A denúncia de uma mãe retoma o debate sobre riscos em plataformas voltadas ao público infantil e evidencia a fragilidade das rotinas digitais das crianças
Por Patrícia Esteves
O cotidiano digital das crianças das famílias cristãs há muito deixou de ser simples. Aplicativos que prometem criatividade, interação e diversão, como o Roblox, também se tornaram espaços onde a vulnerabilidade pode ser explorada. Uma ação judicial movida por uma mãe de Oklahoma, nos Estados Unidos, contra a plataforma reacende um dos debates mais sensíveis do nosso tempo: como proteger crianças em ambientes on-line que parecem seguros, mas não necessariamente são. A denúncia afirma que a empresa criou uma “falsa fachada de segurança”, permitindo que predadores encontrassem acesso fácil a menores.
A ação foi protocolada pelo Dolman Law Group no Tribunal Distrital dos EUA, na Califórnia, em nome do adolescente identificado como “John Doe JH”. O processo afirma que o Roblox opera, há anos, como um “campo de caça” para predadores sexuais, alegando falhas graves de triagem e monitoramento.
Segundo a denúncia, “como resultado direto do descaso imprudente do réu pela segurança da criança, o autor sofreu um trauma psicológico devastador e que alterou sua vida para sempre. Sua vida nunca mais será a mesma”. O documento também sustenta que a mãe acreditava estar oferecendo ao filho um ambiente projetado para o público infantil. “Sem que a mãe da autora soubesse na época, isso não passava de uma falsa fachada de segurança”, afirma o processo.
O adolescente era um “usuário assíduo do Roblox” quando, em 2023, foi alvo de um adulto que se passou por alguém da mesma idade. A denúncia detalha o uso de “táticas de aliciamento bem documentadas”, incluindo envio de imagens sexualmente explícitas e coerção para que o menor compartilhasse fotos íntimas.
“Explorando a confiança que lhe foi permitida construir por meio do aplicativo defeituoso do réu, o predador coagiu o autor a enviar imagens sexualmente explícitas de si mesmo, incluindo imagens de seus genitais”, diz o processo. A ação pede indenização por danos físicos e emocionais, despesas médicas e todo prejuízo associado ao uso da plataforma.
A resposta da empresa
“Estamos profundamente preocupados com qualquer incidente que coloque nossos usuários em perigo. Embora não possamos comentar sobre alegações apresentadas em processos judiciais, a proteção das crianças é uma prioridade máxima, e é por isso que nossas políticas são propositalmente mais rigorosas do que as encontradas em muitas outras plataformas”, respondeu um porta-voz da empresa ao The Christian Post.
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Morre Manoel Carlos, autor de novelas - Manoel Carlos, célebre autor de novelas, faleceu aos 92 anos. Sua carreira na televisão brasileira deixou um legado imensurável para a arte Segundo a companhia, apenas em 2025 foram lançadas 145 novas iniciativas de segurança. Entre elas, a exigência anunciada recentemente da verificação de idade por reconhecimento facial ou identidade antes de permitir bate-papos entre usuários da mesma faixa etária. “Essa inovação permite o bate-papo baseado em idade e limita a comunicação entre menores e adultos”, afirmou o porta-voz.
A empresa também destacou o uso de tecnologia avançada e moderação 24h por dia. “Entendemos que nenhum sistema é perfeito, e é por isso que trabalhamos constantemente para aprimorar nossas ferramentas de segurança e restrições da plataforma”, disse.
As críticas de especialistas
Para Tim Nester, vice-presidente de comunicações do Centro Nacional de Exploração Sexual, o cenário é mais crítico do que a empresa reconhece. Ele argumenta que o processo atual se soma a mais de “30 outros” envolvendo a plataforma.
“Não há dúvida de que o recurso de bate-papo do Roblox permitiu que predadores aliciassem crianças para abuso sexual”, afirmou. Segundo ele, menores também têm acesso facilitado a experiências sexualmente explícitas e podem trocar moedas virtuais, o que favorece coerção e extorsão.
“As crianças não devem ser vítimas de plataformas de jogos voltadas para o público infantil”, disse Nester, defendendo a aprovação da Kids Online Safety Act pelo Congresso norte-americano.
Casos que ampliam o alerta
O processo não é isolado. Em 2023, uma menina de 11 anos de Nova Jersey foi sequestrada por um homem que conheceu no Roblox, conforme noticiado pela emissora WABC. No mesmo ano, a NBC News relatou o caso de um predador que aliciou e abusou de um menino de 13 anos em Utah após contato inicial também pela plataforma.
Embora o Brasil ainda não registre processos de grande visibilidade contra plataformas de jogos internacionais, como ocorre nos Estados Unidos, as autoridades brasileiras têm identificado um aumento significativo de casos de aliciamento e exploração sexual infantil ocorrendo dentro de ambientes digitais, incluindo jogos on-line. Operações da Polícia Federal e dados da SaferNet revelam que criminosos utilizam esses espaços para estabelecer contato inicial com crianças, explorar vulnerabilidades emocionais e migrar rapidamente para aplicativos de mensagem, onde o controle familiar é menor.
Para os pais brasileiros, esse cenário exige vigilância ampliada, pois jogos aparentemente inofensivos podem se tornar portas de acesso para predadores, especialmente quando o anonimato e a comunicação privada facilitam abordagens silenciosas. Diante disso, acompanhar o uso das plataformas, estabelecer conversas frequentes sobre segurança digital e manter dispositivos configurados com filtros e restrições são passos essenciais para preservar a integridade emocional e física das crianças em um ambiente onde a diversão pode, infelizmente, conviver com riscos reais.
Com informações de The Christian Post

