Israel – Especialistas analisam vitória de Netanyahu

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Há 13 anos no poder, Netanyahu assegura o inédito quinto mandato para o cargo de primeiro-ministro no país. Confira a análise de especialistas

O atual primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, vai conseguir mais um mandato à frente do cargo graças à sua capacidade de formar uma coalizão maior. A oposição, liderada pelo candidato Benny Gantz, reconheceu a derrota nesta quarta-feira (10) e disse que pretende “infernizar a vida do Likud”, o partido do premiê.

A vitória de Netanyahu o coloca como um recordista no cargo, ocupando-o pela quinta vez. A conquista se deve à coalizão dos partidos religiosos e conservadores com o Likud (partido político de Israel, que congrega o centro-direita e a direita conservadora). “Agradeço aos cidadãos de Israel por sua confiança”, disse nas redes sociais.

O que os especialistas dizem

Para o teólogo Luiz Sayão, da Igreja Batista Nações Unidas (SP), a vitória de Benjamin Netanyahu pode ser analisada sob dois aspectos: “Por um lado vai permitir que as coisas continuem como estão: seguindo uma postura de garantir a defesa de Israel contra as ameaças externas. O que, na minha opinião, não tem implicações diretas escatológica ou bíblicas. Por outro lado, o cenário muda porque foi uma vitória muito apertada. Netanyahu tem o parlamento em Israel, com 120 membros, muito dividido. Isso significa uma oposição acentuada que, provavelmente, vai trazer muitos problemas já que o país está bem polarizado. As acusações que existem contra ele podem trazer instabilidade política para Israel nos próximos anos”, explica o hebraísta.

Teólogo Luiz Sayão

O presidente da congregação judaica Messiânica de Vitória (ES), pastor Francisco Leonardo Cardoso, atribui a continuidade de Netanyahu no poder à sua postura diante do cenário externo que Israel vivencia.  “Ele segue uma linha bem firme sobre a importância e o papel de Israel, não somente no Oriente Médio, mas para toda humanidade. Israel é um país exportador de inteligência, de tecnologia e de novas invenções. Ele valoriza isso e tem colocado o país em um cenário de referência tecnológica e de inovações em todo o mundo”, pontua.

O pastor analisa que se o premiê foi eleito pelos cidadãos israelenses pela quinta vez, é estão satisfeitos pela liderança feita por ele. “Netanyahu adota uma postura bem rígida em relação aos palestinos por entender que eles não querem paz com Israel. Eles requerem  direito à Jerusalém e a territórios ocupados nas guerras anteriores. Mas, de fato, posso afirmar que o desejo do partido Hamas, que lidera os palestinos, é a destruição de Israel”, ressalta. “Então, para o premiê não existe negociação com quem quer prejudicar Israel. Ele entende que ceder uma parte é apenas um pretexto para uma futura exigência para que cedam ainda mais”, defende.

“É importante destacar que em Israel não existe uma grande representatividade da esquerda, quem disputou as eleições esse ano, foram dois partidos de direita, uma mais liberal e uma mais radical, que saiu vitoriosa. Para o partido de Netanyahu, Jerusalém e as Colinas de Golan são inegociáveis, diferente do que defende o partido de oposição de Gantz, que prometia uma negociação mais aberta com os países palestinos e com os países que não têm aliança de paz, como a Síria e Líbano” conclui pastor Francisco.

Relação com o Brasil
Rafael Simões

O estudioso em história e conflitos envolvendo Israel e o Oriente Médio, Rafael Simões, analisa que a reeleição de Netanyahu como primeiro-ministro representa uma vitória para Jair Bolsonaro, uma vez que o presidente brasileiro apostou alto em um alinhamento sem precedentes entre a diplomacia brasileira e Israel, sendo Netanyahu o fiador dessa aproximação, do lado israelense.

Bibi, como é conhecido em Israel é alguém pragmático e enxerga o Brasil como um aliado de peso no hemisfério ocidental capaz de influenciar outros países na América Latina. Bolsonaro, por sua vez, procurou se aproximar de Israel em uma viagem feita ao país, enquanto ainda era candidato e seu objetivo é desenvolver parcerias tecnológicas no campo da agricultura, recursos hídricos e militares. Ressalta-se, também, a busca do presidente brasileiro em agradar o eleitorado evangélico que foi fundamental para sua eleição e, em sua maioria, é pró-Israel.

O resultado

Benjamin Netanyahu, obteve a vitória com 26,27%, enquanto em segundo lugar ficou o general Benny Gantz, ex-ministro da Defesa, que conquistou 25,95%. Nestas releições, 64,6% dos 6,3 milhões de eleitores participaram.

Nos últimos dias da campanha, Netanyahu se comprometeu a anexar partes da Cisjordânia ocupada. A iniciativa encerra a perspectiva de paz com os palestinos. O principal opositor do Partido Azul e Branco (cores da bandeira de Israel), de centro, liderado por Gantz, também se considera vitorioso devido à pequena margem de diferença entre ambos.

Os eleitores foram às urnas para escolher os parlamentares do Knesset (Parlamento), que tem 120 lugares. Nos últimos dias da campanha, Netanyahu se comprometeu a anexar partes da Faixa de Gaza ocupada. A iniciativa encerra a perspectiva de paz com os palestinos.

*Com informações da Agência Brasil


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