Morre Feliciano Amaral, o maior nome da música gospel do Brasil

Feliciano entrou para o Guiness Book como o cantor que esteve em atividade há mais tempo no mundo. Foto: Facebook

Aos 97 anos e mais de 70 anos de Ministério: “Combati o bom combate, acabei a carreira e guardei a fé”.

O pastor e cantor Feliciano Amaral morreu na madrugada deste sábado (7) após infecção generalizada. Ele estava internado no Hospital das Clínicas, em Porto Velho (RO) há quase 20 dias, com pneumonia e derrame pleural (acúmulo de líquido no pulmão).

Feliciano chegou a apresentar melhoras em seu quadro de saúde. Mas teve uma parada respiratória no dia 28 de junho. E passou a respirar com a ajuda de aparelhos. Foi internado na UTI em estado grave. E neste sábado não resistiu.

A notícia de sua morte foi divulgada pela família, na página oficial do cantor pelo facebook. “Feliciano Amaral, conhecido como “Rouxinol do sertão”, após 70 anos de ministério no louvor e adoração, silencia sua melodiosa voz aqui na terra. E entra no repouso dos santos, onde a eternidade o aguarda para o compor o coral dos santos imortais que pelos séculos dos séculos entoarão os cânticos de Sião”, diz o post.

Carinho do público

A notícia de sua morte neste sábado (07) foi recebida com pesar e tristeza pela população evangélica do Brasil. “Sem palavras, deixou um legado, como pessoa,marido, pai, servo de Deus com sua voz, vida e testemunho”, escreveu um internauta pelo facebook.

O presidente da Convenção Batista Brasileira, Roberto Silvado também se pronunciou. Afirmou que Feliciano Amaral serve de inspiração. “Ele desenvolvia seu ministério com humildade e carisma. Não cultivava a idolatria, não era mercenário e não fazia discriminação. Foi o percursor dos cantores no país. Uma pena que muitos não o olhavam como mentor em termos de carreira. Mas ainda bem que ainda temos pessoas conscientes em nosso meio que irão levar o legado de Feliciano. Ele fazia diferença em nosso meio cristão por sua grande contribuição na pregação do evangelho através da música”, declarou.

Na página oficial do cantor, várias mensagens de conforto e agradecimento.”Deus conforte a família do nosso irmão e Pastor Feliciano, estou com 70 anos e me converti em 64 ouvindo este servo do Senhor louvando a Deus com os louvores mais abençoados e ungidos por Deus que escutei.Descanse em paz meu irmão em breve veremos nosso Salvador”, disse Sargi Tome.

Referencial

Feliciano era conhecido como a voz marcante de expressar a música. E como muitos dizem, o pai dos cantores brasileiros. Marcou a geração da música cristã no Brasil. “Tive o privilégio de vê e ouvi pessoalmente algumas vezes. Sua voz e seus louvores jamais serão esquecidos”, declarou um internauta.

Feliciano Amaral tinha 73 anos de Ministério na música. Líder do grupo Logos há 37 anos, e também pastor, Paulo Cesar, sempre acompanhou o ministério do cantor. Ele manifestou sobre a morte dele como um exemplo de referencial de vida e de Ministério.

“Feliciano foi, e sempre será um referencial para mim em todos os sentidos. Durante todos esses anos de trabalho que exerceu, eu não soube de nada que alguém possa dizer negativamente a respeito dele. Sua carreira musical foi prodigiosa. Dois anos antes do meu nascimento ele já estava gravando seu primeiro trabalho. Isso é significativo demais para mim. Eu só tenho a agradecer a Deus pela influência e o trabalho que ele realizou na minha vida, e creio, em um numero incontável de pessoas em nosso país. Afinal, 97 anos não é uma idade para qualquer um. Estou certo que Deus reservou sua existência abençoada, para abençoar a todos que o cercaram.

Fake news

Uma suposta notícia da morte do cantor foi divulgada em maio. A notícia falsa teria sido divulgada em vários grupos evangélicos do WhatsApp. Mas Feliciano desmentiu a notícia por meio de um vídeo. Apesar do estado de saúde crítico ele declarou estar firme na fé do Senhor.

“Estou vivo, embora um pouco enfermo e em tratamento. Mas ainda não morri, dessa vez o boato que apareceu aí dizendo que eu morri é obra de satanás, porque Deus me sustenta com suas mãos maravilhosas e eu vou para o céu somente quando Deus me chamar, ninguém precisa anunciar minha morte”, disse.

A serenidade e fé em Deus eram sua marca registrada. Entre idas e vindas no hospital e internações, Feliciano sempre demonstrava confiança em sua recuperação. “Não estou sozinho, eu tenho um Amigo. Em meio aos perigos, presente Ele está. Não me desampara em meio a jornada. Jesus Companheiro, comigo estará”, disse.

Carreira e reconhecimento

Feliciano Amaral foi pastor de várias igrejas no Brasil. Como cantor evangélico iniciou seu ministério em 1945. Seu primeiro disco foi lançado em 1948. É um dos primeiros registros da música evangélica do País.

Ele ficou conhecido como Rouxinol do Sertão, tendo participado da famosa cruzada do pastor norte-americano Billy Graham, no Rio de Janeiro, em 1974 no Maracanã.

Depois de Feliciano Amaral vieram vários outros cantores que se destacaram, como Luiz de Carvalho. Um reconhecimento público chegou em 2003, quando aos 83 anos foi homenageado pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro. Feliciano ainda aparece no Guiness Book como o cantor que esteve em atividade há mais tempo no mundo.

Enquanto o universo cristão recebia a notícia da morte de Feliciano Amaral, o teólogo norte-americano Russell Norman Champlin, radicado no Brasil, era velado no interior de São Paulo.

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