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quarta-feira, 29 junho 2022

Noivado, um chamado solene de Deus para a perfeita união

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Nos tempos atuais, de relacionamentos fluidos e relativização, é importante resgatar conceitos bíblicos

Por Josué Gonçalves

A palavra “noivado” não aparece na Bíblia, pelo menos, não na Versão Almeida Revista e Atualizada. O que se encontra é a palavra casamento 25 vezes, das quais somente seis estão no Antigo Testamento. A palavra “núpcias” aparece em Romanos 7.3.

A melhor fonte de informação que temos está nas palavras “noivo” e “noiva”.

No AT, no salmo 19.5, o sol é comparado a um noivo [1] que entra no quarto da lua de mel. Em Isaías (61.10 e 62,5) as figuras noivo e noiva [2] aparecem como quem ainda se casará. Portanto o estado de noivo e noiva é anterior ao matrimônio. As demais referências referem-se à alegria da festa de casamento e da sua consumação em si.

[1]          חתנּ chathan – genro, marido da filha, noivo, marido

[2]          כלה kallah – noiva, nora 1a) nora 1b) noiva, esposa jovem

O ponto em que o noivo se torna marido é a “recâmara”:

“Congregai o povo, santificai a congregação, ajuntai os anciãos, reuni os filhinhos e os que mamam; saia o noivo da sua recâmara, e a noiva, do seu aposento” (Joel 2:16). Tão solene é o chamado que até o noivo e a noiva deveriam deixar seu santo ambiente de consumação de casamento para atender.

Até aquele momento das núpcias, ele é o noivo e ela, a noiva. Somente depois das relações sexuais é que se tornarão marido e mulher. Jesus fará referências ao noivo referindo-se a si mesmo (Mt 9.15; 25.1, 5, 6, 10; Mc 2.19, 20; Lc 5.34, 35). Durante a cerimônia de casamento na qual Jesus transformou a água em vinho a palavra aparece novamente em João 2.9 e João Batista refere-se a si quando diz que é o amigo do noivo e que Jesus seria o noivo. O mesmo João, no livro de Apocalipse, trará um oráculo contra a Babilônia, diz que não se ouvirá mais a voz do noivo (Ap 18.23).

Noivado, portanto, seria o período que antecede o casamento, depois do qual o casal será considerado marido e mulher, uma união indissolúvel, conforme recomendada pelo nosso Senhor (Mt 19.6 e Mc 10.9).

Podemos tomar por exemplo o caso de Isaque e Rebeca. Abraão mandou um servo buscar uma esposa para Isaque. O servo encontrou Rebeca e ficou combinado com a família de Rebeca, com os pais e com o irmão, inclusive com a anuência de Rebeca, que ela se casaria com Isaque. Presentes representando o dote foram dados pelo servo e o “negócio” foi selado. A partir daquele momento, Rebeca era noiva de Isaque. Era prometida. Ela pertencia a Isaque. Portanto, a partir da visita do servo de Abraão até o encontro de Rebeca com Isaque eles ficaram noivos – isso era o noivado.

O noivado bíblico era tão sério que as Leis de Moisés tinham prescrições diferentes para virgens “solteiras” e virgens “noivas”. “Se houver moça virgem, desposada, e um homem a achar na cidade e se deitar com ela, então, trareis ambos à porta daquela cidade e os apedrejareis até que morram; a moça, porque não gritou na cidade, e o homem, porque humilhou a mulher do seu próximo; assim, eliminarás o mal do meio de ti.” (Deuteronômio 22:23-24).

A pena era equivalente a um adultério, pois a moça virgem era noiva, “desposada”. Porém, se a moça virgem fosse “solteira”: “Se um homem achar moça virgem, que não está desposada, e a pegar, e se deitar com ela, e forem apanhados, então, o homem que se deitou com ela dará ao pai da moça cinquenta siclos de prata; e, uma vez que a humilhou, lhe será por mulher; não poderá mandá-la embora durante a sua vida.” (Deuteronômio 22:27-29).

Portanto, noivado era um sério compromisso contraído entre as famílias e entre os noivos. Haveria um tempo até que o casamento fosse celebrado, quando então, após as núpcias, o casal passaria definitivamente a ser um do outro, marido e mulher. Em certo aspecto, a igreja é noiva de Jesus e aguarda a volta dele para consumar o casamento. Na atualidade muitos relacionamentos fluidos e descartáveis têm sido experimentados. O namoro que era praticado em minha geração e que gerava toda sorte de problemas ficou até ultrapassado. Os jovens “ficam”, se tocam e acariciam, mas sem compromisso algum. Precisamos buscar na igreja uma prática mais parecida com os costumes bíblicos, nos quais o período de mútuo conhecimento não envolvia contato físico e o noivado era quase definitivo.

Josué Gonçalves é Presidente do Ministério Família Debaixo da Graça.

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