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segunda-feira, 13 julho, 2020

Em que mundo nós vivemos?

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Sonhos, visões, batalha espiritual… Para muitos, o sobrenatural de Deus não é compreendido de forma tão natural. Numa sociedade que valoriza o material, o presente e a razão, somos desafiados a viver por fé, a crer no inacreditável. Afinal, vivemos num mundo espiritual. Ou não?

“Deus é espírito, e é necessário que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade”, disse Jesus à mulher samaritana, à beira do poço de Jacó. Ela já tinha ouvido sobre uma tal de água viva, que mata toda sede, e tinha acabado de ser impactada com a revelação de toda sua vida conjugal quando Jesus ensina sobre a verdadeira adoração (João 4).

O que é adorar em espírito? Onde é a nascente da água viva? Quem havia contado a ele sobre seus muitos maridos? Esses eram os prováveis questionamentos do coração daquela mulher naquele instante.

Talvez os mesmos questionamentos tenham visitado Pilatos ao ouvir, durante o interrogatório, que o reino de Jesus não era desse mundo (João 18). Como não? De que mundo, então? Por aproximadamente três anos, Jesus pregou, ensinou e proclamou o Seu reino, que não era visível e nem tinha chegada previsível, como queriam os fariseus, mas era obtido por uma mudança radical de vida e atitude.

Não por sacrifícios e holocaustos. Nem por legalismos e tradições… Mas por uma total entrega a Deus, por uma vida de renúncia ao pecado e comunhão com o Espírito Santo. Não mais seguindo o curso da vida terrena de nascer, crescer, multiplicar e morrer, mas fazendo a diferença através do cultivo de uma vida espiritual saudável.

E não somente no ministério de Cristo, mas em toda a Bíblia há textos que mostram o interesse de Deus pela vida espiritual dos seus filhos. Em sua carta aos Romanos, Paulo orienta os leitores a não andarem segundo a carne, mas sim segundo o Espírito. Na carta aos Efésios, ele enfatiza que a luta dos cristãos é contra principados, potestades, contra os poderes e as forças espirituais malignas nas regiões celestes, e não contra carne e nem sangue. À Timóteo, Paulo orienta a não se envolver com os negócios dessa vida, e à igreja de Filipos pede vigilância para evitar a contaminação com os que só se preocupam com as coisas terrenas. “Pois a nossa pátria está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo” (Fp 3:20).

“Não mais seguindo o curso da vida terrena de nascer, crescer, multiplicar e morrer, mas fazendo a diferença através do cultivo de uma vida espiritual saudável”

E se Deus é espírito e o homem é feito à imagem e semelhança de Deus, é fato que também o homem é um ser espiritual. “O reino espiritual é real, nós somos espirituais, a Palavra de Deus nos afirma isso. Na Bíblia podemos encontrar passagens que tratam sobre a questão do reino espiritual e de suas manifestações”, afirmou a escritora e pastora Cláudia Guimarães, da Comunidade Evangélica de Nilópolis, no Rio de Janeiro.

No entanto, colocar em pauta o mundo espiritual e suas manifestações ainda gera muita polêmica entre os cristãos. Polêmica essa que é explicada, muitas vezes, por causa de uma visão distorcida da realidade, como explicou o pastor Alcione Emerich. “Há, muitas vezes, uma cegueira com relação à realidade espiritual, que é muito mais palpável do que muitas coisas que estamos acostumados a ver”, disse o pastor, que é presidente do Serviço Cristão de Aconselhamento Integral (Secrai) e trabalha há mais de 15 anos com cura e libertação, entre outras áreas do ministério pastoral. Ele considera naturais as manifestações divinas.

Sobrenatural ou natural?

Visões, sonhos, peso de intercessão, batalhas espirituais, livramentos, curas milagrosas… Para o mundo, essas seriam algumas das manifestações sobrenaturais de Deus sobre a terra. De acordo com o dicionário Aurélio, sobrenatural é tudo aquilo que ultrapassa o natural, é o fantástico, o extraordinário. No senso comum, esta expressão está associada à estranheza, à incompreensão, àquilo que está fora da realidade e muitas vezes é difícil de se acreditar.

E para o cristão? Para aquele que crê e segue a Jesus, não seria esperado que tratasse com naturalidade as obras realizadas por Deus? Elas não teriam que ser múltiplas e constantes na vida do crente, já que o próprio Jesus garantiu que seus discípulos fariam obras iguais e ainda maiores do que as realizadas por Ele, conforme registrado em João 14:12? Qual a visão do crente com relação ao mundo espiritual?

“A Bíblia está recheada de textos que tratam sobre a contemporaneidade dos dons. No livro de Atos dos Apóstolos vemos como as profecias e visões se manifestavam na igreja. A meu ver, são experiências normais, embora tenham que ser trabalhadas com equilíbrio”, afirmou o pastor.

E é justamente a falta de equilíbrio que leva a distorções, ele mesmo assegurou. “Percebo que há muitas pessoas com reservas quando se trata de tais manifestações e isso acontece por causa do desequilíbrio, da tendência que há em ir para os extremos. Ou ignora a realidade espiritual ou espiritualiza tudo. Essa visão distorcida, a falta de discernimento, tem sido a causa de muitos males”, disse Emerich.

O pastor explicou que o homem está envolvido por três esferas – a espiritual, a psicológica e a física – que interagem. E ele cita o texto de I Tessalonicenses 5:23 para designar uma hierarquia entre elas. “Para mim, esse texto reflete a hierarquia de cada esfera sobre a nossa vida. O texto cita primeiro o cuidado com o espírito, depois com a alma e por último com o corpo. Às vezes a causa de uma depressão não é física, mas espiritual, por isso é necessário tratar primeiro o espírito e o corpo terá o reflexo da cura espiritual”, acrescentou o pastor.

“Há muitas pessoas com reservas quando se trata de manifestações espirituais e isso acontece por causa do desequilíbrio, da tendência que há em ir para os extremos. Ou ignora a realidade espiritual ou espiritualiza tudo. A falta de discernimento, tem sido a causa de muitos males”

 

Preparados para mais um dia

O apóstolo Paulo orienta o cristão a vestir toda a armadura de Deus para combater as forças espirituais malignas, dia após dia (Ef 6: 10-18). Sendo assim, nossas armas não são humanas, mas espirituais, e são comparadas com aquelas usadas pelos soldados romanos em tempos de guerra.

Cinturão da verdade: Cingir significa rodear e o cinturão, na Antigüidade, era uma faixa larga de material reforçado que os guerreiros enrolavam em torno da cintura, protegendo os flancos, o estômago e o abdômen. O cinto significa a realidade ao redor. Um soldado precisa manter-se sempre consciente de sua verdadeira situação.

Couraça da justiça: Os soldados romanos usavam duas chapas de metal moldado que protegiam a parte superior do tronco, na frente e nas costas. A couraça cobria o coração e os pulmões. No caso do cristão, a sua couraça é a retidão, ou melhor, a retidão de Cristo em seu coração. Essa é a verdadeira justiça.

Sandálias do Evangelho da Paz: Paulo sabia que um exército não poderia ir muito longe se os pés de seus soldados não estivessem devidamente protegidos. O calçado do soldado cristão é o Evangelho da paz. Andar neste Evangelho e levar as Boas Novas aos cativos conduzem o soldado ao sucesso na batalha.

Escudo da Fé: A fé protege o crente no combate, diante dos ataques. O escudo é a nossa inteira e absoluta confiança em Deus, em Sua Palavra e em suas promessas. Assim, todo dardo lançado pelo inimigo – que são as mentiras, as acusações, a distorção da realidade de quem nós somos – cai por terra ao bater no escudo da fé.

Capacete da Salvação: O capacete impedia que o soldado fosse atingido na cabeça, sem importar quão ameaçadora e confusa fosse a batalha. Assim, o capacete representa, aqui, a nossa eterna salvação. Simboliza o reconhecimento que temos, mediante a fé, de nossa salvação, confirmada e assegurada pelo Espírito Santo.

Espada do Espírito: Todas as demais peças da armadura espiritual do crente são, principalmente, defensivas, mas a espada, que é a Palavra de Deus, serve tanto de defesa quanto de ataque. Ela é combativa. Jesus combateu Satanás com base na Palavra (Lc 4:1-13), é a Palavra que fere o inimigo.

Fonte: Bíblia e pastor Marcos Antonio Farias de Azevedo.

Não estamos sozinhos

Não são poucos os textos bíblicos que revelam que o ser humano não está sozinho nesse mundo. Anjos – os ministradores de Deus -, e demônios – a serviço de Satanás -, também compõem esse cenário e, por muitas vezes na história, interferiram na vida do homem, seja o ajudando e servindo ou tentando atrapalhar os planos de Deus sobre ele e sobre a Terra. Tanto o Antigo como o Novo Testamento confirmam essa verdade.

Em seu livro Fé Cristã e Misticismo, o presbítero e conferencista Solano Portela, da Igreja Presbiteriana do Brasil, em São Paulo, separa um capítulo para tratar de Batalha Espiritual e sobre a atuação de Satanás e os demônios.

Segundo ele, a visão bíblico-cristã, do ponto de vista moral, divide a realidade espiritual em dois lados: de um, o lado da justiça, onde estão Deus, os anjos, os espíritos daquele que morreram com Cristo e os discípulos do Senhor nessa terra. De outro, estão o Diabo, os demônios, os espíritos dos que morreram sem Cristo e os vivos que persistem em se rebelar contra Deus. Ele cita que muitos fenômenos inexplicáveis são de autoria de Satanás, que se vale disso para enganar os homens e ainda conferir autoridade aos seus emissários.

Solano afirma, ainda, que há muitos pontos obscuros na Bíblia sobre doutrina dos demônios e de sua atuação. Entretanto, assegura que Deus revelou a essência do que o homem necessita saber para se posicionar espiritualmente e peregrinar nesta terra, sem desviar o foco e pender pela busca do bizarro e oculto.

É certo que, sob a autorização e ordem de Deus, anjos e demônios interferem na vida do homem. Porém, crer que eles são os únicos responsáveis por tudo que acontece debaixo do céu é o mesmo que rasgar parte das Escrituras Sagradas e a tão presente, mas pouco lembrada Lei da Semeadura. “Pois aquilo que o homem semear, isto também colherá (Gálatas 6:7)”.

“Enfrentamos uma tremenda luta espiritual e por isso temos que ficar em estado de alerta. Porém, nosso foco deve permanecer em Cristo, e não no diabo. Não devemos desenvolver a síndrome de que o diabo é culpado de tudo que acontece na vida do crente”, alertou o professor de teologia Marcos Antonio Farias de Azevedo, que também é pastor da Igreja Presbiteriana de Mata da Praia, Vitória.

 

Com tantas atividades e responsabilidades para dar conta ao final de cada dia, muitas questões na vida do homem acabam sendo adiadas, quando não, esquecidas. E uma dessas é a espiritualidade. Culpa do ativismo? Do rodar da carruagem? Num mundo onde se valoriza tanto o presente, somos desafiados a refletir sobre a dimensão integral da existência humana, a acertar os nossos focos e alvos e a ocupar a nossa verdadeira posição nesse mundo.

“Às vezes temos o céu como algo tão distante, que achamos que aqui é a nossa pátria. Nós somos peregrinos, estamos aqui de passagem e precisamos, desde já, viver o reino de Deus aqui na Terra. Ser sal e luz. Muitas vezes fazemos uma idéia equivocada da presença de Deus, pensamos que é só na igreja. Mas, em todo tempo Deus está conosco e apesar de estarmos no mundo, nós não somos desse mundo e precisamos ter consciência disso, viver isso, dia após dia”, concluiu o diácono Josias.


A matéria acima é uma republicação da Revista Comunhão. Fatos, comentários e opiniões contidos no texto se referem à época em que a matéria foi escrita.  

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