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sábado, 14 DE fevereiro DE 2026
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Natal: verdades e fatos curiosos sobre o nascimento de Jesus

Pesquisas bíblicas e registros históricos revelam diferenças entre o presépio popular e os reais fatos que cercam o nascimento de Cristo

Por Cristiano Stefenoni

Jesus pode ter nascido em outubro e os magos do Oriente não eram reis, muito menos encontraram o menino na manjedoura. Entre o presépio dos shoppings e os fatos históricos que envolvem o nascimento de Cristo há uma distância enorme. Claro, nada disso tira a beleza e a simbologia do Natal, mas saber a verdade dos fatos ajuda tanto no aumento do conhecimento como no fortalecimento espiritual.

Primeiro é importante entender que o nascimento do Messias dificilmente teria acontecido em dezembro, por questões geográficas, culturais e climáticas que a própria Bíblia indica. Segundo o historiador e teólogo, pastor Wagner Augusto Vieira Aragão, o texto de Lucas 2:8 oferece uma pista crucial: havia pastores nos campos vigiando seus rebanhos durante a noite.

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“Em Israel, dezembro marca o auge do inverno, com frio intenso e chuvas que obrigam o recolhimento dos rebanhos para abrigos fechados a partir de novembro. A presença de rebanhos ao ar livre sugere um clima mais ameno. Somando-se a isso o cálculo dos turnos sacerdotais – Zacarias, pai de João Batista, pertencia ao turno de Abias –, estudiosos apontam que Jesus provavelmente nasceu no outono do hemisfério norte (entre setembro e outubro)”, explica.

Além disso, segundo o pastor, essa data coincidiria com a Festa dos Tabernáculos (Sucot), carregando uma profundidade teológica imensa: o momento em que Deus, literalmente, “armou sua tenda”, ou seja, “tabernaculou” entre a humanidade. “A data de 25 de dezembro foi fixada séculos depois do evento, possivelmente para coincidir e ressignificar festivais romanos de inverno, como a Saturnália”, diz.

Os três reis magos não eram reis nem magos

Outro fato curioso é em relação aos magos do Oriente. A Bíblia não fala que eram três. Aliás, textos siríacos do século XIII, o Livro da Abelha e a Revelação dos Magos, dizem que era uma caravana com 12 integrantes. O número três, no caso, foi fixado na Igreja Ocidental no século VI, por causa dos três presentes que eles levavam.

Os nomes Melchior, Gaspar e Baltazar não aparecem na Bíblia, mas em textos latinos do Ocidente cristão, com a primeira referência encontrada no início da Idade Média, em Excerpta Latina Barbari.

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“Eles não eram reis, mas sábios e estudiosos das estrelas, provindos da região da antiga Babilônia ou Pérsia, onde provavelmente tiveram contato com as profecias hebraicas deixadas por Daniel séculos antes”, afirma Aragão.

Jesus não estava mais na manjedoura

Outra curiosidade é que, ao contrário dos pastores que visitaram o menino Jesus em uma manjedoura, os magos do Oriente tiveram esse encontro tempos depois, quando a criança já deveria estar em casa com os pais José e Maria, inclusive, poderia até estar andando.

“Os pastores visitaram o bebê (brephos) na manjedoura na noite do nascimento. Já os magos, vindos do Oriente, chegaram tempos depois. O evangelho de Mateus relata que os magos entraram em uma casa (não mais um estábulo) e encontraram o menino (paidion, termo usado para crianças que já andam). Isso explica a terrível decisão de Herodes de eliminar crianças de até dois anos, baseando-se no tempo em que a estrela havia aparecido aos magos”, explica.

O pastor faz questão de ressaltar que os presentes entregues pelos magos tinham um simbolismo profético. “O ouro era reconhecimento de Jesus como Rei; o incenso, reconhecia sua divindade e sacerdócio; e a mirra, era uma erva usada em embalsamamentos, profetizando silenciosamente que aquele Menino nascera para morrer pela humanidade”, pontua.

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Cadê o ano 1?

A datação do ano do nascimento de Jesus também é algo que merece atenção. Como pode o Messias ter nascido entre o ano 6 a.C. e 4 a.C., sendo que o próprio Cristo marca a divisão do calendário? Não seria no ano 1 ou zero? Nesse caso houve um erro histórico no calendário.

O pastor explica que o calendário que utilizamos hoje, o Gregoriano, baseia-se nos cálculos feitos no século VI pelo monge Dionísio, o Exíguo. Ele cometeu um equívoco ao calcular o ano da fundação de Roma, gerando um descompasso cronológico. Além disso, a Bíblia afirma que Jesus nasceu nos dias do rei Herodes, o Grande.

Fontes históricas, como o historiador judeu Flávio Josefo, corroboram com dados astronômicos de que Herodes morreu em 4 a.C. “Portanto, para que Jesus tenha nascido antes da morte de Herodes – e considerando o tempo necessário para os eventos da matança dos inocentes – a data mais provável para o nascimento de Cristo situa-se entre 6 a.C. e 4 a.C. Vale lembrar também que, matematicamente e historicamente, não existe o ‘ano zero’; nosso calendário salta de 1 a.C. diretamente para 1 d.C”, afirma.

Simplicidade conquistou e afastou ao mesmo tempo

E apesar da simplicidade do nascimento de Jesus ter sido previsto em profecias como Miqueias 5:2 e Isaías 53, é exatamente esse cenário humilde que fez com que, até hoje, os judeus não reconhecessem Cristo como o Messias prometido.

“Essa ‘simplicidade escandalosa’ foi a pedra de tropeço para a liderança religiosa da época. Sob o jugo opressor de Roma, os judeus ansiavam por um Messias Político, um libertador militar – o Leão da Tribo de Judá – que expulsaria os romanos à força. Eles queriam o Reino da Glória sem passar pelo Reino da Graça”, ressalta o pastor, que completa:

“Quando Jesus surge, não em um palácio, mas em uma manjedoura; não pregando a guerra, mas o amor aos inimigos; Ele quebrou a ‘fôrma’ que haviam criado para o Messias. Eles não conseguiram aceitar que a libertação prometida era, primeiramente, da escravidão do pecado, e não da escravidão de Roma”.

Pastor Aragão conclui lembrando que, mais importante do que curiosidades históricas, é o fato de um dia Jesus ter vindo a essa Terra para salvar a humanidade. “Saber que Ele nasceu em uma data incerta, em um ano ‘errado’ aos olhos humanos e foi rejeitado por não cumprir expectativas políticas, apenas ressalta o caráter surpreendente da Graça. O fato histórico da encarnação permanece inabalável: Deus se fez homem, entrou na nossa história real e bagunçada, para nos oferecer uma esperança eterna”, conclui.

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