Mais do que doutrina ou tradição, o amor permanece como o sinal visível que identifica os cristãos discípulos de Jesus
Por Patrícia Esteves
“Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros”. A declaração de Jesus, registrada no Evangelho de João, é apresentada pelo reverendo Hernandes Dias Lopes como um critério público de reconhecimento da fé cristã. Para o pastor, trata-se da “apologética final”, a prova irrefutável de que a fé se manifesta de forma concreta e visível na vida do cristão.
Ao falar sobre esse tema, Hernandes afirma que o amor não ocupa um lugar secundário no cristianismo. Segundo ele, a Escritura o posiciona no centro da experiência cristã. A leitura de Romanos 13 sustenta essa compreensão ao afirmar que o amor é o cumprimento da lei, algo que também se revela na estrutura dos Dez Mandamentos, organizados a partir da relação com Deus e da relação com o próximo.
Essa centralidade ajuda a compreender, como destaca o pastor, por que o apóstolo Paulo afirma que o amor supera o conhecimento e até mesmo os dons espirituais. A advertência bíblica de que “o conhecimento ensoberbece, mas o amor edifica” aponta para o risco de uma fé intelectualmente correta, porém espiritualmente estéril. Sem amor, até o discurso religioso perde sua capacidade de comunicar vida.
Do amor mínimo ao amor sacrificial
Hernandes identifica no ensino de Jesus um primeiro nível do amor cristão. “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”, lembra o pastor. Para ele, esse é o mínimo esperado de quem se diz discípulo. Trata-se de tratar o outro com a mesma dignidade, cuidado e consideração que se reserva a si próprio.
Ao recorrer à parábola do bom samaritano, o pastor destaca que Jesus amplia deliberadamente o conceito de “próximo”, retirando dele qualquer limite étnico, religioso ou social. Amar, nesse sentido, não se restringe ao semelhante, mas alcança aquele que se encontra ferido à margem do caminho.
No entanto, Hernandes observa que Jesus eleva esse padrão ao instituir o novo mandamento: “Que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei”. Ele explica que o parâmetro deixa de ser o amor-próprio e passa a ser o amor de Cristo. Um amor que, segundo o pastor, é paciente, perseverante, humilde e sacrificial, expresso de forma máxima naquele que “tendo amado os seus, amou-os até o fim”.
Esse amor se traduz em gestos. Ao lembrar a cena do lava-pés no cenáculo, pastor Hernandes ressalta que amar como Cristo amou implica descer do pedestal, abrir mão da disputa por posições e assumir o lugar do servo. Não há espaço para arrogância ou superioridade quando o amor é vivido segundo o modelo de Jesus.
O amor que gera unidade e testemunho
O pastor também chama atenção para um terceiro nível de amor apresentado por Jesus em João 17, o amor com que o Pai ama o Filho. Trata-se, segundo ele, do amor “intratrinitário”, marcado por harmonia, ausência de competição e perfeita comunhão. É esse amor que sustenta a unidade da igreja e confere credibilidade ao seu testemunho diante do mundo.
Para Hernandes, quando o amor deixa de orientar as relações, todo o restante perde força. Convicções corretas, organização e zelo ético não se sustentam sozinhos. O que identifica o discipulado cristão não é apenas o que se crê, mas o amor que se torna visível entre os irmãos. O critério permanece o mesmo apresentado por Jesus de um amor vivido no cotidiano. Não como discurso, mas como prática, como compromisso constante. É assim que os discípulos continuam e continuarão sendo reconhecidos.

