back to top
28.9 C
Vitória
segunda-feira, 16 DE fevereiro DE 2026
- Continua após a publicidade -

Missões: a ordenança de Gênesis a Apocalipse

A missão de anunciar o Reino de Deus para resgate dos perdidos começa bem antes do Ide de Jesus

Por Patricia Scott

No ambiente evangélico, o “Ide” é um assunto recorrente. No dicionário consta que a palavra deriva do verbo ir, com o mesmo significado de: “saí; parti; locomovei; movimentai”. Assim, na passagem bíblica conhecida como “Grande Comissão” (Mateus 28.19,20), está escrito: Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém”.

Depois que ressuscitou, Jesus apareceu aos 11 apóstolos e os enviou para pregar o Evangelho ao mundo todo, para que fizessem mais discípulos até o fim dos tempos. No livro de Marcos 16.15, também está relatado esse mandamento de Jesus: E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura. Desse modo, fica evidenciado nos dois textos do Novo Testamento que o verbo está no modo imperativo, deixando claro que é uma ordenança de Cristo a todos os Seus seguidores.

- Continua após a publicidade -

Antigo Testamento

“A ordenança do ide de Jesus é para todos”, destaca o pastor Amauri Oliveira, que é presidente da Agência Presbiteriana de Missões Transculturais (APMT) e líder da Igreja Presbiteriana da Penha, em São Paulo (SP), ligada à Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB). Segundo ele, a missão foi iniciada já no Antigo Testamento, ainda no Jardim do Éden, após a queda de Adão e Eva, ao instituir a busca aos perdidos. O líder religioso cita ainda Abraão, que atendendo à ordenança divina saiu da casa de seu pai, da sua parentela, para habitar em uma terra de pagãos, os cananeus. “Ele se tornou testemunha do monoteísmo em meio a uma cultura politeísta. Deus estava se revelando por meio de Abraão”.

Missões: a ordenança de Gênesis a Apocalipse
“A missão foi iniciada no Antigo Testamento ainda no Jardim do Éden” – Pr. Amauri Oliveira

O pastor explica que no Velho Testamento Melquisedeque e Jetro, como sacerdotes, proclamavam o Senhor e O anunciavam de alguma forma para outros povos. Amauri observa, inclusive, que o profeta Daniel, ao estar cativo na Babilônia, testemunhou das maravilhas do Criador. “Então, o rei Nabucodonosor diz que se curva e exalta ao Deus de Israel, que é único”, prega Oliveira, e emenda: “Os cativos semearam a mensagem de Deus dentro do império pagão babilônico”.

Ele pontua que no Velho Testamento a obra missionária era mais restrita. No entanto, o conceito de missões é ampliado antes da vinda de Cristo. Em Salmos 96, no verso três, Davi diz: Anunciai entre as nações a sua glória; entre todos os povos, as suas maravilhas. “Em toda a Velha Aliança, Deus se revela a Israel para que então Ele fosse conhecido por outros povos”.

Novo Testamento

A partir de Jesus, a obra missionária ganha mais impacto e fôlego. “Como estratégia, Ele ia de casa em casa, de aldeia em aldeia, como prática diária, proclamando o Reino de Deus”, enfatiza o pastor Amauri, que continua: “Ele é o maior exemplo de missionário, sendo a base mais clara quando reúne os discípulos e ordena que façam discípulos de todas as nações, conforme consta nos Evangelhos de Mateus e Marcos”.

- Continua após a publicidade -

Ainda no Novo Testamento, Atos dos Apóstolos narra a história missionária da igreja. “Ela é iniciada com os discípulos recebendo o Espírito Santo, o revestimento de poder, para iniciarem o ide”, frisa o pastor, que ensina: “O livro conta os 30 anos da igreja, que já está espalhada nos três continentes: Europa, Ásia e África. Ao final, fica claro que missões é uma obra inacabada, que o esforço deve continuar”. Já em Filipenses, diz Amauri, o apóstolo Paulo fala em lutar pela causa, que é propagar o Evangelho.

E justamente Paulo é considerado o maior missionário da história da igreja, porque fincou bases das Boas Novas de Cristo em diversas localidades. “Foi com o circuito missionário desse apóstolo que a igreja se expandiu, tornando-se a igreja global conhecida hoje”. Vale salientar que a primeira viagem missionária de Paulo foi ao lado de Barnabé. Ambos foram enviados pela Igreja de Antioquia.

A partir do esforço missionário de Paulo, a igreja da Europa chega à América. Em Atos está registrado todo o parâmetro para o desenvolvimento da agência missionária, envio e estratégia, além de abordar também a contextualização cultural. “É um tremendo manual de missões. Com Paulo, aprendemos como imitar Cristo, sendo Ele missionário por excelência”.

Por fim, em Apocalipse, no capítulo 7, versículo 9, está escrito: Depois disso, vi uma grande multidão que ninguém podia contar, de toda nação, tribo, povo e língua: conservavam-se em pé diante do trono e diante do Cordeiro, de vestes brancas e palmas na mão. “Esse é o resultado da missão global. Ou seja, de Gênesis a Apocalipse, a história da missão divina é resgatar os perdidos. Deus nos chama para cooperar com Ele nessa obra”, conclui o pastor Amauri.

- Continua após a publicidade -

Glória de Deus

Então, dentro desse contexto, realizar missões é a ação de anunciar a todos os povos (etnias), línguas e nações, a glória do Senhor. A definição é da missionária e antropóloga Patrícia Pereira, que afirma ainda que é propagar o Deus que criou todas as coisas e o homem para a Sua glória (Salmos 86). Por isso, ela diz que a importância da tarefa missionária é a glória de Deus. “O homem caído precisa ouvir sobre o amor do Senhor manifesto através do sacrifício salvador e regenerador de Jesus Cristo. Isso porque em nenhum outro há salvação (Atos dos Apóstolos 4.12)”, observa a missionária de A Tarefa, agência presente no Brasil, Estados Unidos, Eurásia e sul da Ásia.

Missões: a ordenança de Gênesis a Apocalipse
“A obra missionária não é sobre nós, mas sobre Deus” –
Missionária Patrícia Pereira

Dessa forma, Patrícia ressalta que o propósito de missões para a igreja é que todos sejam testemunhas de quem Deus é, da Sua obra para a salvação dos perdidos, para anunciar as virtudes Daquele que tira o homem das trevas para Sua maravilhosa luz (1 Pedro 2.9). “A obra missionária não é sobre nós, mas sobre Deus. Nós somos apenas testemunhas sobre quem Ele é e sobre o que Ele fez”.

Assim, Patricia explica que todos os alcançados pelo amor do Criador estão convocados para testemunhar. Ela pergunta onde? E responde: “Em todo lugar ao mesmo tempo”. Segundo a missionária, a missão é de Deus, mas a tarefa de anunciar é de todo aquele que foi salvo por Jesus. “Nós estávamos mortos, perdidos, e formos vivificados. Estávamos perdidos, mas fomos achados”, salienta. E completa: “Deus nos dá a honrosa tarefa de sermos Suas testemunhas a outros que ainda estão perdidos como um dia estivemos (Efésios 2).

Propósito de Deus

No entendimento do pastor Felipe Fulanetto, o objetivo principal da igreja é glorificar o Senhor e, para isso, desempenha várias ações, inclusive missões. “Assim, é importante a pregação da Palavra, para que todos os povos possam crer”, assevera Fulanetto, da Igreja do Nazareno Monte Moriá, em Campinas (SP), que integra a Associação de Missões Transculturais Brasileiras (AMTB).

Ele lembra que na Bíblia não existem as palavras missões, missão ou missionário. “Elas são oriundas do termo latim missio”, esclarece, acrescentando que existem várias definições. “Uma delas aponta que são as atividades da igreja para o cumprimento do propósito de Deus, que é buscar adoradores”. Sendo assim, o pastor destaca que a Bíblia é uma história conectada de Gênesis a Apocalipse, que visa a propagar o nome do Senhor.

Nesse entendimento, ele frisa Êxodo 19.1-6, quando Moisés ressalta um reino de sacerdotes e uma nação santa. “O sacerdote representava o povo diante de Deus, ensinando-o e conduzindo-o até o Senhor. Isso significa que Israel levaria as nações até o Criador. Já ser nação santa denota ser diferente, ou seja, separada [no sentido de obedecer fielmente e guardar a aliança do Criador]”.

Essa ordenança do Senhor, diz o pastor, é reafirmada em 1 Pedro 2.9: “Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz”. Então, conclui Fulanetto, “anunciar a Palavra às nações cabe também à igreja atual”.

A partir dessa perspectiva, o líder da Igreja Monte Moriá considera que todo o Corpo de Cristo foi chamado à responsabilidade para a obra missionária. No entanto, nem todos são missionários, ou seja, aqueles que vão para o campo transcultural seja dentro ou fora do Brasil. “Todo evangélico deve apoiar, encorajar, investir, testemunhar, mas ir para o campo transcultural é para os que têm o chamado específico de Deus para realizar essa obra”.

Sendo assim, a missão de propagar o Evangelho a toda criatura é para todos aqueles que creem nEle. Porém, a diferença está em como o Senhor conduzirá a cada um, conforme a ordenança: Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da terra (Atos 1.8).


A matéria acima é um conteúdo da edição impressa de Comunhão n°310/2023. Clique aqui para ler a revista completa.

Receba notícias exclusivas no seu WhatsApp

Contéudos especiais no seu email. Receba hoje!

- Continua após a publicidade -

EDIÇÃO DIGITAL

FIQUE POR DENTRO

Matérias relacionadas

- Continua após a publicidade -