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quarta-feira, 6 julho 2022

Mundo entrou no “cheque especial hídrico”

O uso da água é um assunto altamente espiritual para os crentes que entendem sua vocação de mordomo sobre os recursos ambientais. A ONU escolheu o tema ‘Águas Subterrâneas: Tornando o Invisível Visível’ para a campanha do Dia Mundial da Água 2022.

Por Lilia Barros

Holofotes do mundo inteiro se voltam para o dia 22 de março, data em que se comemora o Dia Mundial da Água. Autoridades políticas, ambientais e Ongs enfatizam a importância da água para a sobrevivência e necessidade de preservar esse recurso escasso.

Uma das maiores especialistas em água do mundo, a física Márcia Barbosa, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, afirmou que “um quarto da população mundial consome mais água do que sua capacidade de captá-la. Já entraram no ‘cheque especial’ hídrico. O Brasil não está isento desse problema. 40% dos nossos recursos hídricos estão sendo contaminados pela agricultura e pela falta de políticas sanitárias. Adicione-se a este enredo as mudanças climáticas, que já afetam a distribuição de chuvas”.

A mordomia cristã com o ambiente natural

O salvo em Cristo deve ter uma consciência bíblica de sua responsabilidade com o meio ambiente. A mordomia sobre os recursos naturais tem base bíblica: “Os céus são os céus do Senhor; mas a terra, deu-a ele aos filhos dos homens.” (Sl 115.16). Deus pôs o homem no Éden para cuidar do jardim (Gn 2.15); o homem foi colocado para “dominar” o que há na terra (Gn 1.26). São versículos que deixam claro a vocação do ser humano para ser o mordomo de Deus, ou seja, Deus entregou este planeta aos cuidados do ser humano dando a ele a responsabilidade para zelar pelo ambiente natural. Desperdiçar, fazer mal uso, poluir e se omitir diante da destruição e escassez de bens como a água constitui-se pecado de omissão e desobediência ao Criador.

O pastor Ademilson Braga, diretor do portal Seara de Cristo, afirma que “antes da queda, o ambiente natural era perfeito, sem alterações climáticas, sem catástrofes ou fenômenos que ameaçassem a vida humana. No entanto, depois da desobediência do homem à voz de Deus, tudo mudou. Houve um prejuízo imenso tanto para o homem quanto para a terra. O pecado transtornou a natureza. Mas há promessa de Deus para a restauração da Terra. Isso ocorrerá quando o Senhor Jesus implantar pessoalmente o Reino Milenial neste mundo”.

Um estudo inédito publicado no ano passado pelo Instituto Trata Brasil, a partir do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), comprovou que o país desperdiça 39,2% da água potável captada, quantidade que seria suficiente para abastecer cerca de 63 milhões de brasileiros por ano. Atenta a dados como estes, a ONU escolheu o tema ‘Águas Subterrâneas: Tornando o Invisível Visível’ para a campanha do Dia Mundial da Água 2022.

Os recursos hídricos subterrâneos ajudam a sustentar o abastecimento doméstico, os sistemas de saneamento, os ecossistemas, a agricultura e a indústria. No entanto, a poluição tem colocado em risco cada vez maior essa água ‘invisível’.

De acordo com o Relatório Mundial das Nações Unidas sobre Desenvolvimento dos Recursos Hídricos de 2021, 30% dos maiores sistemas de águas subterrâneas do mundo estão em esgotamento causado, principalmente, pela captação de água para irrigação. Embora 70% da superfície da terra seja coberta por água, menos de 3% desta enorme quantidade de H₂O é doce – e cerca de 2% dela está em geleiras. Ou seja, o mundo tem menos de 1% de água disponível para consumo, conteúdo localizado em lagos, rios e debaixo dos nossos

Atitudes essenciais no consumo individual consciente

* Redução do tempo dos banhos
* Atenção a vazamentos
* Reutilização da água da máquina de lavar para limpeza de áreas externas

Entretanto, o maior consumo e, por consequência, o maior desperdício desse recurso essencial são promovidos pela agricultura, setor responsável por 69% das retiradas de água no mundo, proporção que pode alcançar 95% em alguns países em desenvolvimento. A indústria é responsável por 19% do uso, enquanto os municípios são responsáveis pelos 12% restantes .

Água brasileira

No Brasil, o acesso à água é um direito fundamental garantido pelo Projeto de Emenda à Constituição Nº 06/21, aprovado pelo Senado Federal em março do ano passado, além de ser um dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável para 2030 determinado pela Organização das Nações Unidas (ONU). Embora aprovado, o projeto se mantém na câmara dos deputados em tramitação.

Em junho do ano passado, a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) declarou a maior seca dos últimos 91 anos na região Sudeste, o que afetou os rios da Mata Atlântica. O novo levantamento chega para orientar a gestão integrada da água e dos ecossistemas para garantir uma água limpa a todos.

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