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segunda-feira, 6 dezembro 2021

O anticulto cristão

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Foto: Facebook

Essa nunca poderia ser uma decisão do governador ou do STF, mas de cada um de nós, por nossa exclusiva vontade, sem que a Constituição Federal fosse quebrada jogando no lixo nossos direitos como cidadãos de um país (ainda) livre

Por José Ernesto Conte

Desde que o Ministro Kassio liberou os cultos e missas presenciais e depois o Ministro Gilmar proibiu, o assunto virou uma verdadeira praça de guerra.

De um lado, os cristãos que amam o Bolsonaro (com a ajuda do Min. Kassio) e que são maioria no Brasil, ficaram indignados e reagiram pela quebra do Art 5 da Constituição Federal que afirma ser a atividade religiosa no Brasil inviolável. E é verdade.

De outro lado os cristãos que odeiam o Bolsonaro (com a ajuda do Min Gilmar) e que são minoria no Brasil, afirmaram com toda a convicção de que não precisamos de culto para expressar nossa fé. O que não é uma mentira.

Vamos aos fatos:

A quebra da Constituição Federal por parte do nosso STF é mais um (dentre muitos) precedente quebrado nos últimos 2 anos. De acordo com a teologia Gramsciniana e contrariando Hitler, os pilares da mudança nunca devem ser feitos de uma única vez, mas lentamente.

No momento em que nos acostumamos com algo que nos agride, mas que não reclamamos, pode-se apertar mais um pouco. E de pouco em pouco, vamos cedendo terreno até que nossos direitos sejam todos anulados. Hoje é não poder ir à igreja, amanhã é não poder cantar músicas que falam de Cristo, depois não podemos mais transmitir pela internet os cultos, depois vão derrubar as igrejas, … quando quisermos reclamar, será tarde.

O problema é que isso já aconteceu na maioria dos países comunistas, ou seja, não é nada novo ou estranho a humanidade.

Do lado dos cristãos que odeiam Bolsonaro, que são minoria mas é uma esquerda barulhenta, boa parte deles formados por cristãos liberais e/ou desigrejados, ou seja, a maioria deles já estão do lado de fora, logo, proibir ou não, vai fazer muito pouca diferença. A posição contrária deles é cômoda e vem de encontro com seu modo de viver e não agride sua consciência cauterizada pela indiferença cristã.

Mas esquecendo a briga e os motivos dos dois lados, o que precisamos saber é que a origem do culto que vem no VT (qahal = congregação) que no NT mudou para “Koinonia” significa ajuntamento de pessoas. Não há culto sem pessoas. Em Atos 2, Lucas deixa claro que além de que “todos que creram estavam juntos”, todas as coisas que possuíam, pertencia a todos. E esses perseveravam unânimes no templo.

Sei que a pandemia empurrou nossas igrejas para os cultos on-line e até para a santa ceia on-line, mas biblicamente isso é uma mentira, isso é antibíblico. Podemos ficar um tempo sem ir à igreja?

É claro que podemos e acho que por proteção e cuidado, até devemos, porém essa nunca poderia ser uma decisão do governador ou do nosso amado STF, mas de cada um de nós, por nossa exclusiva vontade, sem que a Constituição Federal fosse quebrada jogando no lixo nossos direitos como cidadãos de um país (ainda) livre.

José Ernesto Conti, é pastor da Igreja Presbiteriana Água Viva

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