O público que mais atrai a igreja evangélica brasileira

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Foto: Reprodução

Pesquisa do Datafolha apontou que Mulheres e negros compõem a maioria na igreja evangélica brasileira. “A igreja de Cristo é inclusiva, e o Brasil é um ótimo território para que isto seja vivido em sua plenintude”, argumenta antropóloga Lídice Meyer

Novo raio x da igreja evangélica brasileira. Pesquisa Datafolha divulgada nesta segunda (13) revelou que as mulheres são a maioria nas igrejas. Ao todo, elas representam 58% deste grupo, que é mais representativo na região Norte. Negros possuem porcentagem semelhante e somam 59%.

Em algumas denominações, como as neopentecostais, Universal do Reino de Deus e a Renascer em Cristo, a participação feminina chega até 69%. A presença de mulheres nas igrejas evangélicas também é maior em comparação com as católicas. Entre adeptos desta última, mulheres são 51%, e homens, 49%.

Segundo a dra em antropologia, Lídice Meyer, desde o início do cristianismo, as mulheres são maioria na igreja. E a situação não mudou nos dias de hoje. Mas algo justifica sempre a presença feminina maior nos templos. Um principal deles é a sensibilidade ao mundo espiritualidade que a mulher tem.

“A mulher tem como um de seus atributos femininos a maior sensibilidade aos assuntos do sobrenatural e do espiritual, enquanto o homem sempre foi mais ligado às questões culturais e econômicas. Faz parte da natureza feminina a maior busca pela religiosidade, até mesmo pelo seu papel ancestral de mãe e cuidadora”, explicou Lídice que é da Igreja Presbiteriana do Brasil.

Negros

A pesquisa apontou ainda, que o universo evangélico é mais negro do que o católico. Os que se declaram pretos ou pardos são 59% no primeiro grupo e 55% no segundo. Já os brancos, no catolicismo, são 36%, contra 30% do grupo evangélico.

De acordo com Lídice, a inclusão do negro nas igrejas acompanhou o desenvolvimento das igrejas pentecostais. Mais presentes na Igreja Assembleia de Deus, que é a maior denominação do país.

“Com o advento do pentecostalismo, surgiu um modo de culto mais aberto a atuação do Espírito, sem  necessidade de líderes com formação acadêmica. O que se refletiu no grupo de fiéis. Estas igrejas atraíram os grupos socialmente marginalizados, que nas grandes cidades eram principalmente os negros e os nordestinos. Eles foram se introduzindo também nas igrejas tradicionais”, revelou.

Porém, a antropóloga argumenta que tanto as mulheres quanto os negros fazem parte da igreja de Cristo, que é inclusiva. “E o Brasil é um ótimo território para que isto seja vivido em sua plenitude. Pois nosso povo já está acostumado tanto às relações inter-raciais como a presença feminina na liderança de muitas famílias monoparentais”, concluiu.

Pesquisa

A pesquisa do Datafolha ouviu 2.948 pessoas em 176 municípios de todo o país. As entrevistas foram feitas pessoalmente, em locais de grande circulação. O instituto afirma que o nível de confiança dos resultados é de 95%. A margem de confiança é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

*Da redação, Com informações de Folha de São Paulo e Valor Econômico 


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