no meio ambiente todos os dias, muitas vezes com efeitos desconhecidos. Esses riscos são exemplificados pelo perigo representado pelos CFCs para a camada de ozônio ou do DDT para a biodiversidade.
3. Destruição do ozônio estratosférico: O esgotamento do O3 na estratosfera como resultado de poluentes químicos foi descoberto pela primeira vez na década de 1980 e levou ao Protocolo de Montreal de 1987 sobre substâncias que destroem a camada de ozônio. A camada de ozônio agora mostra sinais de recuperação.
4. Poluição atmosférica por aerossóis: A poluição atmosférica por aerossóis é uma maldição para a saúde humana e também pode influenciar os sistemas de circulação do ar e dos oceanos que afetam o clima. Por exemplo, a poluição severa de aerossóis no subcontinente indiano pode fazer com que o sistema de monções mude abruptamente para um estado mais seco.
Um lampejo de luz – vida humana em perspectiva - A vida, do primeiro brilho ao último suspiro, é um único e precioso espetáculo de celebração da existência Por João Marcos Pedrosa O conhecimento…
Faça de 2026 seu melhor ano - A fé é o eixo que sustenta nossos planos, nossas palavras e nossos passos rumo a 2026, com fé, iniciamos, caminhamos e concluímos bem… 5. Acidificação dos oceanos: o aumento dos níveis de CO2 atmosférico está aumentando a acidez dos oceanos do mundo, representando um grave risco para a biodiversidade marinha e, particularmente, para os invertebrados cujas conchas se dissolvem em águas ácidas.
6. Fluxos biogeoquímicos: alteramos profundamente os ciclos naturais de nitrogênio e fósforo do planeta, aplicando esses nutrientes vitais em grandes quantidades em terras agrícolas, levando ao escoamento para os ecossistemas vizinhos.
7. Uso de água doce: a agricultura, a indústria e uma crescente população global estão colocando cada vez mais pressão no ciclo da água doce, enquanto as mudanças climáticas estão alterando os padrões do tempo, causando secas em algumas regiões e inundações em outras.
8. Mudança no sistema terrestre: mudanças no uso da terra, particularmente a conversão de florestas tropicais em terras agrícolas, têm um grande efeito no clima por causa do impacto nas concentrações de dióxido de carbono na atmosfera, na biodiversidade, na água doce e na refletividade da superfície da Terra.
9. Integridade da biosfera: A integridade funcional dos ecossistemas é um limite planetário central devido aos muitos ecosserviços que eles fornecem, desde a polinização até o ar e a água limpos. Os cientistas estão preocupados com o rápido declínio nas populações de plantas e animais, a degradação dos ecossistemas e a perda da diversidade genética que poderia interromper os serviços essenciais da biosfera.
Ainda observa que já existe fora do espaço operacional seguro pelo menos seis dos nove limites: mudança climática, biodiversidade, mudança no sistema terrestre, fluxos biogeoquímicos (desequilíbrio de nitrogênio e fósforo), a liberação de novos produtos químicos e o uso de água doce. Ao alterar significativamente uma só destas fronteiras, o planeta pode ser impulsionado para um novo estado. Já seis foram alteradas. Solução? A melhor maneira de não ultrapassar estes limites é renovar nossos sistemas de energia e alimentos.
Agora veja a ilustração abaixo para ver como o perigo de ultrapassar as barreiras de segurança aumentou em poucos anos!

Com o rápido crescimento do uso de combustíveis fósseis e da agricultura industrializada, as atividades humanas atingiram níveis que podem ser irreversíveis e, em alguns casos, causar mudanças ambientais abruptas – criando condições desfavoráveis para a vida humana na Terra. Este estudo é um alerta para a atual condição do planeta. Mas temos uma ótima oportunidade neste ano para tentar reduzir os riscos globais. Por isso, em 2015 a ONU definiu 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável como alvos para 2030 e, com a ambição necessária, temos a chance de criar, a longo prazo, as condições para a prosperidade humana dentro de limites planetários.
Concluo com uma citação de mais que 4.000 cientistas do mundo todo, assinado em 2014:
A mudança climática induzida pelo homem é um problema além da política. Ele transcende partidos, nações e até gerações. Pela primeira vez na história da humanidade, a própria saúde do planeta e, portanto, as bases para o desenvolvimento econômico futuro, o fim da pobreza e o bem-estar humano, estão em jogo. Se estivéssemos enfrentando uma ameaça iminente de fora da Terra, não há dúvida de que a humanidade se uniria imediatamente em uma causa comum. O fato de que a ameaça vem de dentro – na verdade, de nós mesmos – e se desenvolve por um longo período de tempo não altera a urgência da cooperação e da ação decisiva.
Estas observações são consensuais entre a maioria massiva dos cientistas especializados no assunto. Diante disto e diante da forte base bíblica para o cuidado da criação ainda precisamos indagar sobre qual é o nosso papel e prática diante desta situação? Isto pode ficar para uma próxima reflexão…
Timóteo Carriker é Timóteo Carriker, teólogo ambiental, pastor e escritor.
O Cuidado da Criação – Parte 1


