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sexta-feira, 16 DE janeiro DE 2026

A Igreja e a Educação Sexual dos filhos

O casal Pastor David Riker e Brena Riker coordenam o Projeto Ser, Sexualidade e Restauração desde 2005. Foto: Divulgação

O assunto será debatido na Conferência Sexualidade e Família nos próximos dias 18 e 19 de agosto, em Vitória (ES).

Realizado pelo Ministério Luz na noite, a Conferência pretende propor estratégias de enfrentamento no que diz respeito a Sexualidade. O evento terá como preletores principais o casal Pr. David Riker e a missionária Brena Riker. Eles exercem o pastoreio na Terceira Igreja Presbiteriana de Belo Horizonte (MG). Juntos coordenam o projeto SER – Sexualidade e Restauração desde 2005.

Em entrevista à Comunhão, Brena Riker falou mais detalhadamente sobre o assunto. E destacou sobretudo, o papel da igreja para reduzir os números de abuso sexual em crianças. Confira.

Como as famílias podem trabalhar uma educação sexual eficaz com seus filhos?

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A Educação Sexual na família deve começar a partir da constatação de que a sexualidade é uma força vital inerente a todo e qualquer ser humano. Tal como qualquer estrutura inata, faz-se necessário desenvolvimento. Pais, mães e cuidadores precisam compreender que suas crianças atentarão em larga medida à esta área. Ou seja, elas vão querer saber sobre algumas de maneira mais assertiva, outras de modo mais velado, mas certamente o farão. De maneira intencional, a família primeiro precisa verificar qual a sua cosmovisão da sexualidade/sexo (crenças, valores, tabus,etc.). Neste aspecto, cada família possui, digamos assim, um código de ética para a sexualidade, e este deve ser cuidadosamente analisado antes de se começar qualquer ensino ou transmissão de informações, sempre deixando claro que sexo e sexualidade, ainda que complementares, possuem conceitos e operações distintos. Em segundo lugar, é imprescindível que se conheça a criança que temos em casa. Refiro-me a um conhecer com profundidade: desenhos da personalidade, medos, temperamento, etc. Após isto, sugiro um olhar a literatura especializada na área de Educação Sexual, principalmente aquelas que “costuram”aspectos da sexualidade com as particularidades de cada faixa etária. E por fim, afirmo que compreender o que a Bíblia ensina sobre sexo e sexualidade traz um norte magnífico para as discussões no tema. Por isso, dedique-se a conhecer e a viver por meio das Escrituras. Isto é definidor.

Quais cuidados você julga importante que a família adote na prevenção ao abuso sexual dos filhos?

Eu poderia elencar vários, mas penso que o cuidado mais relevante de todos está em sermos cuidadores escutáveis e ensináveis. Falo de um ensino que oferecemos aos nossos pequenos, que vai para mais além do trivial, que considera os sentimentos, emoções e particularidades de cada um. Esse é um importante recurso de prevenção. Ensino atencioso, escuta verdadeira e consideração para o que a criança diz ou sente, são as bases do que chamo alfabetização emocional. Tal instrução coopera para a promoção do senso de confiança e aceitação por parte da criança, de sua condição, de sua aparência, de seu corpo. Esses elementos se não forem bem cimentados no caráter dos pequenos, são facilmente manipulados e articulados por aqueles que cometem violência sexual e outras.

Como a igreja pode contribuir para reduzir os números da exploração sexual infantil?

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Essencialmente com a promoção de eventos e atividades que tragam esclarecimentos precisos que dissolvam os tabus que ainda perduram no meio social e igualmente na comunidade eclesiástica. Além disto, creio que o investimento nos ministérios infantis, com o financiamento de capacitações aos professores, cuidadores de crianças é também um bom dispositivo de prevenção.

Como missionária e co-líder de um ministério de apoio na área da sexualidade, o que você sugere em termos de ajuda para vítimas de abuso sexual?

Creio que um elemento indispensável para esta relação de ajuda é a busca por empatia com os que passam ou passaram por questões envolvendo violência sexual (e outras). Seria tentar compreender sentimentos e emoções, procurando ter afinidades e se identificar de forma objetiva e racional com o que sente o outro indivíduo. De certa forma, seria nutrir o mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus com a própria ajuda Dele em nosso interior, por meio de seu Espírito. Também é crucial que busquemos ler sobre o tema, buscando consultoria de conselheiros experientes ante a condução de algum caso em que nos dispusemos ajudar, além do trabalho de voltar-se para dentro de nós mesmos para identificar nossos próprios limites no auxílio ao violado (a).

Quais são as sequelas que o abuso sexual pode provocar na vida do ser humano, especialmente na sexualidade?

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Muitas roturas, em graus distintos, podem compor as sequelas de alguém que passa ou passou por violência sexual. Diane Langberg no seu livro ‘No limiar da esperança: abrindo as portas para a cura de vítimas de abuso sexual’ explica que o abuso possui força suficiente para machucar corpo, sentimentos, emoções e espírito. Em especial na sexualidade, tenho observado que sobreviventes costumam sentir-se inapropriados ante a seu corpo, considerando-o uma espécie de  “inimigo” indigno de ser valorizado, amado, cuidado. Por esta razão, tal corpo pode ser subjugado aos usos e desusos mais desumanos  ou mesmo como um elemento obscuro, que merece ser escondido e desconsiderado. Obviamente existem outras questões pertinentes,mas destaco esta.


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