Renata Santos de Oliveira, de Missões Mundiais, compartilhou os frutos do ministério a partir de ações de acolhimento e inclusão
Por Patricia Scott
Em Angola, a missionária brasileira Renata Santos de Oliveira, que trabalha na evangelização de surdos, testemunha o progresso do ministério e os frutos do trabalho missionário. Ela, que coordenadora da área de Ações Acessíveis de Missões Mundiais, compartilhou que um dos primeiros surdos a se converter na região foi Francisco Cassinda Epamba, que hoje é o primeiro pastor surdo da Convenção Batista Angolana (CBA) e também missionário. Ele é responsável pelo crescimento do trabalho com surdos em todo o país.
Em 2024, um dos principais focos da missão foi o trabalho da Área de Ações Acessíveis (A3). De acordo com Renata, os líderes decidiram que era o momento certo para alcançar surdos, cegos, cadeirantes e pessoas com deficiência.
“Agora temos a Área de Ações Acessíveis, que tenho a honra de coordenar. Através dela, oferecemos suporte e treinamento em Angola. No ano passado, ministramos dois cursos online, capacitando pessoas para trabalharem nas igrejas com surdos e na educação inclusiva para crianças atípicas”, relatou Renata, que também destacou o apoio de cristãos na construção de uma igreja local.
Dentre os frutos do trabalho evangelístico, Renata mencionou a realização de um encontro de casais surdos com aconselhamento e discipulado, oficinas de trabalhos manuais para cegos, dinâmicas com crianças típicas e atípicas, e um projeto de empreendedorismo inclusivo.
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Ela afirmou que foram tantas bênçãos e conquistas que, a cada momento, agradeceu a Deus por tudo o que Ele fez nela e por meio dela. “Foi um ano cheio de desafios e batalhas espirituais, algumas das quais me fizeram questionar se era o momento de desistir. Mas as vitórias foram tantas que agora vejo claramente que Deus me guiou, preparando-me para algo novo, maior do que eu poderia imaginar”, testemunhou a missionária.
Ela destacou que o 1º Congresso de Surdos, em Angola, foi um marco, reunindo 100 pessoas entre surdos e ouvintes com a participação de representantes de sete das 18 províncias do país. “Agora, estamos com um projeto de expansão dos Ministérios com Surdos em três províncias do país. Fico emocionada de tanta gratidão ao ver tudo o que Deus fez em 2024. Cada vitória, desafio superado, vida tocada, batalha enfrentada, tudo isso é Ele em ação. E mesmo nas dificuldades, sei que Ele estava ali, fortalecendo minha musculatura espiritual”.
O objetivo da iniciativa foi motivar e capacitar surdos, ouvintes e as lideranças eclesiásticas a se engajarem na jornada por acessibilidade para o avanço do ministério com surdos em Angola. O Congresso foi impactante, especialmente para aqueles que não sabiam como criar ou desenvolver um ministério acessível em suas igrejas.
“A nossa missionária Rosângela Teck palestrou sobre como iniciou o ministério com surdos no país em 2004 e como tem lutado para expandir essa visão por toda Angola”, compartilhou Renata à Junta de Missões Mundiais, que acrescentou: “Perguntei a ela se algum dia havia sonhado que suas orações chegariam tão longe, pois, verdadeiramente, Deus tem realizado grandes coisas entre os surdos de Angola”.
Testemunho
O congresso contou com o testemunho de várias pessoas, entre surdos e ouvintes, porém o relato de uma surda chamou a atenção de Renata: “Nascida em um lar cristão, seus pais eram membros de uma igreja batista, porém, pelo fato de que em nenhuma igreja batista havia trabalho com surdos ou interpretação dos cultos, ela buscou refúgio em ‘seitas’ — locais que diziam pregar o Evangelho, mas sem apontar Cristo como Deus e Salvador”.
A missionária relatou que a surda chorava, querendo se alimentar da Palavra de Deus, mas não havia quem interpretasse para ela. No congresso, ela se emocionou e compartilhou que estava vivendo um sonho ao ver tantos surdos e intérpretes reunidos, aprendendo e se capacitando ainda mais para dar continuidade ao ministério com surdos em suas igrejas e dispostos a expandi-lo para outros locais onde mais surdos precisam ser alcançados.
“É uma alegria ter sido escolhida por Deus para ver o agir Dele entre surdos e pessoas que necessitam de acessibilidade em Angola e no mundo”, ressaltou Renata.

