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sábado, 15 maio 2021

A música gospel na pandemia

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Temos a comemorar os números do mercado da música, mas em contrapartida sentimos a dor da perda de amigos, familiares, pessoas que admiramos

Por Maurício Soares

Tempos estranhos esses que temos vivido. Recordo-me plenamente de nossa primeira reunião do grupo de Gestão de Crises da Sony Music, empresa da qual faço parte e onde sou responsável por todos os projetos de música cristã. As notícias apontavam para o agravamento da pandemia da covid-19 na Europa e naquele momento ainda víamos tudo com um certo distanciamento como se o mundo não fosse hoje em dia uma coisa única, o que chamamos de globalização.

Naquela reunião decidimos que iríamos trabalhar por 2 semanas em sistema de Home Office, uma grande operação logística foi desencadeada para que os danos de um trabalho remoto afetassem o mínimo possível nossos resultados e o próprio andamento da companhia. A equipe de TI se esforçou com os sistemas, equipamentos foram comprados, uma série de ajustes foram feitos e, especificamente no dia 16 de março de 2020, começamos a operar em Home Office.

Passado um ano da ‘temporária’ decisão de operarmos em Home Office, chegamos ao fim de 2020 com crescimento do mercado da música no mundo e em especial no Brasil. A área fonográfica cresceu mais de 30% em receita no último ano, colocando o país entre os 10 mais importantes mercados da música no mundo. Seguimos contratando talentos, lançando projetos e produtos semanalmente, crescendo em marketshare, produzindo clipes, gravando músicas, selecionando repertório, enfim, mesmo num ano atípico, conseguimos manter o pique da empresa e o mercado como um todo comemora um ano incrível de resultados.

No início, a pandemia trouxe medo, incertezas, desespero… a falta de um protocolo definido de ação no tratamento da doença abriu espaço para muitas Fake News. Aliado a isso, vimos especialmente no Brasil uma politicagem de baixo nível antecipando eleições e aumentando ainda mais o clima de polarização tão presente em nosso país desde a última disputa presidencial. E a população no meio disso tudo, completamente à mercê, sem saber o que fazer ou para onde ir.

Na música gospel as perdas são significativas! Se por um lado comemoramos o aumento do consumo de música através dos aplicativos de áudio e vídeo streaming, por outro lado, os artistas e músicos têm passado por momentos difíceis com a interrupção dos grandes shows, festivais, eventos e até mesmo as agendas canceladas em função das restrições aos cultos presenciais, importante fonte de receita para a classe artística gospel.

Mas não quero focar apenas em questões comerciais ou de receitas. A verdade é que a música gospel convive com perdas muito mais significativas e irreversíveis, a perda de alguns dos seus mais renomados representantes. Tudo começou com o falecimento da cantora Fabiana Anastácio, artista que vinha em franco crescimento de sua carreira artística com foco no segmento pentecostal. Mais recentemente tivemos a triste notícia do nosso amigo querido Irmão Lázaro que não resistiu às complicações da covid.

O legado que Irmão Lázaro no deixou jamais será esquecido. A música gospel ficou mais pobre com mais uma morte prematura com seus 54 anos de vida, testemunho e compromisso com Deus! Dias depois, Alexandre Mariano, pastor e músico, tendo participado por anos da banda do Paulo César Baruk, também nos deixou vítima da mesma doença. Neste momento, o cantor Geraldo Guimarães nos traz boas notícias e alento com sua milagrosa recuperação após semanas intubado.

O tempo é de sentimentos e sensações dúbias! Temos a alegria da vacinação e de casos de recuperação. Temos a comemorar os números do mercado da música, mas em contrapartida sentimos a dor da perda de amigos, familiares, pessoas que admiramos.

Por Maurício Soares, diretor e CEO da Sony Music gospel

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