A mulher em defesa do seu território

Somos, indubitavelmente, a geração de mulheres melhor preparada intelectualmente, fruto de um longo e doloroso processo de conquista.

Quando se fala na figura feminina, é impossível desassociá-la das coisas que lhe são afetas, tais como os seus sonhos, a sua família, os seus filhos, o seu território. Óbvio que nem toda mulher é biologicamente mãe, mas pode ser considerada mãe de gerações, por se importar e cuidar para além do seu meio familiar, dos seus projetos pessoais e profissionais, pois não é indiferente ao que acontece ao seu redor.

Essa constatação nos leva ao princípio, quando Deus criou um “Lugar de Delícia”, com toda a infraestrutura e beleza de que Adão e Eva necessitavam para viver plenamente. Porém, Satanás não se conformou com a obra primorosa de Deus e arquitetou um plano para romper com o ambiente de segurança da primeira família, lançando dúvida no coração de Eva sobre as reais intenções de Deus para com eles. Isso levou o primeiro casal a desobedecer ao Senhor e a sofrer as consequências.

Nos nossos “tempos modernos” e de comunicação instantânea, por mais paradoxal que seja, as tocas se multiplicam por meio da tecnologia que separa os membros das famílias, conectando-os a realidades virtuais inescrutáveis, tal como ocorre com os jogos que alienam jovens e crianças.O homem e a mulher se descobriram nus, destituídos da glória que os revestia e sentiram medo diante daquele em cuja presença deveriam gozar de plena confiança. Não bastasse o medo, quando Deus chama a Adão, há o inicial silêncio tétrico, sinalizando que algo estava errado! O pecado levou o homem para a “toca” com a finalidade de ocultar o seu erro.

“O maior desafio da mulher é alcançar novas conquistas sem perder o já conquistado”

Falar sobre a mulher nesse contexto requer encarar o seu grande desafio: a proteção do seu território e questionar: que mundo é esse que estamos deixando como legado?

Somos, indubitavelmente, a geração de mulheres melhor preparada intelectualmente, fruto de um longo e doloroso processo de conquista. Cuidando da família, trabalhando, investindo tempo no Reino de Deus e ainda estudando para erguer um canudo ao final.

Apesar das lutas, não se pode falar em justiça no Brasil sem citar ministras, da mais alta Corte. Grandes decisões na política internacional não ocorrem sem a participação de influentes Primeiras-Ministras, educação não se faz sem a figura feminina, na Igreja ela exerce o seu papel debaixo da liberdade com que Cristo a chamou. Ainda não é tudo, mas avançamos.

Porém, o maior desafio da mulher é alcançar novas conquistas sem perder o já conquistado. De outra forma, que vitorias seriam essas, se para alçar outros voos ela perdesse a sua conquista primeira, a sua família?

Obvio que não somos as únicas responsáveis por esse cuidado. Mas precisamos decidir se estamos dispostas a nos prendermos em disputa para imputar responsabilidades, ante ao perigo iminente que ronda o nosso território. Enquanto escrevo, o faço em meio à repercussão do estarrecedor ocorrido na cidade de Suzano (SP), que nos dilacera a todos: um adolescente e um jovem invadiram a Escola Raul Brasil e dizimaram, brutal e impiedosamente, a vida de estudantes e profissionais.

Vivemos temos difíceis, que se traduzem em relacionamentos descartáveis, jovens e adolescentes que põem fim as suas vidas na fase mais promissora, a violência contra a mulher e contra a criança, muitas vezes ocorrendo no ambiente familiar, onde deveria ser o porto seguro.

A constatação é: alguém entrou no nosso jardim para roubar o que temos de mais precioso. O que fazer? Precisamos nos levantar enquanto há tempo de expulsar o invasor e defender o nosso vasto torrão. Antes, porém, cuidemos do território que somos nós, mulheres frágeis, sim, mas fortalecidas por aquele nos comissionou para sermos sábias edificadoras.

Marta Azevedo. Missionária e licenciada em Pedagogia. Casada com o Pr. Joziel Azevedo, há 38 anos. Preletora em eventos e congressos cristãos. Serve ao Senhor na Igreja Evangélica Assembleia de Deus Ministério Vida, em Vitória/ES (IEADMVida), onde ministra a Palavra do Senhor no Culto da Família há mais de 20 anos, com foco na vida familiar cristã cotidiana.


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