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terça-feira, 14 julho, 2020

Não sou mais gay. E agora?

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Ex-gays compartilham sobre as dificuldades que encontraram ao resolver retornar à orientação sexual de origem e garantem: a decisão foi libertadora

Por Cris Beloni

Depois que a revista Science divulgou o resultado da maior pesquisa sobre genética e sexualidade, provando que “não existe um gene gay”, muitos estão questionando sobre a origem da atração por pessoas do mesmo sexo. A escritora e palestrante Débora Fonseca, coordenadora da “Missão Luz na Noite”, em Vitória (ES), acredita que “tudo tem a ver com o atual liberalismo que remonta aos estágios da revolução sexual”.

“O sujeito chega à igreja e diz: ‘Deixei de ser gay, e agora?’. A dúvida é se ele será abraçado, acolhido e amado, independentemente de como ele fale, ande ou se comporte” – Débora Fonseca, coordenadora da “Missão Luz na Noite”, em Vitória (ES)

Ela explica que não foi apenas a homossexualidade que “saiu do armário”, mas também a sexualidade de um modo geral. “Hoje em dia, por exemplo, vemos o rumo que tomou a pornografia e, na sequência, os fetiches sexuais, poliamor, bestialismo [sexo com animais] e ainda o fenômeno do sexo com robôs. Tudo está descontrolado, o antigo padrão binário dos papéis sexuais pela nova ordem ideológica de gênero se tornou descompassado”, disse.

Desde 2001, a missionária e sua equipe apoiam pessoas que querem abandonar a prática da homossexualidade. “Trabalhamos com evangelismo e assistência social aos ‘profissionais do sexo’ e homossexuais e também com as igrejas, para que aprendam a lidar com essas pessoas sem discriminá-las”, explicou. Gays e ex-gays merecem igualmente a atenção da sociedade, mas estes últimos estão encontrando várias barreiras.

Recentemente, a ministra Damares Alves recebeu o Movimento de Ex-Gays no Brasil (MEGB) e reconheceu publicamente sua existência. “Como ministra de Direitos Humanos, eu os recebi. Esse grupo existe sim e não é pequeno”, disse. Entre as dificuldades apresentadas para a reinserção dessas pessoas na sociedade, estão os trejeitos. Tom de voz e gestos muito delicados, por exemplo, colocam em dúvida a masculinidade ou a feminilidade de alguns.

Como lidar com os trejeitos

A líder do MEGB, Miriam Fróes, 55, de Limeira (SP), conta que, ao deixar a prática homossexual, teve que lidar com um longo processo de reintegração social. “Eu tinha um jeito masculino e sentia que aquele estereótipo me protegia como uma couraça. Quando abandonei a homossexualidade, observava como as mulheres se comportavam e fui me livrando daqueles trejeitos aos poucos”, lembra.

“Há muitas lutas internas e externas, dificuldades e preconceitos durante o processo de saída da homossexualidade” – Miriam Fróes, líder do Movimento de Ex-Gays no Brasil (MEGB)

Recentemente, Miriam escreveu seu primeiro livro, “Entre Dois Caminhos”, em que conta sua história e revela detalhes de sua transformação. “Há muitas lutas internas e externas, dificuldades e preconceitos durante o processo de saída da homossexualidade e de permanência na presença de Deus”, disse.

Em sua obra, ela criou uma espécie de “passo a passo” para deixar o mundo gay. Resumidamente, os dois caminhos apresentados pela escritora são o “largo” e o “estreito”. Ela conta que por onde passou encontrou muitos atalhos que compõem seus dias de luta, que compartilha visando ajudar os “indecisos no meio desse percurso”.

O estilista Ronaldo Ésper, paulista que ficou famoso no Brasil pelas participações em programas de TV, disse que experimentou uma grande mudança de vida aos 73 anos de idade.

Em 2017, revelou que abandonou de vez a homossexualidade ao se converter ao cristianismo. Em entrevista à apresentadora Daniela Albuquerque, no programa “Sensacional”, da Rede TV!, Ésper reconheceu que “na Bíblia estão o certo e o errado”. Sobre os trejeitos, ele disparou: “Não vai ter jeito”, acrescentando em seguida que “há muitos sem trejeitos e que são [homossexuais]”.

[1] Débora Fonseca, que também atende como conselheira cristã, destacou que “o foco maior não está no exterior, mas no coração da pessoa”. Ela acredita que os trejeitos fazem parte do que é aprendido socialmente e não dizem respeito só às questões sexuais, mas também ao comportamento de um modo geral.

“Nós, que olhamos mais para o exterior, acabamos sempre caindo nessa questão dos trejeitos: a mão mole, a voz macia, um jeito afeminado ou masculinizado”, sublinhou. “Nem a Igreja acredita na conversão de homossexuais, ela sempre duvida, até mesmo por conta desses trejeitos que podem ser conservados ao longo da vida”, complementou.
Para a escritora, a Igreja precisa aprender a lidar com as diferenças, que em si não consistem em pecados. “Existem algumas coisas que não vão mudar, e olha que estamos falando apenas de trejeitos.

O que dizer então daqueles que passam por cirurgias e mudam radicalmente o corpo, sem a possibilidade de uma reversão?”, questionou.

“O sujeito chega à igreja e diz: ‘Deixei de ser gay, e agora?’. A dúvida é se ele será abraçado, acolhido e amado, independentemente de como ele fale, ande ou se comporte. Deus já nos alertou sobre isso através da Palavra”, lembrou – “O Senhor não vê como o homem: o homem vê a aparência, mas o Senhor vê o coração” (1 Samuel 16:7). Em seus dois livros, “Aconselhando Cristãos em Luta Contra a Homossexualidade” e “Uma Fera em Busca de Sentido”, ela aborda todos esses temas com mais profundidade.

Adictos e celibatários

Originalmente, a palavra “celibato” se refere a pessoas que não são casadas, ou seja, as solteiras que não praticam sexo. E “adicto” descreve aqueles que apresentam “compulsão” por algo. Atualmente, esses dois termos têm sido muito usados pelos que abandonam a homossexualidade. Os compulsivos sexualmente [adictos] optam pelo celibato a fim de não se relacionarem mais com pessoas do mesmo sexo.

É o caso de um gerente de Marketing de 43 anos, pós-graduado em Inteligência de Mercado. Morador de Atibaia (SP), ele pediu para não ter sua identidade revelada nesta entrevista exclusiva à Comunhão. “Quando nasci, minha família, que era cristã, vivia um grande drama. Meu pai era músico na igreja, mas decidiu experimentar o mundo. Ele traiu minha mãe várias vezes, passou a consumir maconha e não foi um pai presente nem carinhoso”, relata.

“Tive mais atenção da minha mãe. Era ela quem cuidava mais de mim. Meu pai achava que fornecer bem-estar material era suficiente. Mas faltaram amor, atenção e abraço”, continuou.

“Aos 5 anos de idade, fui abusado sexualmente por um vizinho bem mais velho que eu. A experiência não me trouxe grandes traumas. Não houve violência. Foi como uma ‘brincadeira’ e aconteceu várias vezes. Acredito que isso também afetou a minha sexualidade”, refletiu.

Ele conta que, depois disso, apaixonou-se pelo melhor amiguinho da escola, ainda no primeiro ano do ensino fundamental. “Na aula de religião, sentávamos juntos, e eu gostava de sentir a perna dele encostar na minha”, recordou. Da infância até a vida adulta, esse tipo de atração o perseguiu. Após se assumir gay, questionava diariamente a Deus sobre essa realidade e chorava muito. Depois de morar um tempo nos Estados Unidos, passou a frequentar a igreja novamente.

“Eu fiz uma escolha e decidi não viver mais no mundo gay, que não me preenchia. Voltei para o Brasil, cortei todas aquelas amizades e me afastei de tudo. Passei a orar e a buscar Deus e assim encontrei a felicidade em Jesus Cristo. Hoje eu sinto paz. Deus me limpou e me transformou de uma forma plena”, testemunhou.

“Depois do meu batismo, até o vício pelo cigarro desapareceu. Quando olho para trás, sinto angústia e pavor, uma tristeza e um vazio, porque não existia vida no meu passado. E para viver este presente maravilhoso, hoje eu não faço mais sexo, estou buscando uma vida de celibato para Deus”, declarou.

Um advogado paulista de 30 anos, pós-graduado em Direito Civil e teólogo, teve uma experiência semelhante. Ele também preferiu se pronunciar mediante anonimato. “Sou adicto, mas percebi que tudo o que estava fazendo era errado. Desde que voltei para Deus, ouço a voz dEle claramente falando comigo.

Ele mesmo disse que eu deveria abrir mão de uma vida sexual para não me contaminar. Agora busco viver em pureza e santidade.” Cristão e profundamente conhecedor da Palavra, o advogado conta que “cresceu nos caminhos de Deus”. Mas durante um tempo de afastamento se envolveu com a homossexualidade.

“Eu tinha a impressão de estar vivendo em transe, como se alguém estivesse vivendo a minha vida e eu apenas seguindo os passos ‘daquela pessoa’ que nem parecia ser eu”, lembra. Depois disso, ele revela que teve um encontro com Deus e compara com o que Paulo viveu quando estava a caminho de Damasco.

“Foi muito real, naquela noite eu senti a presença de Deus de uma maneira muito forte e foi como se a minha consciência e memória de repente voltassem e eu me lembrei do amor de Deus por mim. Recordo-me de ter dito estas palavras: ‘Tudo o que estou fazendo é errado e tudo o que estou vivendo é pecado’. Eu abri mão de tudo e comecei uma vida nova com Jesus”, contou.

Uma luz na escuridão

Atualmente, há várias igrejas abrindo suas portas para receber aqueles que não querem mais fazer parte da comunidade LGBTI (lésbicas, gays, bissexuais, transexuais, intersexuais e afins). Ronaldo de Oliveira, mais conhecido como Rony, 50, de Santo André (SP), é um dos líderes do Ministério Resgatados pela Fé, da igreja Assembleia de Deus.

Ele já foi gay, cabeleireiro de vários artistas famosos, modelo e dançarino. Trabalhou em algumas emissoras de TV, entre elas SBT e Record. Quando abandonou a homossexualidade e a vida artística, foi “dos palcos para o púlpito”, como ele mesmo descreve.

“Se eu fosse responder onde sofri mais preconceito, se no mundo ou na Igreja, eu diria que foi na Igreja” – Rony de Oliveira, líder do Ministério Resgatados pela Fé, da Assembleia de Deus

“No passado, eu tinha a necessidade de chamar a atenção das pessoas para mim. Hoje eu quero despertá-las para que olhem para Jesus através da minha história”, revelou. Segundo o “ex-Rei do Tango”, como era chamado no passado, os cristãos precisam entrar no ritmo de Jesus e convidar os homossexuais para conhecer o “Reino Eterno”. Ele admite que o preconceito ainda é um grande obstáculo.

“Se eu fosse responder onde sofri mais preconceito, se no mundo ou na Igreja, eu diria que foi na Igreja. Deus perdoa, mas o ser humano nunca perdoa. Sempre haverá pessoas nos apontando”, lamentou. Rony menciona o despreparo de pastores e líderes: “Não sabem receber um gay, travesti ou alguém da prostituição. Falta amor e, sem o amor, nada acontece”.

Abraçando o pecador

“A Igreja deve receber o homossexual como quem recebe qualquer pecador, com muito carinho. Pecado é pecado e não existe classificação. A homossexualidade é um pecado como qualquer outro”, define.

O pastor acredita que o amor perdido na infância, na família ou na sociedade deve ser encontrado nos cristãos. “A Igreja precisa refletir sobre o que Jesus faria ao receber um homossexual. Com certeza, Ele seria amoroso e acolhedor.”

Rony compara a Igreja a um hospital. “As pessoas entram buscando cura e libertação, elas estão sempre em busca de algo. Se nos prepararmos para ajudá-las, elas vão permanecer”, observou. O profundo conhecimento da Palavra é sublinhado pelo missionário como algo essencial. “A pessoa que compreende o que está na Bíblia vai se libertar naturalmente”, frisou.

Trajetória depois de tomar uma decisão

Rony e sua esposa, Lurdinha, já testemunharam inúmeros casos de homossexuais que se posicionaram dentro da Igreja e hoje vivem felizes com suas famílias. “No início, é necessário que haja um isolamento para que a pessoa se afaste totalmente do pecado. Também é preciso muita oração. Na maioria dos casos, a abstinência é o início de tudo”, diz o pastor.

“Quem quer abandonar a homossexualidade precisa buscar constantemente a presença de Deus e fugir da aparência do mal. O conselho que eu dou é que a pessoa seja firme em Cristo. Ele nos dá forças, nos capacita e nos livra. O caminho do ex-gay é semelhante ao caminho do ex-drogado, ex-bêbado, ex-mentiroso, ex-ladrão. Ninguém nasce assim, mas se torna assim”, esclareceu.

Os trabalhos iniciados em sua igreja se multiplicaram e, hoje, o Ministério Resgatados pela Fé conta com três unidades. As duas primeiras estão localizadas no Brasil – Santo André (SP) e Monte Sião (MG) – e a terceira, no Equador. Em breve, uma quarta será aberta nos Estados Unidos. Além disso, há parcerias com igrejas em Moçambique, na África e na Bolívia. Seu testemunho já alcançou a Europa e o Japão.

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