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Música cristã versus música secular

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Uma reflexão sobre o privilégio de conhecer esses dois universos musicais

Embora eu tenha nascido em um lar evangélico, cresci ouvindo e cantando músicas “não evangélicas”, algo incomum entre os crentes dos anos 1960 e 1970. Meu pai, Sebastião Quireza Muradas (1933-2005), a despeito de ser regente do coro e cantar a maioria das músicas cristãs da época, tinha muita tranquilidade em, paralelamente, também apreciar a boa Música Popular Brasileira (MPB). Este legado recebi dele. Por isso, quando passei a dar aulas de violão, não fui impedido e nem tampouco discriminado por ensinar MPB. Com os irmãos da igreja eu cantava as músicas cristãs, e com os amigos não evangélicos eu cantava os sucessos seculares. Não havia uma “substituição” das músicas cristãs pelas seculares, mas um “acréscimo” ao que eu já sabia.

Graças à oportunidade de pertencer à igreja, eu tinha o “privilégio” de conhecer esses “dois universos musicais”, que, na vida real, eram como água e óleo, ou seja, não se misturavam, mas, na minha mente, se resumiam a uma coisa só: a música. Mas não posso deixar de confessar que, por influência dos irmãos, eu vivia alguns conflitos no que tange ao paradoxo “profano” e/ou “sagrado”, dilema esse que me acompanhou por muito tempo, até que eu pudesse, finalmente, acalmar o meu coração e equilibrar as ideias.

Vencida essa barreira, passei até a sentir certo “orgulho santo” de possuir amplo conhecimento sobre os personagens musicais tanto do “mundo cristão”, quanto do “mundo não cristão”. E foi justamente por não ter preconceitos com a música secular que muitas oportunidades de trabalho musical se abriram para mim. Dei aulas em academias não evangélicas e dividi palco e estúdios com grandes nomes da MPB, deliberadamente… e sem medo de ser feliz. E o melhor disso tudo é que nunca precisei “negar a minha fé” para estar com essas pessoas. Aliás, pelo contrário! Tive até algumas oportunidades de testemunhar sobre Jesus e ainda apresentar-lhes o universo musical evangélico. Quem parou para me ouvir, descobriu que no mundo cristão existem pérolas musicais tão brilhantes quanto no mundo secular.

A música Essência de Deus (“O mundo há de passar…”) é tão maravilhosa quanto Carinhoso (“Meu coração, não sei por que…”). Segura Na Mão De Deus (“Se as águas do mar da vida…”) é tão brilhante quanto Aquarela Do Brasil (“Brasil, meu Brasil brasileiro…”). Diga-me, você mesmo, se Consagração (“Ao Rei dos reis consagro…”) não é tão espetacular quanto Chega De Saudade (“Vai, minha tristeza…”)? Se Cem Ovelhas (“Eram cem ovelhas…”) não é tão rica quanto Trem Bala (“Segura teu filho no colo…”). Se Ao Único (“Ao único que é digno…”) não é tão genial quanto Águas De Março (“É pau, é pedra…”). E que fique claro que não se trata de “comparar músicas” e/ou discutir letras. Todas são “pérolas da MPB”, e isso é indiscutível do ponto de vista musical!

Recentemente, assisti uma entrevista com Zuza Homem de Melo, considerado um dos maiores historiadores da MPB. Quando perguntado a respeito da música evangélica, ele se limitou a dizer que “existem bons instrumentistas de sopro nas igrejas”. Eu apenas ri. O que mais eu poderia fazer? Foi decepcionante descobrir que um gigante na história da MPB, era um completo ignorante da música evangélica, que, insisto, é tão música, tão popular e tão brasileira quanto qualquer outra produzida no mundo secular. Ironicamente, tal historiador nasceu no mesmo ano que o meu pai, mas, pelo visto, nunca saberá tudo o que o “meu velho” sabia sobre a música brasileira cristã e não cristã, isso, porque desconhece a grandiosidade do universo musical evangélico. Realmente, conhecer e usufruir dos dois mundos, secular e cristão, é “privilégio” e “diferencial” daqueles que um dia decidiram servir a um Deus que não apenas inventou a música, mas também criou os seus compositores.

ATILANO MURADAS é pastor, jornalista, teólogo, escritor, compositor e palestrante. Possui 11 CDs gravados e 5 livros publicados. Recebeu o Prêmio Areté, pelo livro “A música dentro e fora da Igreja” (Editora Vida) e participou como comentarista da Bíblia Brasileira de Estudos (Editora Hagnos). Morou por 7 anos nos EUA, onde foi Secretário da Associação Brasileira de Imprensa Internacional (ABIInter) e pastor-titular da Brazilian Presbyterian Church, em Houston, no Texas. É autor de vários musicais e articulista de periódicos no Brasil e no exterior. Contato: [email protected] / (31) 98224-3141 (Whatsapp).

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