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sexta-feira, 12 agosto 2022

Na reta final do mês da mulher, uma triste constatação: cresce violência doméstica e divórcios

Números assustam e escandalizam no mês em que se comemora o Dia Internacional da Mulher. O alerta é preocupante porque a realidade pode ser ainda pior do que revelam as estatísticas oficiais.

Por Lilia Barros

A escalada da violência doméstica e familiar, somada ao ciclo de mulheres ligadas ao agressor pela dependência econômica e afetiva, impede que o mês da mulher seja celebrado como merecido. Apesar das diversas campanhas para que as vítimas denunciem, o que se viu no último ano foram movimentos de protestos, eventos públicos de repúdio ao feminicídio, debates sobre o tema e uma estatística crescente de mortes dentro de casa ou mesmo fora, mas quase sempre envolvendo pessoas do convívio familiar.

A juíza Hermínia Maria Azoury, coordenadora estadual de enfrentamento a violência doméstica e familiar, considera ser ainda um desafio falar desse assunto haja vista ter se tornado uma prática que faz parte da cultura, ao ponto das crianças naturalizarem esse crime doméstico por conviverem neste ambiente. “Vamos mudar esse ciclo de mulheres que suportam a violência sexual, física, psicológica. A vítima não identifica a violência que está sofrendo porque acha que só acontece quando apanha do marido, mas muitas estão sequeladas moralmente, psicologicamente, a partir de um convívio truculento. Não deixem seus filhos presenciarem essa violência, procure ajuda, denuncie, porque as sequelas são terríveis. Não viva em cárcere privado com seu algoz!”, afirmou a juíza.

Esse tipo de violência geralmente está associado a sentimentos de ciúmes, ódio, desprezo ou de perda do controle e da sensação de propriedade sobre a mulher.

Divórcio

De 2019 para 2020 houve aumento de 15% na média nacional, com concentração de divórcios no 2° semestre. O Espírito Santo registrou em 2021 alta de 21% no fim do relacionamento conjugal. O avanço da pandemia do coronavírus mostrou melhora na relação para os casamentos que iam bem, mas piora para os que iam mal.

O pastor Nazareno França que trabalhou com ministério de casais em Santa Catarina e, atualmente, no Espírito Santo, afirmou que, historicamente, o divórcio “pega carona” nas grandes questões sociais, como foi na segunda grande guerra em 1940 e na recessão econômica americana de 2008. Por outro lado, países como Belarus do leste europeu viu suas bases matrimoniais ruindo significativamente em razão do secularismo e da pobreza. Muitos pais abandonaram suas famílias por falta de condições de sustento. Ele percebeu que, nos últimos anos, o divórcio se tornou uma pandemia dentro da pandemia.

“Este efeito social se acampa em nosso país, aliado à crise sanitária, que aliado ao uso de drogas, que aliado aos abalos emocionais desencadeiam busca por interrupção no relacionamento matrimonial. Infelizmente o aumento do índice de divórcio encontra eco além das crises financeiras e sanitárias, ele cresce à medida em que o senso de sagrado do matrimônio é substituído pela visão de não deu certo, a fila anda. Outrossim, a entrada precoce no relacionamento de casados em virtude das experiências da paixão não sustenta o calor por muito tempo. Muitas vezes este cenário é fruto de um padrão repetido pelos pais, que foi repetido pelos avós e que alcança os filhos, em onda, que não se parece em nada com o padrão de Deus para o casamento. Deus aguarda de nós um casamento sagrado e vitalício, como testemunho do que Ele mesmo produz nos cônjuges e em sua família ampliada, diante de tantos que estão ruindo nas vias extrajudiciais”, explica o pastor.

Os números que assustam

O Fórum Brasileiro de Segurança Pública diz que no ano de 2021 foi registrado um feminicídio a cada 7 horas no Brasil (foram 1.319 vítimas em 2021), e 56.098 estupros (incluindo vulneráveis) apenas do gênero feminino.

Só no Espírito Santo

* Uma a cada 3 mulheres assassinadas é vítima de feminicídio.
* Ao longo de 2021, o Estado registrou 106 assassinatos.
* Dos 106, 38 foram praticados por discriminação de gênero ou violência doméstica.
* O aumento no número de crimes contra as mulheres foi de 33,3%.
* São cerca de 70 queixas de violência contra a mulher por dia.
* Em fevereiro foram registrados 2.216 boletins de ocorrência por violência contra a mulher.
* A Justiça emitiu mais de 43 mil medidas protetivas para mulheres em cinco anos.
* A alta de divórcios foi 21%, muito acima da média nacional, que registrou 0,34%.

Bíblia e Disque Denúncia neles!

A Palavra de Deus tem a resposta para pôr um fim nessa triste constatação, ao obedecê-la a onda de violência doméstica desaparecerá, mas para os que preferem sacrificar em vez de obedecer, a segunda opção é a denúncia dos agressores.

“Do mesmo modo vocês, maridos, sejam sábios no convívio com suas mulheres e tratem-nas com honra, como parte mais frágil e co-herdeiras do dom da graça da vida, de forma que não sejam interrompidas as suas orações”. (I Pedro 3:7)

O serviço de telefone do Disque Denúncia funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana, em qualquer local do Brasil e mais de 16 países. Para violência contra mulheres, Ligue 180 – Central de Atendimento à Mulher. Para abusos contra crianças e adolescentes, Disque 100 – Direitos Humanos. Numa situação de perigo imediato, ligue 190 – Polícia Militar

Fontes: Colégio Notarial do Brasil – Conselho Federal (CNB-CF) e Secretaria de Estado da Segurança Pública.

 

 

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