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quinta-feira, 7 julho 2022

Nasce uma geração de desiludidos

O que mudou na educação das crianças neste novo cenário marcado por pandemia e guerra? O que se passa na cabecinha delas? Confira a entrevista com o pastor da Igreja Presbiteriana Comunidade da Vila, em São Paulo, Marcos Botelho

Por Lilia Barros

1) Como educar filhos em tempos de ideologia de gênero?

O desafio da ideologia de gêneros é o mesmo que sempre existiu. A igreja primitiva teve que educar seus filhos diante de Roma, um império que tinha valores totalmente distorcidos naquela época, da fé cristã, desde os valores de gênero, como dos valores de uma criança, das mulheres, etc. A Bíblia diz: Ensina a criança no caminho que deve andar… Não é um caminho, é durante a caminhada, ensinando a criança como se comportar diante de temas como a violência, o gênero, o preconceito.

2) Então não é mais difícil educar filhos nos tempos atuais?

Nós gostamos de eleger um tempo mais difícil para uma tarefa que só precisa ser espelhada no que Jesus faria. Não acredito que estamos vivendo um tempo mais difícil, só acredito que o foco é diferente então só devemos orar e orientar para que nossos filhos tenham temor e amor a Deus.

3) Como fica a cabecinha das crianças numa época tão pessimista, com um cenário de pandemia seguida de guerra e rumores de guerra?

Tenho um filho de seis anos e uma menina de três, ela não sabe o que é uma vida sem máscara, mas já passamos por momentos muito piores. Pandemia já tivemos a menos de 100 anos e a menos de 100 anos também tivemos guerra mundial, então as crianças já nascem totalmente desiludidas, aliás a gente é fruto da desilusão do futuro, e isso trouxe uma ênfase maior para o presente, somos os pais, uma geração que valoriza o presente mais do que o futuro e mais do que o passado e isso nos tornou imediatistas, preocupados em querer soluções imediatas.

4) Querer soluções rápidas é um erro?

A Palavra de Deus não nos traz soluções imediatas, ela nos traz processos. devemos semear coisas nos nossos filhos e colhê-las no futuro, dependendo da graça de Deus. Nesse tempo de pandemia e de guerra é mais sobre o que está na cabeça dos pais do que das crianças, me preocupo mais com as reações imediatistas dos pais, suas decisões impulsivas do que a cabeça das nossas crianças, muitas delas não estão entendendo (nem os pais rs) o que está acontecendo.

5) As novas gerações são mais ou menos preparadas para esse tipo de enfrentamento?

O livro da sabedoria (Provérbios) diz que não há coisa nova debaixo dos céus e esse ciclo nossos pais e avós já viveram, e de certa forma nós somos influenciados pelo que eles já viveram, então a gente não está mais preparado, acredito que nossos filhos não estão mais preparados, não acredito muito na evolução do ser humano porque na verdade continuamos os mesmos. Às vezes damos um passo a frente, às vezes dois para trás mas somos os mesmos que estavam escravizados no Egito e a mão de Deus nos tirou de lá. Somos os mesmos que duvidaram de Jesus quando ele caminhava como Deus encarnado aqui na terra, somos os mesmos desde sempre, não acredito que estamos mais preparados. O que a gente pode é se preparar com mais calma olhando para o nosso passado e principalmente para Deus que é uma aliança do passado e fez para os nossos antepassados milagres. Deus é o mesmo ontem e hoje e ele pode nos preparar, é um processo de olhar mais para trás do que para frente para que a gente aprenda que o que estamos vivendo no dia de hoje não é uma novidade, apenas uma repetição de ciclos que a humanidade passa e que Deus tem avisado.

6) Todo esse enfrentamento serve para amadurecer os filhos ou é prejudicial à saúde mental, emocional e espiritual deles?

Nisto eu acredito que a gente deu alguns passos para trás. O isolamento nos fiez mergulhar nas redes sociais, esse sim é um lugar extremamente tóxico para qualquer saúde mental tanto dos pais que achavam que o trabalho de home office iria ser mais saudável, mas percebeu que trabalhar e ajudar as crianças os estavam enlouquecendo, quanto para os filhos que tentaram fazer aula on-line e viram que isso é praticamente impossível para crianças novas estudarem com tantas telas, tantos problemas de ansiedade, problemas de vistas, entre outros físicos, emocionais e espirituais, Isso sim é uma preocupação imediata, e toda a igreja e pais vão ter que correr atrás desse prejuízo.

7) Por onde começar?

Quando entramos em um avião somos orientados a colocar a máscara em nós mesmos e depois em nossos filhos em caso de despressurização. Estamos tentando voltar uma vida como antes ou melhor, então se preocupe primeiro com você, coloque a máscara para recuperar o oxigênio necessário para o funcionamento do corpo e mente, respire e veja o quanto a pandemia e o isolamento piorou a saúde dos pais. Não adianta tentar ajudar os filhos se os pais ainda não estão no lugar aonde Deus quer que eles estejam.

 

 

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