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terça-feira, 26 janeiro 2021

Natal: Ações de amor que devem perdurar por todo o ano

A época do Natal desperta nas pessoas o sentimento de solidariedade e as leva a olhar uma realidade esquecida durante o ano e a pensar um pouco mais no outro. Como cristãos, essa ação deveria ocorrer neste e em outros períodos, para dar uma vida mais digna aos que sofrem.
À luz da Igreja Primitiva, o envolvimento dela com a comunidade onde está inserida é muito importante para o desenvolvimento da congregação e expressa o amor de Deus pela humanidade. Essa afirmação é do professor, mestre em teologia e escritor Vanderlei Gianastácio, em seu livro “Responsabilidade Social, Serviço e Cidadania”. De acordo com o especialista, infelizmente, muitos cristãos estão perdendo a essência do amor ao próximo, fechando-se em suas igrejas e se distanciando do viver em comunidade. Ele defende que a ação da igreja não seja em uma data específica, tampouco um simples assistencialismo com cestas básicas. “Se as igrejas fizerem apenas isso, as pessoas assistidas se sentirão dependentes. Mas, além disso, o que as igrejas precisam fazer é resgatar a dignidade do ser humano, e para tanto precisam agir refletidamente”.

O autor lembra como viviam os cristãos de Jerusalém, que chegavam a vender os bens conforme surgiam os necessitados; o mais importante eram as pessoas, e não os bens. “Apesar de ser uma instituição imperfeita […] a Igreja comunicou ao mundo da sua época um estilo de vida radicalmente diferente”.
Em sua obra, Gianastácio afirma que a Igreja de Jerusalém viveu o que realmente pregava e cita 1 João. 3:18, quando o apóstolo explica que o amor não consiste em palavras, mas em fazer.

Mutirão de Natal
Para o pastor adjunto da Igreja Adventista Central de Vitória, Alexandre Ferrari, o ensinamento do Mestre Jesus está sendo colocado em prática, e não só nesta época, quando a membresia realiza o Mutirão de Natal. Esse evento, que já tem uma década, só em 2013 arrecadou 100 toneladas de alimentos e material. Mas o cuidado com as famílias carentes é durante todo o ano. Ele conta que há o comprometimento da igreja com a integridade da pessoa assistida. “O diferencial desse projeto é que não é pontual, e a nossa missão vai além do evangelizar”. “Nós começamos na época do Natal, mas o envolvimento é tão grande, que já conseguimos que haja um vínculo entre aquelas pessoas carentes e os membros da igreja, que se tornam padrinhos, ajudando com o que podem, seja com educação das crianças, saúde, trabalho, e isso durante todo o ano”, conta Alexandre.

O pastor ressalta que a igreja entende que o Mutirão de Natal não é apenas uma doação de alimentos e brinquedos, mas de atenção, de carinho, de importância. “Buscamos desenvolver na membresia um interesse real pela vida de quem está sendo beneficiado”. A igreja assiste, atualmente, 70 famílias carentes cadastradas, não só com cestas básicas, mas também com cursos específicos para que consigam se posicionar no mercado de trabalho, além de atendimento com as crianças. “A cesta é uma ajuda, mas não resolve o problema. A igreja apoia na geração de renda”. Há preocupação em inserir aquela família no mercado de trabalho, como há o empenho em levar as pessoas a conhecerem a Deus, por meio dos cultos e da Escola Bíblica, que é feita para cada faixa etária. “Estamos desenvolvendo em nossos membros a desconstrução do hábito de achar que não temos o suficiente
E fazemos isso envolvendo a todos, da criança ao adulto na visitação às famílias carentes. Antes, fazíamos a entrega na igreja, mas agora isso acontece na casa da pessoa. E aí muda tudo, porque o membro da igreja se depara com o real, o que faz toda a diferença”.
Porque você ama

O pastor da Igreja Batista da Praia das Gaivotas em Vila Velha, Pedro Siqueira, também desenvolve lá o projeto “Não é porque você tem, mas porque você ama”, que há quatro anos vem promovendo na época do Natal um apadrinhamento de crianças carentes. “Começamos em uma escola em Terra Vermelha, mas a procura foi tão grande, que tivemos que modificar nossa ação, e hoje trazemos as crianças e as famílias para a área do templo, que é maior”.  Neste ano, 160 crianças estarão sendo abençoadas com o projeto, que será realizado no dia 21. No culto onde foram apresentadas as fichas das crianças a serem alcançadas, rapidamente todas foram pegas pelos membros da igreja. “Vemos que tem crescido o interesse da igreja pela ação social, pela comunidade”.
Ele conta que são três meses de preparação antes de o projeto ser executado. “Vamos até as casas das crianças e das famílias que cadastramos, conversamos, vemos as necessidades, fazemos uma triagem, e montamos toda a estrutura para recebê-las e abençoá-las. A igreja se envolve como um todo. E não são somente brinquedos, mas temos o cuidado com o vestir, o calçar, e um atendimento às grávidas”.

O pastor Pedro conta que há projetos de trazer a comunidade para a área da igreja, sem ser na formalidade de um culto, mas acreditando que no tempo de cada uma, as pessoas serão alcançadas pelo Espírito Santo. “A comunidade precisa perceber a igreja no seu contexto. Temos alguns projetos para o uso da nossa área social, que é uma boa área, onde queremos que a comunidade, também, usufrua deste espaço. Vamos oferecer boa música e esporte. Não será um culto, mas uma alternativa sadia de espaço e lazer, até com mais segurança do que na praça”. Ele destaca que foi feita recentemente na área da igreja uma ação que levou à comunidade uma Ação Cidadã. “Em um sábado levamos os serviços do Procon, da Promotoria Civil e de Família, e assim possibilitamos um atendimento em horário diferenciado das repartições públicas, abençoando o povo”.

Servidor público que participa há alguns anos do projeto do Natal da Igreja Batista da Praia das Gaivotas, Léo Silveira descreve que estar com as crianças e as famílias é algo que mexe com ele. “É um grande choque de realidade ir até eles, vê-los e senti-los. Ao mesmo tempo, é motivo de muita alegria perceber que algumas crianças, ainda, têm motivos para sorrir, mas algumas já perderam a alegria, e isso nos afeta. Passei a valorizar mais as pequenas coisas, as coisas simples. Não é preciso muito para ser feliz, e Deus nos mostra isso”. Ele revela que incentiva muito os filhos a se envolverem. “Meus filhos se sentem felizes no dia da entrega dos presentes. Querem fazer fotos com as crianças. Isso para eles têm feito muito bem. Eles veem que podem, conseguem e querem ajudar a quem tem menos. Eles entendem as diferenças, mas que essas diferenças não os afastam. E que é possível ser feliz com o que se tem”.

Valores cristãos
O Natal é mais uma época de muito trabalho para a assistente social Tereza Rosa, da Igreja Batista da Ponta da Fruta, que trabalha com as duas associações de catadores de material reciclável de Vitória. Nesta época ela mobiliza um pequeno exército para ajudar a oferecer um dia especial para crianças, idosos, famílias carentes e catadores. Não apenas neste período, mas em todo o ano, ela está envolvida com a ajuda ao próximo, e as duas filhas, Paula, de 15 anos, e Lorena de 13, também participam das mobilização da mãe. “Minhas filhas vão comigo às atividades que realizo com crianças, idosos, pessoas com transtornos mentais. Participam, ajudam nos preparativos, cantam e tocam para alegrar os excluídos e aprenderam a dividir o que têm de melhor”. Mas todo esse envolvimento não é algo simples e fácil, reconhece Tereza. “Vejo que as igrejas, em sua maioria, têm valores voltados apenas para dentro delas, um olhar para o seu. Na verdade, os valores cristãos precisam ultrapassar os muros dos templos e chegar à sociedade, que está sedenta de amor, amizade e integração, que são oferecidos apenas aos fiéis”.

E Tereza acredita que esse posicionamento, o qual chama de “caixa fechada”, ocorre por falta de compreensão dos membros, da liderança, sobre o papel do cristão no mundo, que é seguir o Evangelho de Jesus. “Jesus veio ao mundo para nos salvar e nos ensinar a amar.
E este amor está fechado nas quatro paredes dos templos, transmitido apenas aos irmãos na fé, e isso não é mérito nenhum, pois amar os que comungam da mesma ideia é fácil. Difícil é amar o miserável, que cheira mal no corpo e na alma. E uma de nossas funções é exatamente transmitir o amor de um Cristo que transforma e muda realidades”. Mas ela ressalta que muitas igrejas já estão se mobilizando para esse agir, e não só no Natal, como é o caso das duas associações de catadores, que estão recebendo apoio, em várias áreas, de igrejas do entorno, como da Batista Monte Sinai, em Itararé, da Assembleia de Deus, da Metodista, da Casa de Oração, da Missão e Vida e do  Ministério Ágape.

“Graças a essas igrejas, nunca mais faltaram alimentos e remédios para os catadores das duas associações. Elas fizeram a reforma da sala de aula, para alfabetização de adultos, da cozinha e do refeitório. E semanalmente temos a realização de um culto de oração. Antes, havia resistência de alguns catadores em participar, mas agora eles aguardam com ansiedade. Alguns já se converteram, pois veem que as pessoas que pregam o Evangelho também vivem”.
Tereza lembra, com alegria, que os catadores ganharam até um Dia de Beleza, com a ajuda dos voluntários. “Foi um momento emocionante ver mulheres que estavam tão maltratadas sendo cuidadas e resgatando sua autoestima, além dos homens que receberam, também, muitos cuidados”.
No dia 19 de dezembro sete igrejas do entorno se unirão para realizar uma Festa de Natal para os catadores, com direito a uma cantata com os próprios trabalhadores, que está sendo preparada pelo ministério de música da Igreja Batista de Itararé. Cada catador receberá uma cesta com produtos natalinos; e os filhos, que foram apadrinhados por vários membros das igrejas, ganharão brinquedos novinhos.

Música
Mas não são só com brinquedos, cestas natalinas, atenção que a igreja pode demonstrar o amor que tem pelos seus e pelas suas comunidades. O louvor também é um meio para isso e este tem sido um dos objetivos do ministro de música da Igreja Batista da Orla, Paulo Paraguassu, que já promove pela segunda vez concertos convites para a Cantata de Natal, que será realizada, neste ano, no dia 21, no templo da congregação. O coro sai pelas ruas apresentando trechos da cantata a ser apresentada na igreja. “São concertos-convite, pois vamos a alguns pontos do nosso bairro e lá cantamos trechos de algumas músicas, com todo o entusiasmo que será apresentado na comemoração de Natal, como um convite para o culto especial”.

Paulo conta que realizou a primeira saída do coro no ano passado, indo a prédios e casas de pessoas da igreja que não poderiam estar na celebração do Natal, pois estavam doentes ou com problemas. “Foi muito bom estar na frente das casas das pessoas e abençoá-las com a música, e acabamos alcançando não só os membros, como os moradores da comunidade, que foram muito receptivos com a nossa presença”. Mas não é só no Natal que o ministro de música busca aproximar a comunidade da igreja. No Dia de Finados, um grupo de músicos foi até os cemitérios da cidade para levar conforto a quem estava visitando os túmulos. “Uma experiência enriquecedora, porque as pessoas se sentiram amadas pelo grupo. E naquele mesmo dia, um casal foi visitar a igreja no culto à noite”. O ministro, que já levou um musical da Disney, o Coro Curimim e o Grupo de Jazz da Faculdade de Música do Espírito Santo para apresentações no templo, acredita que esta é uma forma de contextualizar a igreja na comunidade. “Muitas pessoas que, provavelmente, nunca entrariam na igreja, a partir de momentos como esses conhecem o local e se sentem comovidas a voltar e assistir a um culto, pela boa recepção que sentem dos membros”.
A igreja deve desenvolver constantemente a ajuda ao próximo, não apenas na época do Natal ou outro momento marcante, praticar o Evangelho que liberta e resgata a dignidade do ser humano, como ponderou Teresa Rosa ou nas palavras do pastor Alexandre “Devemos ir além de abrir a Bíblia. Devemos viver a prática do evangelho, pois o povo está carente de amor, atenção, carinho, um amor que não conhecem, e o povo de Deus deve se sentir privilegiado em desenvolver o evangelho na prática”.
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