O objetivo da vida cristã envolve um chamado contínuo para servir, influenciar e cultivar valores com impacto eterno
Por Patrícia Esteves
O modo como se vive, decide e projeta o futuro está profundamente ligado ao que se entende como meta. A sociedade empurra a ideia de que o sucesso é medido pela capacidade de acumular recursos e garantir uma aposentadoria confortável, com tempo para viajar, descansar e se dedicar a passatempos.
Mas quando esse modelo entra em confronto com a fé cristã, surgem perguntas difíceis, como se é esse o tipo de vida para o qual Deus chamou seus filhos? Que tipo de meta deve guiar a trajetória de alguém que segue a Cristo?
É praticamente natural que a vida se organize em torno de metas, tendo em vista os valores da sociedade atual. Profissionais vivem sob metas de desempenho, estudantes por metas acadêmicas, famílias por metas financeiras. No entanto, quando essas metas são tornadas absolutas, o horizonte espiritual tende a ficar obscurecido.
Robert J. Tamasy, ex-diretor de publicações da Christian Business Men’s Connection (CBMC), compartilhou uma experiência pessoal que exemplifica essa tensão entre o propósito espiritual e o desejo por uma vida de conforto. Em seu artigo publicado no boletim The Connector, ele relata o encontro de um pastor com um empresário que planejava se afastar da igreja após sentir-se ofendido por um sermão.
O motivo era que o pastor havia criticado a ideia de viver o restante da vida jogando golfe após se aposentar. O empresário identificou-se com a crítica, já que esse era exatamente o seu plano de vida.
Segundo Tamasy, o pastor respondeu com um alerta: “Quando você entrega sua vida a Jesus Cristo, Ele o chama para ser um influenciador, para usar seu poder, habilidades e talentos para influenciar o mundo ao seu redor para o bem, tornando-o um lugar melhor”. A provocação não era contra o lazer em si, mas contra a trivialização do chamado de Deus.
O chamado não se aposenta
A ideia de aposentadoria é mencionada apenas uma vez em toda a Bíblia, no livro de Números. O texto se refere aos levitas, responsáveis pelas funções cerimoniais no templo. “Aos cinquenta anos, eles devem se aposentar do seu serviço regular e não trabalhar mais. Eles podem ajudar seus irmãos no cumprimento de seus deveres na Tenda do Encontro, mas eles mesmos não devem fazer o trabalho”, está escrito (Números 8:25-26).
Mesmo nesse caso, a “aposentadoria” não significava inatividade total, mas uma mudança de função. A expectativa era que os levitas mais velhos passassem a auxiliar os mais jovens. O princípio por trás da instrução parece mais próximo de um plano de sucessão do que de um desligamento completo da vida de serviço. Não havia espaço para uma vida autocentrada ou desconectada da comunidade.
O serviço como prática contínua
A vida cristã, sob a perspectiva do Novo Testamento, não é pontuada por um momento de encerramento. Paulo, escrevendo aos colossenses, aponta para uma compreensão integral do trabalho. “Tudo o que fizerem, façam de todo o coração, como para o Senhor e não para os homens, sabendo que receberão do Senhor a recompensa da herança. É a Cristo, o Senhor, que vocês estão servindo” (Colossenses 3:23-24).
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Café reduz risco de demência, aponta estudo - Pesquisa mostra que consumo diário de café e chá pode proteger a saúde cognitiva no envelhecimento Essa orientação revela uma espiritualidade do cotidiano, em que o trabalho, o cuidado com a família, os relacionamentos e até mesmo o uso do tempo livre são atravessados pelo compromisso com Deus. Para os seguidores de Jesus, a ideia de viver para “fazer o que eu quiser” pode estar desalinhada com a proposta do evangelho.
Tesouros com impacto eterno
Durante o Sermão do Monte, Jesus chamou a atenção para um tipo diferente de investimento. “Não acumulem para vocês tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem destroem, e onde os ladrões arrombam e roubam. Mas acumulem para vocês tesouros no céu, onde a traça e a ferrugem não destroem, e onde os ladrões não arrombam nem roubam” ele afirmou em Mateus 6:19-20.
A advertência não era apenas sobre finanças. Jesus falava de prioridades. Viver para si mesmo pode parecer natural em uma cultura de consumo e performance, mas para quem crê, há outra lógica operando. Os “tesouros no céu” estão ligados àquilo que tem valor eterno como servir, amar, ensinar, discipular, cuidar, ouvir, compartilhar.
Uma meta que reorienta todas as outras
No texto que escreveu, Tamasy reforça esse chamado para um envolvimento contínuo com o bem e com os outros. “Você já considerou que o que você faz no trabalho, onde você está fazendo atualmente, é exatamente o que Deus quer que você faça?”, questiona. A pergunta desloca o olhar da ideia de “escapar” da vida para viver de modo mais confortável, e aponta para a possibilidade de que a presença de Deus já se manifeste no agora, no presente, nas tarefas de hoje.
Em vez de construir uma trajetória em busca de desligamento, o cristão é convidado a viver com sentido, não como um acúmulo de atividades religiosas, mas como uma disposição contínua para o serviço. Descansar, ter momentos de lazer, se retirar quando necessário, tudo isso pode fazer parte de uma vida plena. Mas o centro não é o prazer pessoal, e sim a fidelidade a um chamado que não expira com a idade. Com informações de The Christian Post

