A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou a Mpox como Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional (ESPII). Essa designação visa promover uma resposta internacional coordenada e colaborativa para enfrentar a doença, mas não implica necessariamente que uma nova pandemia esteja iminente.
Atualmente, a principal preocupação é a rápida propagação da nova variante da doença, a Cepa 1b, que foi identificada no continente africano, com foco na República Democrática do Congo (RDC). De acordo com o último relatório do Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças (Africa CDC), a RDC registrou mais de 14 mil casos de Mpox este ano, resultando em 450 mortes.
No Brasil, em 2024, foram notificados 709 casos confirmados ou prováveis da doença, com 85% dos afetados sendo do sexo masculino e 42,2% vivendo com HIV/Aids, conforme o Ministério da Saúde. Esse número é significativamente menor do que os mais de 10 mil casos registrados em 2022, durante o pico da doença no país. Naquele ano, foram confirmados 16 óbitos, sendo o mais recente em abril de 2023.
Alexandre Naime, coordenador científico da Sociedade Brasileira de Infectologia, explicou que, anteriormente conhecida como varíola dos macacos, a Mpox apresenta sinais iniciais inespecíficos que podem ser confundidos com outras doenças virais. “Nos primeiros dias, a doença pode apresentar sintomas gerais, como febre, dor no corpo e irritação na garganta”, detalhou Naime em entrevista à CNN Brasil.
O infectologista ressaltou que as lesões de pele são o principal sinal característico da Mpox. “As lesões começam como pequenas bolhas, chamadas vesículas, que eventualmente se juntam formando erosões e feridas, e depois crostas”, explicou.
De acordo com Naime, a evolução da doença pode variar de sete a 28 dias. Ele destacou que, em pessoas imunocompetentes, a Mpox geralmente tem um curso benigno. No entanto, em indivíduos imunossuprimidos, especialmente aqueles com HIV em estágio avançado, o vírus pode se espalhar e causar complicações graves, como pneumonia e infecções cerebrais, podendo levar a óbitos.
Naime enfatizou que o contato direto, especialmente em atividades sexuais, é o principal modo de transmissão. Contatos físicos próximos e prolongados, como abraços, também podem facilitar a disseminação. Além disso, a transmissão por gotículas respiratórias em ambientes fechados pode ocorrer, especialmente nos primeiros dias de sintomas, mas não é o principal mecanismo de contágio.
Para encerrar, Naime destacou a importância de ações globais de saúde pública. “Se tivéssemos olhado para trás, considerando que a Mpox foi descrita pela primeira vez em 1970 e a vacina disponível tem apenas um fabricante internacional dinamarquês, um esforço para vacinar a África e proteger as pessoas suscetíveis naquela região poderia ter evitado um novo surto em 2024.”
Como prevenir?
A principal recomendação é evitar o contato direto com pessoas com suspeita ou confirmação da doença, que devem cumprir isolamento e não compartilhar objetos de uso pessoal (toalhas, roupas, lençóis, escovas de dente, talheres) até o término do período de transmissão.
Para quem estiver cuidando de pessoas com Mpox, a recomendação é usar luvas, máscaras e outros equipamentos de proteção, como aventais e óculos de proteção, se possível. A higiene frequente também é recomendada: lavar regularmente as mãos com água e sabão ou utilizar álcool em gel, principalmente após o contato com a pessoa ou com os objetos que possam ter entrado em contato com as feridas ou secreções.
Para higienizar os objetos que a pessoa utilizou, a orientação é lavá-los com água morna e detergente. É importante ainda limpar e desinfetar todas as superfícies contaminadas e descartar os resíduos, como curativos, de forma adequada.
Cabe destacar que existem no mercado duas vacinas contra Mpox. No entanto, a capacidade de produção e entrega dos fabricantes ainda é limitada, menor do que a demanda. Por isso, a campanha de vacinação no Brasil prioriza pessoas com maior risco de evolução para formas graves da doença.


