Navio da Marinha chega à foz do Rio Doce

O navio hidroceanográfico “Vital de Oliveira” da Marinha do Brasil já está em Regência realizando análises do mar em Regência, em Linhares, Norte do Estado. A embarcação chegou nesta quinta-feira (26).

A embarcação será importante para mensurar os impactos da lama na foz do Doce e litoral capixaba e nela estão técnicos do Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos e pesquisadores de universidades.

O monitoramento será feito por meio dos equipamentos do navio. Serão onze pontos distribuídos na foz do Rio Doce, de forma radial com um ponto centralizado.  Além disso, será também feito monitoramento em linha reta mar adentro, da boca da foz até a queda da plataforma continental.

Segundo o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama), informou que a lama já se espalhou a cerca de 43 quilômetros para o Norte, ao Leste, mar adentro para uma extensão de 10 quilômetros, e para o Sul é de 2 a 3 quilômetros.

No sobrevoo realizado por técnicos do Iema nesta quinta-feira (26) foi identificado que a chamada ‘onda de lama’ deslocou-se aproximadamente 10 quilômetros ao sul, 6 quilômetros ao leste e 22 quilômetros ao norte da foz do Rio Doce. Cabe ressaltar que o deslocamento desta lama recebe influencia do comportamento das ondas e da direção do vento.

Recursos Hídricos
Foi realizada, também nesta quinta-feira (26), uma reunião do Conselho Estadual de Recursos Hídricos (CERH), instância do Sistema Estadual de Meio Ambiente. O encontro, além dos membros do colegiado como irrigantes, sociedade civil organizada, empresas e companhias de abastecimento, contou com a presença também de representantes dos Comitês de Bacia do Rio Doce, dos Pontões e Lagoas, do Barra Seca e da Foz do Rio Doce, do Santa Maria da Vitória e do Guandu, todos da porção capixaba do Doce. Também estava presente o procurador da Prefeitura de Colatina, Leonardo Souza, assim como o presidente da Agência Estadual de Recursos Hídricos (AGERH), Paulo Paim. 

A ideia era esclarecer a todos sobre as ações que estão sendo tomadas pelo Iema e a AGERH em função da presença da lama de rejeitos da Samarco no Rio Doce e em sua foz, assim como as atividades que vêm sendo feitas pela Samarco e acompanhadas pelo Governo do Estado.

Na ocasião, o secretário de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Rodrigo Júdice, que preside o CERH, destacou a importância da criação de um fundo por meio de negociações com o governo Federal e os estados de Minas Gerais e Espírito Santo com o intuito de mitigar os danos causados a foz e para a sua recuperação.  

“O Comitê do Doce já recebe recursos da Cobrança pelo Uso da Água para serem aplicados em prol de ações na bacia, como tratamento de esgoto, reflorestamento e desassoreamento. Nós reconhecemos o Plano de Recursos Hídricos do Doce já em andamento. O Estado também contribui com o Programa Reflorestar e a ANA com o Produtores de Água, assim como ONGs por meio do Instituto Terra com o Projeto Olhos D’Água. O que temos que pensar é como será a inclusão desses atores no processo de recuperação da foz. Há um interesse coletivo, mas precisamos nos organizar e temos elementos legais para isso”, afirmou.

Justificativa
Por ter muita contestação sobre sua decisão em abri a foz do Rio Doce para escoar a lama do Rio Doce, o juiz da Vara Fazenda Pública de Linhares, Thiago Albani de Oliveira, através da TV Justiça, que a iniciativa foi tomada com base na orientação dos técnicos sobre a boca da barra.

“Manter a foz sem saída para o mar e passagem do rio, a água ficaria retida e, em caso de chuva, aumentar o nível do rio e a água contaminada seria levada para os lagos e rios adjacentes por inundação. Os peixes que estão lá serão utilizados para repovoar o Rio Doce depois. Além disso, os técnicos nos explicaram em audiência pública que no mar há mais facilidade para dispersar a lama por conta da salinidade da água”, acrescentou.