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domingo, 23 junho 2024

Número de irmãos pode impactar saúde mental

Foto: FreePik

O maior reflexo foi observado em famílias com vários filhos nascidos com menos de um ano de diferença

Por Patricia Scott

O número de irmãos pode impactar a saúde mental. É o que mostra uma pesquisa publicada, recentemente, na revista científica Journal of Family Issues. O levantamento considerou dados de famílias norte-americanas e chinesas. Os resultados foram os mesmos em ambos os países para surpresa dos pesquisadores.

Segundo o estudo, o maior impacto foi observado em famílias com vários filhos nascidos com menos de um ano de diferença. Assim, crianças de famílias maiores apresentaram uma saúde mental ligeiramente pior do que as de famílias com menos integrantes.

“O que descobrimos é que quando você soma todas as evidências, o efeito dos irmãos na saúde mental é mais negativo do que positivo”, afirmou, em comunicado, Doug Downey, principal autor do estudo e professor de sociologia na Universidade Estadual de Ohio.

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Nos dois países, os pesquisadores fizeram aos estudantes, com em média 14 anos de idade, uma variedade de perguntas sobre a sua saúde mental, embora as perguntas fossem diferentes na China e nos EUA. Os resultados apontaram que, no país asiático, os adolescentes sem irmãos apresentavam a melhor saúde mental, enquanto nos Estados Unidos, aqueles sem ou com apenas um irmão apresentavam saúde mental semelhante.

Ter irmãos mais velhos ou com idades próximas tende a ter os piores impactos no bem-estar, segundo os dados dos EUA. A diferença de um ano teve a associação negativa mais forte com a saúde mental. “Nossos resultados não poderiam ter sido facilmente previstos antes de realizarmos o estudo. Outros levantamentos demonstraram que ter mais irmãos está associado a alguns efeitos positivos, por isso os nossos resultados não foram garantidos”, disse Downey.

De acordo com os pesquisadores, uma hipótese para explicar a descoberta é a “diluição de recursos”. “Se pensarmos nos recursos dos pais como uma torta, um filho significa que eles ficam com toda a torta – toda a atenção e recursos dos pais. Mas quando se adicionam mais irmãos, cada criança recebe menos recursos e atenção dos pais, e isso pode ter um impacto na sua saúde mental”, explicou Downey.

O fato de irmãos próximos terem o impacto mais negativo reforça essa explicação. As crianças que têm quase a mesma idade competirão pelos mesmos tipos de recursos parentais.

Outra possibilidade é que as famílias que têm muitos e poucos filhos sejam diferentes noutros aspectos que podem reduzir a saúde mental dos filhos, um conceito chamado de seletividade. Por exemplo, em ambos os países, as crianças de famílias associadas às maiores vantagens socioeconômicas tinham a melhor saúde mental.

Cabe destacar que na China, as crianças estavam em famílias com um único filho. Já nos EUA, com nenhum ou apenas um irmão. No entanto, os resultados globais ainda sugerem que a explicação da seletividade é insuficiente para explicar o que está ocorrendo.

De acordo com os pesquisadores, os dados não avaliaram a qualidade dos relacionamentos entre irmãos. É provável que os de melhor qualidade sejam mais benéficos para as crianças e, assim, possam ter efeitos mais positivos na saúde mental.

A análise chinesa está baseada em dados de mais de 9.400 alunos do oitavo ano do Estudo do Painel de Educação da China. Nos Estados Unidos, os pesquisadores avaliaram mais de 9.100 alunos americanos do oitavo ano do Early Childhood Longitudinal Study – Kindergarten Cohort de 1988.

Na China, o jovem médio tem quase 0,7 irmãos a menos do que o americano (0,89 em comparação com 1,6). Consistente com o que era esperado devido à Política do Filho Único da China, cerca de um terço das crianças chinesas são filhas únicas (34%), em comparação com apenas 12,6% das crianças americanas.

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