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domingo, 7 DE dezembro DE 2025

O Chamado Missionário na Visão Mundial

O Chamado Missionário na Visão Mundial

Quando a missão está vazia de justiça social corre o risco de ser apenas um instrumento a serviço de um projeto religioso, deixando o Evangelho em segundo plano

Por Thiago Crucciti

O chamado missionário faz parte da história da igreja no Brasil e no mundo. Proclamar as boas novas do Evangelho é algo empolgante e importante. Quando o movimento das grandes cruzadas evangelísticas da década de 50 começaram, o jornalista-pregador Bob Pierce era companheiro de viagem de Billy Graham, o grande evangelista das cruzadas e um precursor de um grande avivamento missionário pelo mundo.

Ali, Bob foi desafiado a ir além da pregação para conversão. Foi nesse momento que ele percebeu que a missão é uma ação que exige explicação e resposta diante do sofrimento, da pobreza e da opressão nos cantos mais vulneráveis. Movido por essa inquietação, ele decidiu fundar a Visão Mundial (World Vision).

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Bob Pierce começou a se questionar: “Por que nos preocupamos com a alma, com a salvação, com a conversão, mas frequentemente negligenciamos famílias vulneráveis, os mais pobres e, principalmente, as crianças?” Impactado por essa reflexão, durante uma atividade evangelística na China, ele conheceu Jade White. Naquele momento, ele tirou uma foto, que levou para os Estados Unidos, e começou a visitar igrejas, explicando que precisava, de alguma maneira, transformar a vida e a comunidade onde Jade vivia.

Na minha visão e na minha experiência cristã, a missão e a proclamação são extremamente importantes. No entanto, quando estão vazias de ações ou de justiça social, tendem a se tornar uma missão egoísta e correm o risco de ser apenas um instrumento a serviço de um projeto religioso, deixando o Evangelho em segundo plano.

Aceitar Jesus como Senhor e Salvador é muito importante, mas para concretizar essa experiência é ainda mais crucial que a missão proporcione às pessoas um encontro encarnado com Jesus, e isso só acontece quando servimos ao próximo, nos comprometemos com a justiça social e promovemos a libertação de toda opressão, violência e vulnerabilidade humanas.

No momento em que vivemos o Evangelho no Brasil enfrenta muitos desafios. Temos vivenciado tensões e polarizações não apenas em nossa sociedade, mas também dentro das igrejas. Onde todas essas vertentes podem se encontrar para que possamos agir com unidade? Eu acredito que nos conectamos com a missão quando encontramos o outro e quando servimos comunidades, famílias e, principalmente, as crianças mais vulneráveis.

Para mim, estar à frente de uma organização humanitária como a Visão Mundial é exercer um papel fundamental em facilitar que a igreja e os cristãos dos dias de hoje estejam comprometidos com o chamado de transformação dos mais vulneráveis. É preciso lembrar que o compromisso com os pobres e vulneráveis é um dos chamados centrais de Jesus Cristo.

Minha oração por mim, pela Visão Mundial e por todos os cristãos hoje é: “Que nossos corações sejam quebrantados pelo que quebranta o coração de Deus” e que possamos ser radicais (ligados às raízes) do “Evangelho todo para todo ser humano”, sendo as mãos e os pés que promovem a transformação de quem mais precisa por todos os cantos do Brasil e do mundo.

Que nós sempre nos lembremos de que servimos a um Deus que veio ao mundo como criança, como uma criança pobre e vulnerável, e nos transformou. Toda vez que encontramos o pobre e o oprimido, estamos nos encontrando com Jesus. Nosso clamor é que a igreja continue cada vez mais viva e capaz de influenciar as instâncias de poder, mas que jamais perca o compromisso de transformar e cuidar dos mais pobres, dos oprimidos e, principalmente, daqueles que mais sofrem: as crianças.

Thiago Crucciti é Diretor Nacional da Visão Mundial Brasil, organização cristã de desenvolvimento, advocacia e resposta a situações de emergência, dedicada ao trabalho com crianças, famílias e comunidades para superar a pobreza e a injustiça social.

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