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terça-feira, 20 DE janeiro DE 2026

Nas trilhas da incerteza

Por Rodrigo Augusto Prando

Os tempos que correm, neste século XXI, estão mais próximos das incertezas do que de um cenário claro e estável. O mundo – e o Brasil – estão em compasso de espera, já que as certezas se afastam e as trilhas das incertezas se avolumam.

Superamos, por enquanto, a pandemia. O Brasil, neste caso, conjugou não apenas a crise pandêmica, mas, também, uma crise política, alimentada por ações que confrontaram as instituições e, no limite, o próprio Estado Democrático de Direito. Tivemos, em 2022, uma das eleições mais polarizadas de nossa história e, no princípio de 2023, um ataque coordenado às sedes dos três Poderes da República, cenas que, provavelmente, marcaram de forma indelével nossa democracia e sua resiliência.

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Ainda no período tomado pela pandemia, o mundo assiste à invasão russa na Ucrânia, com o presidente russo, Vladimir Putin, buscando reafirmar a força geopolítica e nuclear de seu país. Não houve resolução para este conflito e, estupefatos, acompanhamos as cenas bárbaras dos ataques terroristas do grupo Hamas a Israel e, como não poderia deixar de ser, a resposta bélica israelense que, não apenas terroristas, mas tem atingido civis e crianças, deixando morte, feridos e espaços devastados.

Há incertezas no campo da política, com desconfianças por parte dos cidadãos em relação à democracia representativa, em relação aos partidos e aos políticos. O discurso antipolítica é amplamente aceito e abre espaços para inúmeros tipos de aventureiros que, numa ótica salvacionista, agridem as instituições e constroem discursos e práticas autocráticas, aqui e acolá. Nas relações sociais acompanha-se, com receio e até certa agrura, o avanço da Inteligência Artificial que pode colocar substituir trabalhos que, antes, eram exclusivamente humanos, mormente, aqueles ligados à criatividade, à escrita e às tarefas de gestão. Não menos importante, é compreender uma sociedade na qual as fake news, teorias da conspiração, negacionismos e pós-verdade ganham dimensão capaz de construir, para muitos, uma realidade paralela assentada numa dissonância cognitiva coletiva.

Por fim, sem alarmismo, mas com exata noção de sua importância, é trazer à tona os eventos climáticos extremos que pululam em várias partes do mundo. Ondas de calor extremas e, na sequência, chuvas torrenciais que, não raro, trazem mortes e prejuízos materiais incomensuráveis.

Este escrito não se quer pessimista, tacrisempouco otimista e sim realista. Sendo assim, há que se mobilizar esforços – individuais e coletivos – vislumbrando ações que possam ser mais virtuosas e, porque não, mais repletas de generosidade, cidadania e sustentabilidade. O futuro é incerto, sabemos, no entanto, neste ritmo podemos imaginar que não será um futuro simples e nem fácil se insistirmos em muitas de nossas opções.

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Rodrigo Augusto Prando atualmente, é Professor Assistente Doutor da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM), do Centro de Ciências Sociais e Aplicadas. Na Graduação, ministra as disciplinas de Introdução às Ciências Sociais, Sociologia e Sociologia das Organizações. Na pós-graduação lecionou a disciplina Sociologia do Terceiro Setor. Administrativamente, foi Coordenador Didático da área de Sociologia e Humanidades e, posteriormente, Professor Responsável pela Linha de Formação Humana e Social, do CCSA – UPM (2006-2013) e foi Professor Responsável pelo curso Lato Sensu de Gestão em Organizações do Terceiro Setor (2005-08). Lecionou, na Unifae, em São João da Boa Vista, Sociologia e Política para o curso de Publicidade e Propaganda e no Mestrado em Desenvolvimento Sustentável e Qualidade de Vida. Na tese de doutorado versou acerca da trajetória intelectual e política de Fernando Henrique Cardoso e fez análise de conteúdo dos discursos presidenciais (1995-98). Na UPM, realizou pesquisas no Núcleo de Estudos do Terceiro Setor (NETS), no Núcleo de Empreendedorismo e Desenvolvimento Empresarial (NEDE) e no Núcleo de Pesquisa em Qualidade de Vida (NPQV). Desenvolve pesquisas e orienta nas áreas de empreendedorismo, empreendedorismo social, gestão em Organizações do Terceiro Setor, Responsabilidade Social Empresarial, história e cultura brasileira, Pensamento Social Brasileiro e Intelectuais e poder político e cenários políticos brasileiros. Como analista de cenários políticos brasileiros, é, constantemente, entrevistado por emissoras de televisão, jornais e rádios, como, por exemplo, Rede Globo, Globo News, Record News, TV Cultura, Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, Rádio Eldorado, TV Gazeta, entre outros.

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